sábado, 23 de outubro de 2010

23-10-2010

Te escrevo porque hoje é seu aniversário. Escrevo, mas na verdade gostaria de estar ao seu lado desejando todas essas coisas boas que sempre desejam em nossos aniversários e também no natal e também no ano novo. E também. Também gostaria de estar ao seu lado nessas e outras datas. Como quando você se formar e for gente adulta. Embora eu já te ache tão adulta pra quem daqui a pouco completa apenas dezenove anos. E acho algumas outras coisas sobre você. Mas achar é tão pouco, é ver de longe e não saber dizer se é de fato ou não. Porque eu não teria trinta e três coisas randômicas pra dizer sobre você, mas eu gostaria de ter muito mais. Eu gostaria muito de um dia te encontrar por aí ou por aqui, tanto faz. Simplesmente te encontrar. Te reconhecer pelo cabelo que algum dia vi alguém escrever que é estranho, mas que eu acho puro estilo. Te reconhecer pela tatuagem. Simplesmente te reconhecer e te convidar pra sentar em qualquer lugar com uma boa sombra. E então te conhecer através de uma conversa sobre seus filmes, suas canções, seus textos. Te conhecer através do silêncio. Do brilho no olhar. Do sorriso no lábio. E te contar um pouco sobre minha vida. Te contar sobre quando assisti Amélie e fiquei o tempo todo e o resto do dia pensando em você ou sobre quando escuto Tiê e me lembro de você me apresentando músicas dela em uma das nossas conversas através de uma tela de computador. Nossas conversas do verão passado que pareciam intermináveis e que agora eu sinto falta. É, sinto falta. Porque era como se eu estivesse aí ou você aqui, conversando bobagens. Mas como eu disse no começo agora eu só gostaria de estar ao seu lado e te desejar coisas boas como um pouco mais de tranqüilidade pra levar a vida. E simplicidade. E amores. E amizades. E sonhos. E planos. Encontros. Recordações. E sorrisos. Risos. Abraços. E tudo. Tudo que eu não saberia dizer olhando pra você porque nunca fui boa em desejar feliz aniversário e que agora eu não sei expressar escrevendo. Tomando conta de tudo que sinto agora – porque o fundo é muito pouco – te desejo dias de felicidade plena, porque um sorriso seu deve ser lindo. É, deve ser.

Por fim, se cuide.

Eu me cuidarei.

‘Remember me when you're the one you always dreamed…’

(Camila Aguilera)

domingo, 17 de outubro de 2010

28.06.2010

Um ano, sete meses e vinte e quatro dias. A mesa. O caderno. Palavras. Vou viajar. Vou te encontrar. Vou me encontrar. Não fugirei. Não adiarei mais. É preciso coragem. Ou qualquer outro sentimento. É preciso ir. Simples. Uma reserva. Um ônibus. Pessoas que se despedem. Pessoas que se reencontram. E eu não sei dizer se alguma delas tentava buscar um sentido dentro de tudo aquilo que era, assim como eu. Sei que juntei algumas coisas, um restante de esperança e fui. Deixei livros e discos por aqui, pois sabia que voltaria. Eu sempre volto. Viajei durante horas. Horas na ansiedade de te encontrar. Horas no desejo de enfim encontrar uma metade. A minha metade. Você. Você que me espera. Eu quem te encontro. Te olho. Te enxergo além do real. Porque eu te vejo de dentro. Não são meus olhos que finalmente lhe vêem, é meu coração que reconhece enfim quem lhe preenche todos os espaços há tanto tempo. Você. Você e seu sorriso lindo. Eu e os olhos que tem vontade de derramar todas as lágrimas do mundo. Você e seu abraço pra acabar com a resistência. Eu e todos os abraços que guardei. Você e seu jeito de me olhar. Eu e meu jeito inconstante. Eu e minhas poucas palavras. Eu estou ao seu lado. Eu te sinto. Finalmente, eu sinto você. Você que não me toca os lábios. Você que eu não decifro. Logo eu irei. Você sabe. Você não me pede pra ficar. Não existem lágrimas em seus olhos. Apenas nos meus. Sempre nos meus. Você andará algumas quadras e estará de volta a sua vida. Sua vida sem mim. Eu que não marco. Eu que tentei ficar de uma maneira especial em você, assim como você sempre esteve em mim. Eu e meus fracassos. Recolho o que sobrou. É tão pouco. Tento juntar os pedaços do que destruí e sigo em frente. A estrada. As lágrimas. O nó na garganta. O caderno. A minha mania de escrever o que nunca tenho capacidade de dizer. Pois eu nem ousei tentar dizer que eu ficaria. Ficaria para sempre. Ao seu lado. Ou esperaria, fosse o caso de você um dia resolver me pedir pra ficar. Eu vou. Deixo um pedaço de mim. Um pedaço que é teu. Algo que não faz mais sentido. A casa. A família. Os velhos amigos. Meus discos, livros. Longe de você. Vou de encontro ao que me pertence. Pois existe algo que me pertence e não é você. E dói.

(Camila Aguilera)

domingo, 10 de outubro de 2010

06.08.2010

Para quem todos os meus últimos ímpetos de escrever tem se destinado, mesmo que nunca nada que seja meu – ou seria seu? - chegue de fato até você.

Sabe, os dias tem sido calmos e ao mesmo tempo difíceis. Tem momentos como esse que simplesmente não sei o que sinto. Ou sei tão bem que prefiro omitir isso de mim pra que assim não seja ainda mais complicado. Existe sempre o telefone que toca insistentemente como agora e que eu nunca atendo, porque não existe ninguém que eu queira falar além de você. E eu teria tantas coisas pra te falar. E talvez eu ficasse apenas em silêncio, mas eu sempre tive muitas coisas para dizer a você. Acho que por isso escrevo tanto, porque preciso falar, porque não consigo, porque já não tenho coragem de discar seu número e dar de cara com a caixa postal ou encontrar a sua indiferença do outro lado da linha. E então escrevo, mesmo que nada seja remetido um dia a você. Eu queria te falar sobre os meus dias. Te contar das horas que sorrio, trabalho, escrevo, ouço músicas, vejo fotos, choro, supero a quase dor, fico em silêncio, falo sobre você, leio. Te falar sobre o inexistente. Sobre o que preenche. O que assusta. Perguntar sobre a temperatura. Falar uma bobagem. Ouvir tua risada. Lembrar do teu sorriso. Pensar. Ficar em silêncio. Te ouvir chamar a minha atenção por ficar tanto tempo quieta. Falar das minhas tentativas. Te explicar minhas fugas. Te dizer porque sempre vou ao seu encontro. Falar que estou bem. Que estou mal. E que não penso em cometer loucuras. Sou forte. E falta-me coragem. E vou em frente. Pois preciso viver. Continuar andando por aí todos os – benditos ou malditos – dias na esperança de virar uma esquina e pronto, simplesmente ver você me sorrindo, mas se soubesse. Soubesse de como fico quando penso nessa possibilidade – tão infundável – de um dia te encontrar assim sem esperar. Se soubesse do medo que sinto de não saber outra vez como agir ao te ver. Quase choro. Ou quase misturo esse motivo pra chorar com outros tantos que surgem quando penso em você e me sinto afundar. E falar da minha busca por dias melhores. E contar das minhas inúteis tentativas de te esquecer. E então penso com tristeza numa próxima viagem sem você me esperando na plataforma com sorrisos e abraço. E de repente se aproxima de mim um novo silêncio – dos meus silêncios tão bem conhecidos por você – e eu não sei mais o que te escrever. Falar, relatar, dizer – qualquer coisa que seja -. Mas espere. Eu ainda não terminei. Na verdade eu sinto que nunca vai terminar – ao menos não da minha parte -. Espere e me deixe contar algo que me ocorreu dia desses. Não me lembro ao certo quando ou o que pensava antes disso – certamente em você -. Sei que enquanto almoçava e escutava ao fundo qualquer música-que-se-ouve-em-dias-com-o-coração-partido, levantei a cabeça e te encontrei sentado do outro lado da mesa, olhando pra mim – seus olhos lindos e indecifráveis, sempre – e então você disse algo que eu não compreendi e sorriu e eu fiquei ali fazendo um esforço enorme para evitar piscar e descobrir que era apenas uma fantasia ter você em minha frente – sabendo que era -. Então fechei os olhos e quando os abri, você já não estava ali e então eu chorei. Chorei por toda a cena que jamais se repetirá, por toda a saudade que sinto de você, por toda a falta que você me faz. Chorei como choro agora por não saber o que escrever que faça com que um novo encontro aconteça e então você fique. Fique comigo. E fico nessa luta incessante de buscar no meu interior algo mais para escrever, te dizer tantas outras coisas diferentes, mas que ao mesmo tempo continuam tão iguais e assim repetitivas.


Por enquanto, me cuido.

Por enquanto, se cuide.

Por fim, tomar um café, ler Caio F., lembrar você uma vez mais.

O mesmo amor de sempre,

Camila Aguilera.