domingo, 17 de outubro de 2010

28.06.2010

Um ano, sete meses e vinte e quatro dias. A mesa. O caderno. Palavras. Vou viajar. Vou te encontrar. Vou me encontrar. Não fugirei. Não adiarei mais. É preciso coragem. Ou qualquer outro sentimento. É preciso ir. Simples. Uma reserva. Um ônibus. Pessoas que se despedem. Pessoas que se reencontram. E eu não sei dizer se alguma delas tentava buscar um sentido dentro de tudo aquilo que era, assim como eu. Sei que juntei algumas coisas, um restante de esperança e fui. Deixei livros e discos por aqui, pois sabia que voltaria. Eu sempre volto. Viajei durante horas. Horas na ansiedade de te encontrar. Horas no desejo de enfim encontrar uma metade. A minha metade. Você. Você que me espera. Eu quem te encontro. Te olho. Te enxergo além do real. Porque eu te vejo de dentro. Não são meus olhos que finalmente lhe vêem, é meu coração que reconhece enfim quem lhe preenche todos os espaços há tanto tempo. Você. Você e seu sorriso lindo. Eu e os olhos que tem vontade de derramar todas as lágrimas do mundo. Você e seu abraço pra acabar com a resistência. Eu e todos os abraços que guardei. Você e seu jeito de me olhar. Eu e meu jeito inconstante. Eu e minhas poucas palavras. Eu estou ao seu lado. Eu te sinto. Finalmente, eu sinto você. Você que não me toca os lábios. Você que eu não decifro. Logo eu irei. Você sabe. Você não me pede pra ficar. Não existem lágrimas em seus olhos. Apenas nos meus. Sempre nos meus. Você andará algumas quadras e estará de volta a sua vida. Sua vida sem mim. Eu que não marco. Eu que tentei ficar de uma maneira especial em você, assim como você sempre esteve em mim. Eu e meus fracassos. Recolho o que sobrou. É tão pouco. Tento juntar os pedaços do que destruí e sigo em frente. A estrada. As lágrimas. O nó na garganta. O caderno. A minha mania de escrever o que nunca tenho capacidade de dizer. Pois eu nem ousei tentar dizer que eu ficaria. Ficaria para sempre. Ao seu lado. Ou esperaria, fosse o caso de você um dia resolver me pedir pra ficar. Eu vou. Deixo um pedaço de mim. Um pedaço que é teu. Algo que não faz mais sentido. A casa. A família. Os velhos amigos. Meus discos, livros. Longe de você. Vou de encontro ao que me pertence. Pois existe algo que me pertence e não é você. E dói.

(Camila Aguilera)

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