quarta-feira, 8 de setembro de 2010

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Como se fosse há um tempo atrás. Sentada nessa mesma cadeira. Apenas o barulho da caneta que escreve sobre o caderno. Minto. Há também um outro som ao fundo. City and Colour - uma frustrada tentativa de acalmar -. Acalmar o coração, o sentimento, a mente, o momento – qualquer coisa que seja -. O cigarro mais uma vez apenas para feder o quarto, mal olho para ele, quem dirá traga-lo. Mal olho para nada, além do caderno. De vez em quando, paro e olho para um retrato seu que me sorri - que me faz ter lágrimas nos olhos -. Vez em quando para o relógio que insiste sempre no seu tic-tac desprezível. Olhei para o calendário apenas para me certificar do dia. Hoje fazem quarenta e três dias que te conheci. Quarenta e dois dias que não te vejo. Nosso encontro podia ao menos ter sido mais demorado. O nosso encontro poderia ter sido mais justo pelo tempo que passamos esperando por ele. Poderia ter sido tanta coisa. O nosso encontro poderia simplesmente não ter demorado tanto pra simplesmente acontecer e me deixar sem reação. O nosso encontro. O nosso ponto final? Justo um ponto final que eu acreditava que não existiria. Podia esperar qualquer coisa do nosso encontro, sendo a nossa história tão cheia de vírgulas, reticências, interrogações e exclamações. Mas logo um ponto final? Você imaginava? (...) O telefone tocou. O telefone toca. Eu não faço qualquer movimento na intenção de atendê-lo. Não é você do outro lado da linha. Jamais seria você do outro lado da linha. Meu fio de esperança já não me engana. Deixei todo um punhado por ai pra que eu não sofresse ainda mais, esperando você ligar, escrever ou até mesmo de repente como se nada tivesse acontecido me pedisse pra voltar. (...) Eu não quero que você ligue, escreva ou apareça. (...) Na verdade, não agüento mais fingir que não quero ou espero nada. De verdade, eu espero ansiosamente que você ligue ou escreva e a gente possa conversar por horas seguidas como fazíamos há quarenta dias atrás. Eu espero que você me peça pra ir te ver. Eu espero que você aceite encontrar-me uma outra vez. Eu espero. Espero. (...) O telefone volta a tocar e poderia ser você agora. Eu teria tanta coisa pra dizer. Tanta coisa que ando decorando. Eu poderia dizer dos dias tristes que tenho passado quando não nos falamos, poderia contar algo engraçado que aconteceu nesse meio tempo, mas sempre concluo que eu ficaria um tempo enorme em silêncio só ouvindo sua respiração do outro lado da linha. Do outro lado que não estou. Eu ficaria muito tempo buscando na minha memória algumas dessas muitas coisas que tenho decorado – em vão -. Buscando uma maneira de dizer como me faz falta o seu riso, o seu jeito de falar comigo, a sua maneira de me consolar mesmo que de longe. Talvez, eu só queira te dizer da vontade que tenho de te abraçar agora – enquanto a folha do caderno vai terminando, a caneta quer falhar ou o disco muda de City And Colour pra Lifehouse -. Ou talvez, eu só queira dizer que amo você e.

(Camila Aguilera)

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

31.08.2010

“Quando setembro vier. De tão azul o céu parecerá pintado.” (Caio F.)

Quando setembro chegar. Cheguem também as inspirações. Inspirações bonitas. Inspirações bobas. Simples que sejam. Cheguem também as vontades. A vontade maior de ser eu mesma. Quando setembro chegar. Cheguem também os raios de sol me iluminando. Iluminando os cantos dentro de mim apagados e escuros desde que me afastei de você, de mim, de nós. Cheguem também inúmeras paixões, daquelas que tiram o sono, o ar, a paz e o riso tolo. Daquelas paixões que me inspiram a escrever e a viver por meses ou anos ou até mesmo um único dia. Quando setembro chegar. Cheguem também os risos ao lado dos bons amigos – dos eternos amigos -. Cheguem também as lágrimas pela saudade que sinto de tudo que não posso recuperar. Lágrimas de felicidade por todos os momentos bons que vivi até hoje. Lágrimas pelos momentos ruins que só me deixaram mais forte. Quando setembro chegar. Cheguem também as lembranças por todas as paixões que deixei pra trás. Por todos os amores que eu julguei eternos – antes de você – e que hoje já mal me lembro. Cheguem também as possibilidades de viajar para longe, para perto, de simplesmente andar algumas quadras e encontrar quem me faça bem. Cheguem também as esperanças pra que eu não desista. Cheguem ao fim os invernos dentro dos corações desacreditados do amor. Quando setembro chegar que eu seja ainda mais alegre e que não fique em mim a sensação de uns agostos por dentro. Que eu possa ser somente o que sinto quando setembro chegar. Quando setembro chegar.


Ao som de No surprises - Radiohead

(Camila Aguilera)