domingo, 10 de outubro de 2010

06.08.2010

Para quem todos os meus últimos ímpetos de escrever tem se destinado, mesmo que nunca nada que seja meu – ou seria seu? - chegue de fato até você.

Sabe, os dias tem sido calmos e ao mesmo tempo difíceis. Tem momentos como esse que simplesmente não sei o que sinto. Ou sei tão bem que prefiro omitir isso de mim pra que assim não seja ainda mais complicado. Existe sempre o telefone que toca insistentemente como agora e que eu nunca atendo, porque não existe ninguém que eu queira falar além de você. E eu teria tantas coisas pra te falar. E talvez eu ficasse apenas em silêncio, mas eu sempre tive muitas coisas para dizer a você. Acho que por isso escrevo tanto, porque preciso falar, porque não consigo, porque já não tenho coragem de discar seu número e dar de cara com a caixa postal ou encontrar a sua indiferença do outro lado da linha. E então escrevo, mesmo que nada seja remetido um dia a você. Eu queria te falar sobre os meus dias. Te contar das horas que sorrio, trabalho, escrevo, ouço músicas, vejo fotos, choro, supero a quase dor, fico em silêncio, falo sobre você, leio. Te falar sobre o inexistente. Sobre o que preenche. O que assusta. Perguntar sobre a temperatura. Falar uma bobagem. Ouvir tua risada. Lembrar do teu sorriso. Pensar. Ficar em silêncio. Te ouvir chamar a minha atenção por ficar tanto tempo quieta. Falar das minhas tentativas. Te explicar minhas fugas. Te dizer porque sempre vou ao seu encontro. Falar que estou bem. Que estou mal. E que não penso em cometer loucuras. Sou forte. E falta-me coragem. E vou em frente. Pois preciso viver. Continuar andando por aí todos os – benditos ou malditos – dias na esperança de virar uma esquina e pronto, simplesmente ver você me sorrindo, mas se soubesse. Soubesse de como fico quando penso nessa possibilidade – tão infundável – de um dia te encontrar assim sem esperar. Se soubesse do medo que sinto de não saber outra vez como agir ao te ver. Quase choro. Ou quase misturo esse motivo pra chorar com outros tantos que surgem quando penso em você e me sinto afundar. E falar da minha busca por dias melhores. E contar das minhas inúteis tentativas de te esquecer. E então penso com tristeza numa próxima viagem sem você me esperando na plataforma com sorrisos e abraço. E de repente se aproxima de mim um novo silêncio – dos meus silêncios tão bem conhecidos por você – e eu não sei mais o que te escrever. Falar, relatar, dizer – qualquer coisa que seja -. Mas espere. Eu ainda não terminei. Na verdade eu sinto que nunca vai terminar – ao menos não da minha parte -. Espere e me deixe contar algo que me ocorreu dia desses. Não me lembro ao certo quando ou o que pensava antes disso – certamente em você -. Sei que enquanto almoçava e escutava ao fundo qualquer música-que-se-ouve-em-dias-com-o-coração-partido, levantei a cabeça e te encontrei sentado do outro lado da mesa, olhando pra mim – seus olhos lindos e indecifráveis, sempre – e então você disse algo que eu não compreendi e sorriu e eu fiquei ali fazendo um esforço enorme para evitar piscar e descobrir que era apenas uma fantasia ter você em minha frente – sabendo que era -. Então fechei os olhos e quando os abri, você já não estava ali e então eu chorei. Chorei por toda a cena que jamais se repetirá, por toda a saudade que sinto de você, por toda a falta que você me faz. Chorei como choro agora por não saber o que escrever que faça com que um novo encontro aconteça e então você fique. Fique comigo. E fico nessa luta incessante de buscar no meu interior algo mais para escrever, te dizer tantas outras coisas diferentes, mas que ao mesmo tempo continuam tão iguais e assim repetitivas.


Por enquanto, me cuido.

Por enquanto, se cuide.

Por fim, tomar um café, ler Caio F., lembrar você uma vez mais.

O mesmo amor de sempre,

Camila Aguilera.

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