sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Véspera de Natal

Véspera de Natal. Apenas eu e minhas palavras e meus pensamentos e meus ouvidos pouco atentos as músicas que vão tocando e mudando no rádio. Fiquei aqui sentada, somente pensando. Pensando na minha vida e em tudo que faz parte dela. Pensando na minha vida e tudo que ainda está por vir. Fiquei aqui pensando nas pessoas que não conheço e que daqui algumas horas estarão sorrindo ao lado dos amigos. E nas pessoas que estão sozinhas assim como eu. Talvez elas estejam ouvindo uma música que gostam e bebendo qualquer coisa forte pra esquecer a solidão. Eu não. Eu quero me lembrar que estou sozinha nesse momento. Eu quero estar só para poder rever. Rever o passado, olhar com olhos calmos pro meu presente e fazer o possível para não ficar pensando no futuro – ao menos nesse futuro daqui alguns anos que ninguém na verdade sabe se chegará -. Fecho os olhos e começo a pedir. Não são coisas muito complicadas de serem atendidas. Ao menos eu acho que não. Apenas me concentro em cada rosto que já conheci até hoje e nos sentimentos que tenho por cada uma dessas pessoas. Que não nos faltem bons sentimentos sejam no Natal ou em qualquer dia do Ano Novo que se aproxima. Que nos falte egoísmo. Que nos sobre paciência pra enfrentar mais trezentos e sessenta e cinco – ou seria trezentos e sessenta e seis? – dias. Que sejamos capazes de enxergar algo de bom em cada momento ruim que nos acontecer. Que não nos falte esperança. Que novos amigos cheguem. Que antigos amigos sejam reencontrados. Que cada caminho escolhido nos reserve boas surpresas. Que músicas de letras e melodias bonitas nos façam suspirar. Que a cada sorriso que uma criança der nos faça ter um bom dia e enxergar uma nova esperança. Que nos sobre tempo para beber e conversar com os amigos. Que cada um de nós saiba ouvir cada conselho dado por uma pessoa mais velha. Que não nos falte vontade de sorrir apesar dos pesares. Que sejamos leves. Que sejamos livres de preconceitos. Que nenhum de nós se esqueça da força que possui. Que não nos falte fé e amor. Amor e fé. Fé no amor.

(Camila Aguilera)

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010


Tom – Espera, e se você se apaixonar?
Summer dá uma risada
Tom – O que foi?
Summer – Você não acredita nisso, acredita?
Tom – É amor, não é Papai Noel.

domingo, 5 de dezembro de 2010



I'm dead to you
You say we are friends but
What is a friend when there is a man who
Sleeps in your bed too

Everything's closer to the end but
I'll get farther from you
Everything's closer, it's the end but
I will get further from yo

WILLIAM FITZSIMMONS - Further from you

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

letra maiúscula ponto final

-Vou me casar.
-Ai, que besteira. Para de piada uma hora dessa da noite, já bebi demais e posso acreditar em qualquer coisa dita agora.
-Eu vou me casar.
-Já não falei pra parar de graça? Que saco. Me dá um cigarro aí. Ali em cima.
-Me caso daqui um mês.
-Você tá falando sério?
-Desculpa.
-Você tá falando sério?
-Desculpa.
-Eu perguntei se você está falando sério, responde.
-Sério.
-E quando você decidiu isso?
-Importa?
-Claro que importa.
-Não, não importa.
-Claro que importa. Pra mim.
-Os detalhes sempre te importam. Puro mimo.
-Não começa atacar que isso aqui não é um ringue é no máximo um circo. Não tô certo?
-Claro que está certo. Você erra?
-Não. Bem, quase nunca.
-É, às vezes eu me esqueço que transo com uma pessoa perfeita.
-Bingo. Isso. TRE-PA-DA.
-Por favor, não começa.
-Claro que eu começo.
-Tem uns 15 dias.
-Por que demorou tanto pra contar?
-Não sei. Não achei que fizesse diferença.
-Mas é claro que faz diferença. Faz toda diferença.
-Eu imaginei.
-E por que não contou antes?
-Medo.
-Não me venha com essa. Os medos são meus.
-Nossos.
-Nossos? O que são nossos? O que tem nossos? Nossos. Nossos.
-Por que eu tinha certeza que você ia fazer esse drama todo? Se desequilibrar...
-Desequilíbrio? Claro que não. O fato de você se casar não me deixa instável. O que me irrita é saber que eu só fiquei sabendo disso quinze dias depois da decisão. Entende?
-Desculpa.


22:02 – Pausa
22:09 – Me perdoa
22:11 – Abraço
22:14 – Choro
22:16 – Beijo
22:22 – É.


-Daqui uns minutos eu vou entrar num ônibus e ir embora, não quero levar essa sua frieza na minha mala.
-Alguma coisa que eu diga vai fazer diferença?
-Não, o que me incomoda é essa frieza... esse gelo.
-É o que eu tenho. (longa pausa). Você foi feliz comigo?
-Fui.
-Vai ser feliz agora, no casamento?
-Vou.
- Espero que sim. Mentira, a gente sabe que é mentira. Quero muito sofrimento, bordoadas, sangue e péssimas trepadas.


(pausa)


-A gente não tem culpa.
-Eu tenho.
-Não, não tem.
-Tenho. Concorda comigo, porra.
-Tem. Mas a gente pode continuar se vendo...
-É isso que você tá propondo? Cansei das raspas e dos restos.
-Não foi isso que eu quis dizer.
-Foi isso que você disse.


(pausa. chuva.)


-Olha que toró.
-Vai fazer menos baderna do que a que tá aqui dentro.
-É pra me comover?
-Te comove?
-Por que não comoveria?
-Por que você tá me propondo um caso extraconjugal antes de se casar?
-Será?


(dois cigarros. uma lata de cerveja)


-Você precisa ir.
-Embora daqui ou daí?
-Daí onde?
-De você.
-Dos dois lugares.
-Vou sentir sua falta.
-Eu também vou.
-É melhor assim.
-É melhor assim.
-Sim é.
-Pode ter certeza. Toma cuidado.
-Você também se cuida aqui. Cautela nas relações!
-Eu tenho, você sabe.
-Sei.
-Fica feliz lá.
-Vou ficar. Preciso ir... tchau.
-Ó, leva meu guarda chuva.


(a porta bate...

(André Fabrício)

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

- Alô?
-
- Você sabe quem é, então apenas me escute...
-
- Eu não achava que ainda teriam coisas a serem ditas e explicadas...
-
- Mas de repente dei por mim discando seu número e...
-
- Eu tive tanto medo de dar de cara com a sua secretária eletrônica e você sabe como eu odeio quando isso acontece...
-
- Sei que agora estou aqui, tentando encontrar as palavras certas...
-
- Tentando recordar o que tenho decorado tem alguns dias...
-
- E parando pra pensar, acho que nada do que eu disser será novo...
-
- Simplesmente porque o sentimento não mudou. Você entende?
-
- Eu ainda sinto o mesmo desde o dia quatro de novembro de dois mil e oito.
-
- Mas eu não sei, eu não sei o que foi que aconteceu com o que você sentia...
-
- Ou você nunca sentiu?
-
- E eu sinto a sua falta.
-
- E eu ando tão exausta dessas minhas fugas...
-
- Dessas minhas tentativas de te esquecer...
-
- Porque é sempre tão difícil seguir em frente quando decido que será sem você...
-
-
-
- Por que é tão difícil?
-
- E aí vem um sonho ou outro com você...
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- E continuam tão sinceros...
-
- Os seus abraços.
-
- Eu tenho vontade de senti-los uma outra vez...
-
- Eu sinto falta deles...
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- Eu sinto falta de tudo que tem você.
-
- Eu ando por essas ruas querendo te encontrar.
-
- E eu não quero nunca mais viajar se não for pra ter você me esperando.
-
- E às vezes eu não consigo encontrar nada que eu realmente queira além de você.
-
- E todas essas minhas fugas...
-
- E todas as vezes que volto sempre pra você...
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- Eu não saberia explicar o motivo de não conseguir mesmo sabendo da força que tenho...
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- Eu não sei explicar porque penso tanto em você...
-
- Escutando O Teatro Mágico ou qualquer outra música...
-
- Lendo Caio Fernando ou qualquer outro autor...
-
- Comparando sorrisos...
-
- Ou abraços...
-
-
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- Eu não sei por que penso em você sempre quando tudo vai mal...
-
- Ou quando tudo parece bem...
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- E eu só queria que você estivesse ao meu lado.
-
-
-
- E eu só queria que estivéssemos agora numa daquelas conversas animadas ao telefone, quando riamos por qualquer bobagem dita por mim ou por você...
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- Eu sinto tanto a sua falta.
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- E sei que já disse isso, mas é que eu sinto tanto, mas tanto a sua falta...
-
- E dói...
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- E por dias quase sufoca...
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- E por dias eu acho que não vai passar...
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- Acho que vou desligar.
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- Promete que ficará bem e que irá se cuidar?
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- Não deixe ninguém te fazer infeliz...
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- Não permita.
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- Eu te quero tão bem.
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- Me desculpe por todos os meus erros...
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- Você simplesmente pode me desculpar por eu não ter conseguido lidar com o que sinto?
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- Esse silêncio todo costumava ser meu.
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- Eu amo você.
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- Nunca se esqueça disso.
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- Eu nunca vou me esquecer de você.
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- E também nunca vou entender como pude não ter você.
-
-
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(Camila Aguilera)

sábado, 23 de outubro de 2010

23-10-2010

Te escrevo porque hoje é seu aniversário. Escrevo, mas na verdade gostaria de estar ao seu lado desejando todas essas coisas boas que sempre desejam em nossos aniversários e também no natal e também no ano novo. E também. Também gostaria de estar ao seu lado nessas e outras datas. Como quando você se formar e for gente adulta. Embora eu já te ache tão adulta pra quem daqui a pouco completa apenas dezenove anos. E acho algumas outras coisas sobre você. Mas achar é tão pouco, é ver de longe e não saber dizer se é de fato ou não. Porque eu não teria trinta e três coisas randômicas pra dizer sobre você, mas eu gostaria de ter muito mais. Eu gostaria muito de um dia te encontrar por aí ou por aqui, tanto faz. Simplesmente te encontrar. Te reconhecer pelo cabelo que algum dia vi alguém escrever que é estranho, mas que eu acho puro estilo. Te reconhecer pela tatuagem. Simplesmente te reconhecer e te convidar pra sentar em qualquer lugar com uma boa sombra. E então te conhecer através de uma conversa sobre seus filmes, suas canções, seus textos. Te conhecer através do silêncio. Do brilho no olhar. Do sorriso no lábio. E te contar um pouco sobre minha vida. Te contar sobre quando assisti Amélie e fiquei o tempo todo e o resto do dia pensando em você ou sobre quando escuto Tiê e me lembro de você me apresentando músicas dela em uma das nossas conversas através de uma tela de computador. Nossas conversas do verão passado que pareciam intermináveis e que agora eu sinto falta. É, sinto falta. Porque era como se eu estivesse aí ou você aqui, conversando bobagens. Mas como eu disse no começo agora eu só gostaria de estar ao seu lado e te desejar coisas boas como um pouco mais de tranqüilidade pra levar a vida. E simplicidade. E amores. E amizades. E sonhos. E planos. Encontros. Recordações. E sorrisos. Risos. Abraços. E tudo. Tudo que eu não saberia dizer olhando pra você porque nunca fui boa em desejar feliz aniversário e que agora eu não sei expressar escrevendo. Tomando conta de tudo que sinto agora – porque o fundo é muito pouco – te desejo dias de felicidade plena, porque um sorriso seu deve ser lindo. É, deve ser.

Por fim, se cuide.

Eu me cuidarei.

‘Remember me when you're the one you always dreamed…’

(Camila Aguilera)

domingo, 17 de outubro de 2010

28.06.2010

Um ano, sete meses e vinte e quatro dias. A mesa. O caderno. Palavras. Vou viajar. Vou te encontrar. Vou me encontrar. Não fugirei. Não adiarei mais. É preciso coragem. Ou qualquer outro sentimento. É preciso ir. Simples. Uma reserva. Um ônibus. Pessoas que se despedem. Pessoas que se reencontram. E eu não sei dizer se alguma delas tentava buscar um sentido dentro de tudo aquilo que era, assim como eu. Sei que juntei algumas coisas, um restante de esperança e fui. Deixei livros e discos por aqui, pois sabia que voltaria. Eu sempre volto. Viajei durante horas. Horas na ansiedade de te encontrar. Horas no desejo de enfim encontrar uma metade. A minha metade. Você. Você que me espera. Eu quem te encontro. Te olho. Te enxergo além do real. Porque eu te vejo de dentro. Não são meus olhos que finalmente lhe vêem, é meu coração que reconhece enfim quem lhe preenche todos os espaços há tanto tempo. Você. Você e seu sorriso lindo. Eu e os olhos que tem vontade de derramar todas as lágrimas do mundo. Você e seu abraço pra acabar com a resistência. Eu e todos os abraços que guardei. Você e seu jeito de me olhar. Eu e meu jeito inconstante. Eu e minhas poucas palavras. Eu estou ao seu lado. Eu te sinto. Finalmente, eu sinto você. Você que não me toca os lábios. Você que eu não decifro. Logo eu irei. Você sabe. Você não me pede pra ficar. Não existem lágrimas em seus olhos. Apenas nos meus. Sempre nos meus. Você andará algumas quadras e estará de volta a sua vida. Sua vida sem mim. Eu que não marco. Eu que tentei ficar de uma maneira especial em você, assim como você sempre esteve em mim. Eu e meus fracassos. Recolho o que sobrou. É tão pouco. Tento juntar os pedaços do que destruí e sigo em frente. A estrada. As lágrimas. O nó na garganta. O caderno. A minha mania de escrever o que nunca tenho capacidade de dizer. Pois eu nem ousei tentar dizer que eu ficaria. Ficaria para sempre. Ao seu lado. Ou esperaria, fosse o caso de você um dia resolver me pedir pra ficar. Eu vou. Deixo um pedaço de mim. Um pedaço que é teu. Algo que não faz mais sentido. A casa. A família. Os velhos amigos. Meus discos, livros. Longe de você. Vou de encontro ao que me pertence. Pois existe algo que me pertence e não é você. E dói.

(Camila Aguilera)

domingo, 10 de outubro de 2010

06.08.2010

Para quem todos os meus últimos ímpetos de escrever tem se destinado, mesmo que nunca nada que seja meu – ou seria seu? - chegue de fato até você.

Sabe, os dias tem sido calmos e ao mesmo tempo difíceis. Tem momentos como esse que simplesmente não sei o que sinto. Ou sei tão bem que prefiro omitir isso de mim pra que assim não seja ainda mais complicado. Existe sempre o telefone que toca insistentemente como agora e que eu nunca atendo, porque não existe ninguém que eu queira falar além de você. E eu teria tantas coisas pra te falar. E talvez eu ficasse apenas em silêncio, mas eu sempre tive muitas coisas para dizer a você. Acho que por isso escrevo tanto, porque preciso falar, porque não consigo, porque já não tenho coragem de discar seu número e dar de cara com a caixa postal ou encontrar a sua indiferença do outro lado da linha. E então escrevo, mesmo que nada seja remetido um dia a você. Eu queria te falar sobre os meus dias. Te contar das horas que sorrio, trabalho, escrevo, ouço músicas, vejo fotos, choro, supero a quase dor, fico em silêncio, falo sobre você, leio. Te falar sobre o inexistente. Sobre o que preenche. O que assusta. Perguntar sobre a temperatura. Falar uma bobagem. Ouvir tua risada. Lembrar do teu sorriso. Pensar. Ficar em silêncio. Te ouvir chamar a minha atenção por ficar tanto tempo quieta. Falar das minhas tentativas. Te explicar minhas fugas. Te dizer porque sempre vou ao seu encontro. Falar que estou bem. Que estou mal. E que não penso em cometer loucuras. Sou forte. E falta-me coragem. E vou em frente. Pois preciso viver. Continuar andando por aí todos os – benditos ou malditos – dias na esperança de virar uma esquina e pronto, simplesmente ver você me sorrindo, mas se soubesse. Soubesse de como fico quando penso nessa possibilidade – tão infundável – de um dia te encontrar assim sem esperar. Se soubesse do medo que sinto de não saber outra vez como agir ao te ver. Quase choro. Ou quase misturo esse motivo pra chorar com outros tantos que surgem quando penso em você e me sinto afundar. E falar da minha busca por dias melhores. E contar das minhas inúteis tentativas de te esquecer. E então penso com tristeza numa próxima viagem sem você me esperando na plataforma com sorrisos e abraço. E de repente se aproxima de mim um novo silêncio – dos meus silêncios tão bem conhecidos por você – e eu não sei mais o que te escrever. Falar, relatar, dizer – qualquer coisa que seja -. Mas espere. Eu ainda não terminei. Na verdade eu sinto que nunca vai terminar – ao menos não da minha parte -. Espere e me deixe contar algo que me ocorreu dia desses. Não me lembro ao certo quando ou o que pensava antes disso – certamente em você -. Sei que enquanto almoçava e escutava ao fundo qualquer música-que-se-ouve-em-dias-com-o-coração-partido, levantei a cabeça e te encontrei sentado do outro lado da mesa, olhando pra mim – seus olhos lindos e indecifráveis, sempre – e então você disse algo que eu não compreendi e sorriu e eu fiquei ali fazendo um esforço enorme para evitar piscar e descobrir que era apenas uma fantasia ter você em minha frente – sabendo que era -. Então fechei os olhos e quando os abri, você já não estava ali e então eu chorei. Chorei por toda a cena que jamais se repetirá, por toda a saudade que sinto de você, por toda a falta que você me faz. Chorei como choro agora por não saber o que escrever que faça com que um novo encontro aconteça e então você fique. Fique comigo. E fico nessa luta incessante de buscar no meu interior algo mais para escrever, te dizer tantas outras coisas diferentes, mas que ao mesmo tempo continuam tão iguais e assim repetitivas.


Por enquanto, me cuido.

Por enquanto, se cuide.

Por fim, tomar um café, ler Caio F., lembrar você uma vez mais.

O mesmo amor de sempre,

Camila Aguilera.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

...

Como se fosse há um tempo atrás. Sentada nessa mesma cadeira. Apenas o barulho da caneta que escreve sobre o caderno. Minto. Há também um outro som ao fundo. City and Colour - uma frustrada tentativa de acalmar -. Acalmar o coração, o sentimento, a mente, o momento – qualquer coisa que seja -. O cigarro mais uma vez apenas para feder o quarto, mal olho para ele, quem dirá traga-lo. Mal olho para nada, além do caderno. De vez em quando, paro e olho para um retrato seu que me sorri - que me faz ter lágrimas nos olhos -. Vez em quando para o relógio que insiste sempre no seu tic-tac desprezível. Olhei para o calendário apenas para me certificar do dia. Hoje fazem quarenta e três dias que te conheci. Quarenta e dois dias que não te vejo. Nosso encontro podia ao menos ter sido mais demorado. O nosso encontro poderia ter sido mais justo pelo tempo que passamos esperando por ele. Poderia ter sido tanta coisa. O nosso encontro poderia simplesmente não ter demorado tanto pra simplesmente acontecer e me deixar sem reação. O nosso encontro. O nosso ponto final? Justo um ponto final que eu acreditava que não existiria. Podia esperar qualquer coisa do nosso encontro, sendo a nossa história tão cheia de vírgulas, reticências, interrogações e exclamações. Mas logo um ponto final? Você imaginava? (...) O telefone tocou. O telefone toca. Eu não faço qualquer movimento na intenção de atendê-lo. Não é você do outro lado da linha. Jamais seria você do outro lado da linha. Meu fio de esperança já não me engana. Deixei todo um punhado por ai pra que eu não sofresse ainda mais, esperando você ligar, escrever ou até mesmo de repente como se nada tivesse acontecido me pedisse pra voltar. (...) Eu não quero que você ligue, escreva ou apareça. (...) Na verdade, não agüento mais fingir que não quero ou espero nada. De verdade, eu espero ansiosamente que você ligue ou escreva e a gente possa conversar por horas seguidas como fazíamos há quarenta dias atrás. Eu espero que você me peça pra ir te ver. Eu espero que você aceite encontrar-me uma outra vez. Eu espero. Espero. (...) O telefone volta a tocar e poderia ser você agora. Eu teria tanta coisa pra dizer. Tanta coisa que ando decorando. Eu poderia dizer dos dias tristes que tenho passado quando não nos falamos, poderia contar algo engraçado que aconteceu nesse meio tempo, mas sempre concluo que eu ficaria um tempo enorme em silêncio só ouvindo sua respiração do outro lado da linha. Do outro lado que não estou. Eu ficaria muito tempo buscando na minha memória algumas dessas muitas coisas que tenho decorado – em vão -. Buscando uma maneira de dizer como me faz falta o seu riso, o seu jeito de falar comigo, a sua maneira de me consolar mesmo que de longe. Talvez, eu só queira te dizer da vontade que tenho de te abraçar agora – enquanto a folha do caderno vai terminando, a caneta quer falhar ou o disco muda de City And Colour pra Lifehouse -. Ou talvez, eu só queira dizer que amo você e.

(Camila Aguilera)

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

31.08.2010

“Quando setembro vier. De tão azul o céu parecerá pintado.” (Caio F.)

Quando setembro chegar. Cheguem também as inspirações. Inspirações bonitas. Inspirações bobas. Simples que sejam. Cheguem também as vontades. A vontade maior de ser eu mesma. Quando setembro chegar. Cheguem também os raios de sol me iluminando. Iluminando os cantos dentro de mim apagados e escuros desde que me afastei de você, de mim, de nós. Cheguem também inúmeras paixões, daquelas que tiram o sono, o ar, a paz e o riso tolo. Daquelas paixões que me inspiram a escrever e a viver por meses ou anos ou até mesmo um único dia. Quando setembro chegar. Cheguem também os risos ao lado dos bons amigos – dos eternos amigos -. Cheguem também as lágrimas pela saudade que sinto de tudo que não posso recuperar. Lágrimas de felicidade por todos os momentos bons que vivi até hoje. Lágrimas pelos momentos ruins que só me deixaram mais forte. Quando setembro chegar. Cheguem também as lembranças por todas as paixões que deixei pra trás. Por todos os amores que eu julguei eternos – antes de você – e que hoje já mal me lembro. Cheguem também as possibilidades de viajar para longe, para perto, de simplesmente andar algumas quadras e encontrar quem me faça bem. Cheguem também as esperanças pra que eu não desista. Cheguem ao fim os invernos dentro dos corações desacreditados do amor. Quando setembro chegar que eu seja ainda mais alegre e que não fique em mim a sensação de uns agostos por dentro. Que eu possa ser somente o que sinto quando setembro chegar. Quando setembro chegar.


Ao som de No surprises - Radiohead

(Camila Aguilera)

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

20.05.2010


Todo dia se permita sair por ai. Como se não existisse mais nada, mais mundo, mais ninguém. Apenas você e seus sentimentos e seus pensamentos. Caminhe sem pressa. Sente-se em algum lugar, permita sentir o vento, o sol ou a chuva, tanto faz. Sinta. Não importa se depois de um tempo sentindo que tudo se tornou calmo e inabalável ao seu redor, você apenas desejar que certo alguém estivesse ali compartilhando da mesma paz que você. Acredite, são comuns pensamentos e vontades assim quando os sentimentos são maiores que a gente, mesmo que não sejam correspondidos.
Procure reinventar seus dias diante do possível. Saia de viagem ou não. Beba o bastante pra ter a pior ressaca de sua vida e não saber se dói mais o coração que ainda não cicatrizou ou a dor de cabeça no dia seguinte. Saia com outras pessoas. Procure rir absurdamente ao lado delas. Saia com pessoas animadas. Nada de lamentações. Não se permita ouvir e muito menos lamentar. Não significa que você vai esquecer, mas significa que você está se ajudando a superar.
Tome sorvete, fume dois maços de cigarro, - trague um charuto e ria por ter sido tão idiota - coma chocolate, beba um litro de qualquer coisa forte, faça sexo com uma, duas ou até mais pessoas e não me venha com puritanismo, o mundo é luxuria - pura luxuria -, meu bem. Tudo bem, eu também não saio fazendo sexo com qualquer pessoa que surja na minha frente e muito menos acho isso normal, então não faça, não faço, não faremos.
Xingue a pessoa de todos os nomes feios que lhe vierem na mente, mas xingue em pensamentos, não seja ridículo ao ponto de querer fazer isso em publico. É pura e simples humilhação.
Tente entender, por mais que doa, que se resolveu por partir e te deixar ou simplesmente decidiu por se afastar, não há nada que se possa fazer. No fundo você sabe que não resta nada além do que você sente, então simplesmente viva, pois isso acontecerá outras vezes com você, sendo a outra pessoa a partir ou se afastar ou você mesmo que fará isso.
Não compare seus novos relacionamentos ao antigo. Jamais será igual. Cada pessoa tem seu cheiro, jeito, encanto, qualidade, defeito e afins. Por mais que pareça, idêntico jamais.
Abrem-se portas, olhares cruzam-se, corações param. Aqui, ali, durante todo o tempo, lembranças que o tempo levaria aos sonhos... medos, sorrisos que continuam não e tão seus. Voem, pois, o mundo é pequeno demais para todos!... Escute histórias que se têm para contar sobre o amor, sobre os amores e, no fim, ame-se.
Aprenda a libertar e a se libertar, tudo que é nosso, assim permanecerá. Ou não. Talvez em uma noite fria de junho, andando por uma rua movimentada por pessoas que não param pra te notar, você simplesmente perceba que já não pensa ou se lembra de tal sentimento. Ou talvez tenha o azar de assim como eu de no meio de um movimento de pessoas que não pararam pra me notar hoje, se aperceber do vazio que ainda toma conta de você, jamais preenchido. O importante, meu caro, é que estamos tentando.
   

Por Camila Aguilera e Thi Schdmit