sábado, 31 de dezembro de 2011

30 DE DEZEMBRO DE 2011


Não existe uma maneira correta de começar a escrever hoje, meu amigo. Restam apenas algumas horas para que esse ano termine e eu precisava escrever para qualquer pessoa, mas você sempre me parece o mais certo. Eu estou escrevendo apenas para me lembrar daqui alguns anos que tive um ano realmente bom. Choveu durante boa parte da noite, mas o calor continua quase que absurdo. E pensar que vivi grandes dias de inverno nesse ano. Você sabe melhor do que eu sobre isso. Estou ouvindo Canções de Apartamento do Cícero. Um dos melhores discos que descobri nesse ano. Não se preocupe. Não pretendo me estender muito. Não entrarei em detalhes sobre trezentos e sessenta e quatro dias. Talvez eu escreva sobre alguns momentos. Talvez eu não me apegue em nenhum. Nada do que eu escrever transformará o nosso ano em melhor ou pior. Ou talvez até transforme. É como se eu escrevesse pra me certificar de que está tudo certo e que tudo correu realmente bem. A verdade é que eu nunca sei. Uma outra verdade: escrevo mais para mim do que para você. Uma última verdade: não existem verdades insolúveis. A diferença nesse final de ano está nessa sensação de que estou conseguindo colocar em prática alguns planos e sonhos. E então do nada eu não me sinto bem. Um sentimento estranho por dentro. Algo como se eu estivesse fazendo tudo errado e ainda não tenha me dado conta. Entende? E é incrível porque durante grande parte do ano eu senti como se estivesse finalmente conseguindo. Conseguindo ser mais leve. E não é fácil levar a vida assim. Porque por vezes nós sabemos o quanto a vida é dura e você tem que tentar se transformar em concreto enquanto não passa de um ser humano feito de carne e osso. E sentimento. A questão é que me sinto realmente pegando o jeito. Não sei se por causa da idade. Ou. Não dê risada. Acho que nos últimos tempos amadureci um bom tanto, afinal já está na hora de amadurecer, certo? Vinte e dois anos. E o que sou? Sou estudante de Letras. Sou alguém que escreve estórias e histórias. Cartas que ninguém lê. Artigos. Textos que publico aqui e espero que alguém entenda. Sou nada e tudo ao mesmo tempo. Sou apenas alguém que adora mergulhar em livros e esquecer de vez em quando quem – não – é. Esse ano eu fui. Definitivamente eu fui. Fui eu mesma e várias personagens que inventei. Vivi. Andei muito. Tive saudade. Revivi sentimentos. Vasculhei ruas. Senti o nó na garganta. Chorei de felicidade. Deparei-me com novos olhares lindos. Lindos! Fiquei o mais perto possível dos antigos amigos. Percebi que eu tinha muito o que fazer nessa vida ainda. Embora a infância e a adolescência tenham passado como a ardência de um tapa bem dado no rosto. O tempo passa. O tempo passou. Eu vi muitas pessoas passando rápido demais por essa vida. Eu vi alguns amigos se formando. Eu sorri e comemorei com eles. E enquanto eu pensava em Letras, História, Jornalismo, Direito e tantos outros cursos, afinal esses primeiros são vistos como enfiar a vida num buraco, você esteve comigo. Pois é, meu amigo, eu escolhi Letras e não pretendo fazer outra faculdade quando terminar essa. O motivo está evidente no que sinto por dentro quando piso naquela faculdade e você não vai entender. Ou talvez até entenda, mas dificilmente a gente entende o que se passa dentro do outro. O essencial é realmente invisível aos olhos. O essencial é tudo aquilo que você sente enquanto vira a noite estudando para montar um trabalho ou um projeto para o seu professor e depois respira aliviado – ou não -. É o que você sente quando se senta pra conversar com seus tios sobre uma viagem para o próximo ano. É a conversa na cozinha com sua avó. É o som do acordeão do seu avô em uma manhã de domingo. É o sorriso da sua prima de pouco mais de um ano. É a cerveja gelada compartilhada em um dia quente – ou até mesmo frio – com seus amigos. São todas as paixões que você tem ao longo da vida. É aquela pessoa que faz você se apaixonar por ela todos os dias. É o amor pela sua mãe. É um dia ensolarado num parque. É você do outro lado da tela. Estou falando do que é essencial para mim. O que é essencial para você? Esse ano eu pude sentir ainda mais a vida pulsando por dentro. A vida correndo lá fora. E eu fui junto enquanto a chuva caia e eu me apaixonava uma outra vez. Eu vi as cores da cidade e ouvi os sons da estrada. Talvez um dia eu escreva um livro sobre esses e outros dias. Sobre essa e outras paixões. Eu não sei. Na verdade, eu não sei de muitas coisas. Tenho lido livros teóricos para aprender sobre algumas. Sei que não tenho muita pressa. Eu realmente tenho levado a vida devagar e até que não tem faltado amor. Ao menos não da minha parte. Amor por minha família, pelos velhos amigos, pelos novos amigos, por esse cachorro que tenho deitado sobre os meus pés agora. Amor por cada dia que posso e tenho vivido. Eu comecei a escrever porque precisava expor em palavras alguns momentos, só que existem momentos que você simplesmente não consegue descrever. O importante é que existiram muitos dias dentro desse ano que passamos juntos. Existiram dias em que a distância esteve entre nós, mas não entre nossos sentimentos. Sobre todos esses dias eu quis contar agora, mas não deu. No fim só posso dizer que estou feliz por ter analisado as possibilidades de viver um pouco mais. Olhe ao redor, meu amigo. Respire. Dance. Permita-se. Venha até mim com abraços e sorrisos. Se apaixone mais uma vez. Deixe de ir contra a maré. Eu entendi e aceitei que não adianta lutar contra. Você pode lutar com todas as suas forças se quiser. Passar o resto da vida se negando a aceitar isso, mas existem pessoas que passam por nossas vidas que a gente sempre vai sentir ciúmes, saudades e um tanto de amor. Prometa que nunca mais irá embora. Ou melhor, prometa que sempre voltará. E esqueça tudo que eu disse até aqui. Ou simplesmente guarde com você. Apenas perceba essa vida que corre, mas que te chama pra correr junto. E seja feliz nos próximos dois mil e doze anos sempre que possível, afinal felicidade é só questão de ser...

sábado, 17 de dezembro de 2011

CARLINHOS BROWN


Jorro cachoeira e sangro
Vem, livrai-me desse tombo
Tudo que é meu é seu
Tudo que é de Deus é bom

(Mãos Dengas - Carlinhos Brown)

domingo, 27 de novembro de 2011

ÚLTIMA CARTA DE NOVEMBRO


Palmital, 26 de novembro de 2011.
02:03 de uma madrugada de sábado.


Por favor, confira no calendário sobre isso. Pesquise sobre tudo que eu disser, pois direi verdades e mentiras. As mesclarei tão bem que talvez você nem perceba. Ou perceba porque não sei mentir. Ou até sei, mas finjo que não. Pessoas. Sentir. Viver. Sem nada especifico. Estou escrevendo somente para desabar sobre você. Você que eu não sei quem é. Ou até sei, mas é melhor não citar nomes ou qualquer característica física. Existe o nome de uma cidade logo no começo. Pesquise por ela. Revire um mapa. Você a encontrará como um ponto, perdido no meio – ou no fim, trate como quiser – de um mundo inteiro. Ou de um pais que foi esquecido, mas que tantas vezes é lembrado. Lembrado por quem? Busquei vestígios dessa noite. E enquanto amigos, cervejas, cigarros e textos inacabados habitam minha mente, eu tento. E respiro agora um ar abafado pelas paredes do meu quarto. Paredes essas que em um mesmo tempo me sufocam e me dão liberdade para criar. Criar o que? Criar a minha própria liberdade que invento, almejo, mas não alcanço. Existem pessoas e sentimentos e vidas, mas isso não é nada específico. Ou até poderá ser, tudo aqui depende do seu ponto de vista. Ou do meu, pois sou eu quem escreve agora. E o que você lerá amanhã terá feito parte de um momento que já passou. Enquanto esse momento não existe mais, outros vão se criando e assim eu tento permanecer de alguma maneira no seu inconsciente. Ou no sangue que corre em suas veias sem ter ao menos feito parte do que te gerou. Amor ou mero sopro de um espasmo no meio da noite ou do dia. Não importa. Busque algo nessa vida. Independente do que. Menos amor. O amor surge e não cabe a nós. E não cabe em nós. Não, não te escrevo para te aconselhar. Ainda haverá um dia em que conselhos serão vendidos porque. Bom, eu não sei o motivo, mas quem os vender terá de ter um motivo, então apenas aguarde. Esse calor está me matando, mas me sinto viver a cada gota de suor que não escorre, mas quase sinto brotar. Quase. Limites. Linhas paralelas. Pessoas que não se cruzam em nenhum momento do tempo que nos é concedido. Ou nos é premeditado. Ou nos é significado de algo que não importa agora. Importante é você saber, ter conhecimento ou noção de que você não andará sob o seu próprio mundo. Esse mundo que te fizeram nascer e nomearam Terra, embora mais pareça com qualquer coisa que não sei definir, pois também não andei muito. E restará a mim e a você essas pessoas e esses sentimentos e essas vidas que nos chegam e nos derrubam e nos fazem continuar. Verifique, por favor, se quem te escreve agora sou eu mesma ou alguma outra pessoa que resolvi criar para dar suporte a essa angustia que não sinto. Repare naquela pessoa que passou rápido demais por você hoje. Talvez você nunca mais a veja. Ou poderia ser o contrário? Verifique, por favor, porque agora posso dizer que sou eu quem te escreve. Sou eu. Você me reconhece? E esqueça tudo que eu disse sobre ‘nada específico’, não posso tratar pessoas, sentimentos, vidas (...) como algo generalizado, preciso entrar no íntimo de cada um destes pra poder dizer tudo que penso. Não, não penso nada de relevante e que vá te fazer querer me ler quando procurar uma saída, penso tudo que não sei, sinto o inconsciente de tudo que não vivi. Só quero que você saiba. Saiba que o nome da cidade logo no começo é só o ponto de partida e que o fim, mesmo parecendo perto, encontra-se longe daquele primeiro nome. Porém, não vou te falar do fim. Você sabe que ele existe e que está vindo rápido. Você sabe. Eu sei. Não falaremos dele, não mais que isso. Se lembre da pessoa que passou rápido demais por você semana passada. Ela te fez sorrir por míseros segundos. Talvez você nunca mais a veja. E não importa. Importa? Diga que se importa, por favor. Diga por que quero voltar a passar por você e te fazer sorrir novamente. E te escrevo por querer que o talvez-você-nunca-mais-a-veja não exista. Não precisa sentir medo. Lembre-se do que eu disse, o importante é você saber. Não faça nada. Não evite a rua em que te fiz sorrir. Não mude de horário. Não fuja. Estou te escrevendo apenas pra que saiba. Saiba que depois dos olhos, meus pés seguiram os seus. Saiba que sei o número desenhado no portão da sua casa. Sei do verde. Sei da árvore com flores avermelhadas. Pensei por horas porque escolheu o azul nas paredes do seu quarto. Não se assuste, por favor. Você sempre se esquece de fechar a janela que fica defronte à rua, sob a sombra da árvore com flores avermelhadas. É pela paz? É pelo mar? É por que combinam com seus olhos? Sim, eu sei que seus olhos não são azuis. Portanto, entenda, qualquer cor combinaria com seus olhos. Você que eu finjo não saber quem é. Você que eu finjo não saber o nome. Você que segui por uma semana. Soube seu nome. E não soube o que fazer com o que cresceu em mim desde o seu sorriso. Não soube sequer passar por você novamente e roubar outro daquele. Não, não me acredite. É absurdo. É tão absurdo. Você não pode acreditar. Você não tem quê. Eu também não acredito. E mesmo assim estou aqui sentindo o calor de tudo que sufoca por dentro. Bebo. Fumo. Não acredito. Mudei-me de cidade há um dia. Mudei-me por não agüentar a loucura que meu coração vagabundo me faz passar. Não, não é sempre. Acredite, é a primeira vez. Sei que se pergunta agora porque te fiz procurar no mapa a cidade onde mora. Desculpe-me, só quis ter a sensação de que você fez alguma coisa na vida que eu também pude fazer. Estou te escrevendo somente pra desabar sobre você. Não serei um peso se o seu sorriso foi em vão. Não serei um peso e você poderá rasgar todas as minhas palavras depois que terminar de ler. Ou nem terminar de ler. Não sei se chegará até aqui. Se chegar e se lembrar o porquê de ter sorrido às sete horas de uma segunda-feira infernal, não me responda. Não com palavras embaralhadas e sem sentido como essas. Responda-me você. Venha-me com o mesmo sorriso da semana passada. Espero minha resposta na Rua Boa Esperança, número 500. Espero no bairro central em uma cidade chamada Cuiabá. A casa é azul. Pintei assim que cheguei. O motivo da cor, você sabe, vai combinar com seus olhos. Espero sabendo que você não vem. Espero porque pessoas, sentir, viver só fez sentido depois do seu sorriso. Espero porque durante muito tempo não vou ter amor nenhum mais bonito pra sentir. Você não vem. Eu espero. Espero. Espero-te.

Cuiabá, 27 de novembro de 2011.

Por Camila Aguilera em parceria com Jéssika Almeida

sábado, 19 de novembro de 2011

Você Entende?

Gosto de escrever em dias como o de hoje. Nem quente nem frio, nem triste nem feliz. Mais um dia entre os tantos que tenho desperdiçado.
Tenho lido tanto sobre sobreviver-viver que me questiono cada vez mais: o que estou fazendo?
Gostaria tanto de ter respostas pra todas as minhas perguntas, mas principalmente uma: até quando?
Ironicamente escrever sobre isso deixou o dia frio e triste, não tem mais meio-termo. É só mais um dia de luta constante contra meus pensamentos, contra o desespero interno, contra sobreviver e começar a viver.
Não sei dizer qual foi o ponto certo que me deixei perder. Às vezes gosto de pensar que sempre estive perdida, pesa menos, você me entende? Gosto de pensar que mesmo perdida encontrei caminhos curtos pra sentir, pra sorrir, pra viver. E quando me encontrava nesses caminhos, me perdia por não aguentar sentir, por não aguentar sorrir, por doer viver. Felicidade, às vezes, dói, você sabe disso? Dói, sufoca, perde o sentido. E eu fujo ou estrago tudo, o que no final é a mesma coisa.
É difícil aceitar a felicidade. Mas só pra pessoas como eu, que sente felicidade ao mesmo tempo em que sente o medo do fim dela. E antecipa o fim por pensar que machuca menos. Bobagem! Dor é dor em qualquer estágio, em qualquer corpo, em qualquer alma. Dor é sinonimo de vida.
Sempre fugi tanto das pessoas, talvez porque elas representavam uma felicidade que eu não entendia e não me permitia entender. Hoje consigo olhar no livro do passado e ver que nem sempre elas estavam felizes, era só a minha tristeza maior, que por vezes não era triste, só era solitária.
Fugi das pessoas me trancando no quarto, escrevendo em folhas soltas pelo chão, com os pés na cama, o olhar pro alto e os ouvidos em alguma música da Legião.
Fugi até me dar conta que aquelas pessoas iriam embora algum dia. Ou eu iria. E eu fui.
É quase um remorso pensar nas vezes que pedi pra dizerem que eu não estava em casa, que deixei o telefone tocar ou que o tirei do gancho. Só é quase porque eu sei que precisava ser só, mesmo precisando das pessoas, eu precisava mais ser só.
No último ano antes de partir abandonei minha solidão, não totalmente, mas o suficiente pra sentir, sorrir, viver. Fui tão feliz que depois de ler trechos dos textos escritos em folhas soltas num quarto escuro, não me reconheci. Tive até certo conflito sobre o que eu fui e o que eu tinha me tornado, um medo do passado, um medo do futuro e um alívio pelo presente.
Depois de partir tudo mudou. Obrigatoriamente tive que me compartilhar. A solidão ainda era companheira em noites nostálgicas em companhia de lágrimas e memórias.
Não foi fácil e não só por mim. As pessoas podem ser cruéis às vezes.
Alguns anos depois eu soube lidar com todas as mudanças e soube lidar com pessoas cruéis e até descobri que elas não eram tão cruéis. Soube lidar até com a solidão, eu não precisava mais ser só, embora quisesse às vezes, mas eram escapes, você entende?
Eu, pessoas, sentimentos, sorrisos, vida. Esse seria o meu problema maior. Eu não tinha ideia disso. Não, não estou dizendo que felicidade compartilhada é um problema. O problema é quando tudo acaba. O problema é quando todos vão embora. O problema é me reconhecer nos malditos textos de folhas soltas.
É por isso que escrevo em dias como o de hoje, constantes dias de agonia, constantes dias desperdiçados, pra me lembrar de sentir e de sorrir e de amanhã tentar viver e se não der, sobrevivo, depois de amanhã tento de novo, até a felicidade voltar, até que eu volte.

"Happiness only real when shared."

Jéssika Almeida

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

18 de novembro de 2011

Eu costumava passear por entre estradas de ferro, por dias e dias, um pé em cada lado da linha de fronteira, apenas para que eu pudesse dizer que estava em dois lugares ao mesmo tempo. Você balançava a cabeça em desaprovação e de forma familiar dizia que ninguém poderia estar em dois lugares ao mesmo tempo e, além disso, estar sobre trilhos de trem era ilegal, no caso, sempre um risco a correr. Querer viver um pouco, de longe, soa de forma ilegal. Trilhos são amigos das partidas. O dia em que você partiu o sol brilhava cheio nos meus olhos e até hoje eu ainda não consigo encontrá-los, mas você, você sabe onde eles estão. Eu tenho um convite para andar sobre os trilhos, que engraçado, há duas semanas atrás eu tinha você e se houvesse uma queda você não estaria ali para segurar minha mão, por um simples motivo, ninguém pode estar em dois lugares ao mesmo tempo. Não, nem mesmo você.


Por Menino Chico

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

01 de Novembro de 2011

Ao som de Generator First Floor - Freelance Whales:


Novembro começou meio frio. E enquanto eu faço um leve movimento apenas para alcançar a caneta e anotar em um papel que ouvi repetidas vezes a mesma canção enquanto eu sinto crescer dentro de mim algo que não tem nome enquanto eu olho para quatro folhas que mostram tentativas inúteis de escrever qualquer coisa enquanto eu estou sentindo todos estes sentimentos que continuam indecifráveis enquanto o tempo passa e a vida continua lá fora enquanto a vida continua aqui dentro de mim, coração batendo, sangue correndo, lágrimas querendo escorrer pelo meu rosto sem motivo aparente enquanto penso se grito e acabo com o quase silêncio da noite que apenas é quebrado pela canção que toca insistentemente enquanto eu pisco os olhos e nada ao meu redor muda, só o tempo que enquanto passa me faz concluir que estou realmente sentindo algo muito grande que vai assim sendo passado pelo papel, mas não fica e enquanto a melodia cresce de maneira sutil meu coração dispara sem eu entender o motivo e então concluo, sem poder fazer nada com relação a isso, que não sei o que sinto embora seja enorme e esteja dentro de mim enquanto eu mal respiro e a canção se repete uma outra vez.


Por Camila Aguilera

domingo, 9 de outubro de 2011

10 de outubro de 2011


Faz algum tempo. Exatos quinze meses. Parece que faz muito mais. Deve ser a saudade. Você faz falta, meu menino. Em dias de chuva. Em dias de sol. Lembro sempre de você. Lembro sempre de nós. Conversas animadas no seu quarto enquanto ouvíamos alguma canção e combinávamos o próximo programa a ser feito e acabávamos quase sempre dentro de alguma boa livraria. Fast food em dias alegres. Abraços sinceros enquanto choro como uma criança perdida e você me diz que tudo logo vai passar. Passou. Fiquei somente com o que senti de bom. Agora mesmo ainda posso te ver me sorrindo de um lado de mesa enquanto eu dou minha melhor risada pelas bobagens que sua irmã fala. Sinto sua falta nos mais bonitos dos dias. Naqueles que são mais tediosos também. Não sei, parece que você sempre tinha alguma coisa pra me despertar da preguiça. Fico sentindo falta do barulho de pássaro cantando perto da janela do seu quarto misturado com o da caneta que eu usava pra escrever sobre todos os sentimentos que tive durante aqueles dias em que estive perto de você. Fico aqui querendo que o tempo volte. Fico aqui desejando que ele passe rápido pra que eu possa te encontrar uma outra vez. Quero o olhar firme e por vezes engraçado que só o Seu Salvotore tem. Quero o cheiro de comida boa que só a Dona Jaqueline sabe fazer. Quero o brilho do seu olhar enquanto escreve em nossas camisetas. Quero a risada estranha da Andréia ecoando em nossos ouvidos. Quero de novo andar por essas ruas e ficar observando todas essas pessoas que não tem nada a ver comigo. Quero aquela inspiração que eu tive por simplesmente estar ao seu lado. Preciso de novo dessa sensação de te abraçar e sentir como se estivesse reencontrando um velho amigo de tempos em que nem sabíamos que existíamos um longe do outro. Eu te espero de novo porque Depois de todas as tempestades e naufrágios, o que fica de mim em mim é cada vez mais essencial e verdadeiro. Eu te quero por perto porque sei que somos mais bonitos juntos.
Com amor,
Camila Aguilera


You are my sunshine, my only sunshine.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Arnaldo Antunes




Vem me levar
Para um lugar
Longe daqui
Livre para navegar
No espaço sideral
Porque sei que sou
Semelhante de você
Diferente de você
Passageiro de você
À espera de você

terça-feira, 20 de setembro de 2011

21 de setembro de 2011

Amanhecerá primavera, meu amigo. Os ventos continuam fortes apesar de já ser setembro. Os ventos continuam tentando arrastar tudo de mal para longe. E por mais que ainda reste um mínimo de frio, a gente sabe que dentro dos próximos dias o sol fará a sua parte. Resta a mim e a você permitir que o futuro esquente também nossos corações. Porque é no verão que as pessoas não suportam a solidão e já não há mais tempo para tanto sofrimento, afinal o verão está quase aí e o final de ano também se aproxima. Sorrimos pelo simples motivo de que por mais um ano passamos ilesos, embora não saibamos pelo o que. Quando você percebe já está desejando que o próximo ano seja melhor. Ou um pouco melhor que seja. Eu quero um pouco mais de ânimo porque tem dias. Ah, tem dias que doem tanto. Tanto! E somos obrigados a suportar, a tolerar, a sobreviver. Esperança. Fé. Amor. Não adianta, sempre precisamos desses três sentimentos. Ou apenas achamos que precisamos deles. Quanto amor desperdiçado. Quanto amor, meu amigo. Só que ano que vem é par e eu quero a dois. Dois tons. Dois sons. Um bom domingo e alguém que me traga paz. Porque a guerra eu mesma crio e você sabe que crio bem demais. Nós dois criamos. E sofremos antecipadamente e depois e depois. Depois. Fique por perto, mas deixe que eu mesma me cuide. Permita que eu mesma crie os meus romances. Contos de fada não contam. Deixa que eu mesma construa o meu próprio ser. Não me julgue. Eu não te julgarei. Esqueça esses ciúmes e me ensine como esquecer os meus erros. A primavera está aqui com suas flores. A primavera há de ter cores. Sentimentos bons. Ruins também. Nós dois estamos sempre (sobre) vivendo. Há de ter vida nova surgindo. Não quero ter medo de sentir. Esqueça tudo. Quero apenas aquela viagem que eu sei o destino, mas não tenho certeza sobre o que está escrito. Eu ando precisando que Deus me permita acreditar de novo que posso amar. Quero de novo aquele sentimento que sinto falta. Não deixe que eu me perca. Peço humildemente que não permita que eu me perca de você. Não me substitua. Não te substituirei. Somos estranhos e lindos juntos. Acreditamos que somos boas pessoas e isso basta. Esqueça todas as outras pessoas. Nós não precisamos de ninguém. Nós mesmos nos esmagamos. Há de ter flores. Há de fazer um calor terrível dentro dos próximos meses. A pele há de esquentar. O coração há de esquentar. Um amor. Muita esperança. Uma boa dose de fé. Esses ventos continuarão levando tudo que não nos faz bem, menos nós mesmos. O inverno chegará o mais breve porque é assim que desejamos. Seremos eternos porque merecemos. Não chore, meu amigo. Enxugue minhas lágrimas. Dê-me um abraço e uma frase que me faça ter certeza de que nunca estaremos mais distantes do que já estamos. Porque eu confio no que você diz. Porque eu não confio na minha solidão. E eu nunca sei o que devo ser. Nunca sei o que sou ou o que somos. Sei do que sinto e isso – nem sempre – me basta.

Com - ou sem - amor,

Camila Aguilera.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Vanguart


Eu não vou mais estar do teu lado.
Mesmo assim, sempre eu vou te amar.
E essas coisas do teu namorado,
Em silêncio hoje eu vou falar
É uma necessidade.
E não vem dizer que é errado,
Você sabe o que aconteceu.
Boa parte de mim vai embora,
A sua parte que hoje sou eu.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

A SAUDADE EM DIAS ASSIM

(Camila Aguilera)

Andava por aquele caminho já tinha algumas horas. Caminhava. Parava. Olhava o céu desaguar devagarinho. Leve garoa em um dia frio. Andava. Respirava. Sabia que mais a frente alguém lhe esperava. Seu passado. Seus fantasmas. Fragmentos do que tinha sido. Deixou que o vento dissipasse seu medo. Mais alguns passos. Apenas mais alguns passos.
A porta entreaberta.
O silêncio quebrado apenas pelas batidas do seu coração.
Uma outra pessoa. Várias recordações.
Em que momento da vida tinham se perdido?
Já não se lembrava ou apenas fingia que não.
Duas pessoas. Duas vidas.
Dois olhares. Uma lágrima.
Palavras que aos poucos quebravam o silêncio.
Baixas. Trêmulas.
Dois mundos extremos.
Um abraço que conforta.
- O que te traz mais saudades em dias assim?
- Não sei. Talvez esse cheiro de grama molhada misturado com o perfume de minha avó que jamais sentirei de novo.
- Uma lembrança que vai te acompanhar não importando quantos anos passem.
- Assim como todas as lembranças que trago de nós dois mais jovens.
- Mais vivos também.

(Escrito em Agosto de 2011 na aula de Produção de texto da Profa. Eliane Galvão)

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Simplesmente Caio F.


"Uma coisa triste parecida com uma carta. 
Tinha um pedaço que nunca mais consegui
esquecer, e que falava assim:
sabe que o meu gostar por você chegou a ser amor
pois se eu me comovia vendo você pois se eu
acordava no meio da noite só pra ver você
dormindo meu deus como você me doía
vezenquando eu vou ficar esperando você numa tarde
cinzenta de inverno bem no meio duma praça
então os meus braços não vão ser suficientes para
abraçar você e a minha voz vai querer dizer tanta
mas tanta coisa que eu vou ficar calada um tempo
enorme só olhando você sem dizer nada só
olhando olhando e pensando meu deus ah meu
deus como você me dói vezenquando..."

(Em Harriet - O OVO APUNHALADO)

Sei que é bobagem, mas vezenquando eu espero alguém como você, Caio. E tem surgido um ou outro amigo que fazem com que eu me sente e conte sobre meus dias e meus amores e meus fracassos com eles. Esses amigos tem sido bons e doces. Esses amigos tem surgido em meio a minha vida por terem lido parte da sua obra. É, Caio, tem gente te lendo, tem gente te adorando e amando por tudo que você escreveu. Você tem nos dado coisas lindas sem saber.

Por Camila Aguilera

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

O Teatro Mágico


Você me bagunça e tumultua tudo em mim
Essa moça ousa, musa, abusa de todo meu ser
Você me bagunça e tumultua tudo em mim
Mira e joga baixo, eu acho, nem sei,
Só sei que foi assim.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

02.09.2011

Palmital. Sexta-feira. Faz frio. Setembro começou tem pouco tempo. Pedi pra que fosse abençoado. Estou esperando por isso. Ando estranha, meu amigo. Ando dando voltas e voltas e não acho a saída. E adivinhe? Não sei nem a saída do que estou procurando. Os dias passam sem que eu consiga me organizar. Bebo quase todas as noites. Acho que é uma maneira de fingir que não estou nem aí pra toda essa confusão que sinto aqui dentro. Já quase não escrevo. Uma ou duas linhas. Nada. Ontem. Hoje. Semana passada. Dois dias adiante. Quantas pessoas eu posso ser? Quantos sentimentos a gente pode ter ao longo da vida? Paixões. Amores. Amor. Um único, não é? Não era assim que deveria ser? Amor eterno. Amor. Amor. Amor. Ando exausta. E não entendo. E não sei ao certo o que quero. Não tenho certeza sobre o que sinto. E o que sinto não se denomina. Você consegue me entender? Diga que sim. Por favor, diga que sim. Essa angústia por dentro. O espelho reflete a tristeza que tenho carregado no olhar. Não sou eu mesma. E nem ao menos sei quem fui. "Quem eu serei?" virou pergunta sem resposta. E pra que serve o tempo nessa vida? Não tem curado nada. E quem foi que disse que ele cura alguma coisa, não é? E me permito ficar aqui. Olhando pro nada. Tocando o silêncio. E penso no pensamento que deveria evitar. Perco-me em meio a ausências. Só te peço que chegue até a minha casa por uns dias. Enxugue essas lagrimas que insistem em molhar meu rosto que tento conservar seco e frio. Até minhas lágrimas insistem mais do que eu. Chegue e chame por meu nome. Faça-me lembrar quem sou. Ajude-me a ter esperança em um futuro próximo. Esquece. Não existe remédio. Escreva de volta e me dê uma boa bronca. Ando precisando rir do seu jeito de menino grande me aconselhando a sair dessa tempestade que eu mesma criei. Palmital. Sexta-feira. Setembro começou tem pouco tempo, meu amigo. Há de esquentar, não é mesmo? Há de ser abençoado. Por enquanto, fico apenas com essa sensação de que por toda a vida vai me faltar sempre alguma coisa que tenho dúvidas se um dia saberei o que é.

Com amor,

Camila Aguilera

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

No centro do furacão

Me ajuda que hoje eu tenho certeza absoluta que já fui Pessoa ou Virgínia Woolf em outras vidas, e filosófo em tupi-guarani, enganado pelos búzios, pelas cartas, pelos astros, pelas fadas. Me puxa para fora deste túnel, me mostra o caminho para baixo da quaresmeira em flor que eu quero encostar em seu tronco o lótus de mil pétalas do topo da minha cabeça tonta para sair de mim e respirar aliviado de por um instante não ser mais eu, que hoje não me suporto nem me perdôo de ser como sou e não ter solução.

Caio Fernando Abreu

domingo, 28 de agosto de 2011

Beirut

Send me now, the winter's over
Life turns sour and we are older
The love we've had will turn all over
The gold went south and we are older

sábado, 20 de agosto de 2011

20.08.2011

E se qualquer dia desses eu trocasse de lugar com a imagem que vejo refletida no espelho? E se de repente aquele meu eu vivesse? Saísse e me trancasse em seu lugar. Andasse. Corresse. Sentisse o vento e algumas gotas de chuva. Esse meu outro eu que é todo diferente. Esse meu eu que ao contrário de mim não sente medo. Esse meu eu que seria todo o inverso desse que vejo agora com um brilho diferente no olhar. O meu eu racional contra esse meu eu tão sentimental. Esse meu que não perderia tempo demais escrevendo. E então beberia mais, fumaria mais. Sem se preocupar com as cinzas pelo quarto. Pisaria sobre elas. Seria então mais rock n’ roll e menos bossa nova. Não deixaria rastro algum pelo caminho. Nenhuma palavra morreria na garganta e se transformaria em arrependimento mais tarde. E estaria sempre feliz por esse tempo que passa sempre rápido demais. Estaria ao lado daqueles que são espertos e nunca mais acreditaria que o mundo ainda tem jeito. E então deixaria o amor para mais tarde. Quem sabe pra nunca mais? E não perderia um dia inteiro ouvindo canções antigas com lágrimas nos olhos. Rasgaria fotografias. Apagaria memórias. Desataria os laços. Não sentiria saudade. Tão mais prático. Tão mais normal para os dias de hoje. Fora de si. Esse meu outro eu que eu simplesmente calo e prendo na imagem do espelho. Esse meu outro eu que eu não ouso deixar viver.

Camila Aguilera

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Amy Winehouse


Over futile odds
And laughed at by the gods
And now the final frame
Love is a losing game

sábado, 6 de agosto de 2011

Balada de agosto


Lá fora a chuva desaba e aqui no meu rosto
Cinzas de agosto e na mesa o vinho derramado
Tanto orgulho que não meço
O remorso das palavras que não digo
Mesmo na luz não há quem possa se esconder no escuro
Duro caminho o vento a voz da tempestade
No filme ou na novela
É o disfarce que revela o bandido
Meu coração vive cheio de amor e deserto
Perto de ti dança a minha alma desarmada
Nada peço ao sol que brilha
Se o mar é uma armadilha nos teus olhos

(Zeca Baleiro e Fagner)

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Somos todos iguais, braços dados ou não

Orgulho Gay. Orgulho Hétero. Daqui a pouco Orgulho Branco. Orgulho Preto. Orgulho Nazista. Por que não?
Não estou entendendo, Brasil. Qual o motivo pra tanto orgulho? Sou gay. Sou heterossexual. Branco. Preto. Homem. Mulher. Católico, evangélico ou espírita.
Os seres humanos se esquecendo que são apenas seres humanos. Se esquecendo de que independente da religião ou da não religião, da raça, da condição sexual são e serão sempre nada mais do que seres humanos. Pessoas que nascem, crescem, erram, amadurecem. Amadurecem? Pessoas que escolhem um tipo de roupa diferente do seu, que gostam de um estilo de música diferente do seu, que preferem homens, que preferem mulheres, que rezam, que oram.
Qual a dificuldade em aprender a respeitar as diferenças?
Qual o problema em ser diferente?
O que muda na sua vida se seu vizinho resolveu se casar com o fulano do outro quarteirão?
Eu espero de verdade que essas pessoas que dizem que a comunidade LGBT é pecadora nunca tenham feito sexo fora – ou antes – do casamento, não tenham corrompido crianças, não sejam gananciosos, não tenham simplesmente sentado em cima do próprio pecado e ficando falando sobre a vida de pessoas que nunca lhe fizeram mal algum.
Enquanto vocês ficam lutando por dias pra comemorar orgulhos imbecis, políticos continuam roubando e deixando boa parte da população – homossexual ou não – na miséria.
Tenha orgulho por ser uma pessoa de bem independente dessa porcaria toda que andam nos rotulando de uns tempos pra cá. Tenha orgulho por votar em algum político decente – se é que ainda existe algum – e se lembrar depois dois ou três anos. Tenha orgulho em fazer algo bom para o próximo.
Esqueça as diferenças ou no caso aprenda a conviver com elas, converse, conheça, estenda a mão.
Tenha orgulho em aprender a respeitar e ser alguém de bem independente de qualquer rótulo.


Por Camila Aguilera

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Cérebro Eletrônico



Dispa-se delicadamente
Diz para mim o que pega
Não se apegue ao passado
Se eu decidir ficar

Sonhe com algo bacana
Faça de conta que vai tudo bem
Leia minha mão
O futuro há de nos pertencer

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Palmital, 13 de julho de 2011.

É quarta-feira. Estou acordada há pelo menos uma hora. Pensei. Comecei pela quarta vez a ler Werther, parei de novo nas primeiras páginas. Reli Ponto de fuga. Agora estou ouvindo Caetano. Viajo amanhã de tarde, mas toda aquela ansiedade já me consome desde hoje. Há quanto tempo não coloco meus pés nessas cidades? Cinco. Seis anos. Tanta coisa mudou. Tantos sentimentos passaram. Aquela confusão toda da adolescência. Aquele gás também. Estou tão diferente. Hoje mesmo nem sei pra quem escrevo. Fiquei tanto tempo acostumada a escrever cartas de amor para você. E hoje você não faz mais parte do romance. Não sei o motivo, mas muito do que eu era se perdeu. Não me contento mais com pouca coisa. E “pouca coisa” mudou muito de sentido. Ando dando um valor maior aos – meus – sentimentos. Há um ano atrás eu não tinha sequer esperança. Exatamente por ter me sentido assim comecei a pedir durante muitas semanas que Deus a me desse de volta. E a minha fé. E a minha ingenuidade. Não sei. Sinto que a ingenuidade de antes nunca mais. Escrevo agora para você. Você que ganhou sentido. O meu sentido. É tão estranho. Já me apaixonei. Desapaixonei. Meus amigos sempre por perto. Ao mesmo tempo longe demais. Aos poucos eu sinto que a gente vai perdendo. Se perdendo. Se reencontrando em nossas casas. Mais maduros. Mais chatos. O tempo vai passando e levando a gente embora. O tempo sempre interrompendo os pensamentos, os sonhos, as vontades. Trazendo a gente de volta. Diferentes. Acordei hoje e fiquei um tempo enorme pensando. Depois pensei que não fiquei tanto tempo assim, mas nos últimos dias tenho pensado tanto. Na minha vida toda. Ou no caso, em todas as coisas que marcaram e ficaram. Penso também no que pensei que ficaria para sempre e não ficou. Faço uma força danada pra lembrar de certas coisas. Sorrio pelo tempo que passou. Choro pelo mesmo motivo. Viajo amanhã e já sinto falta das pessoas. Sinto falta da minha mãe que há semanas voltou a dormir comigo no quarto porque andei tendo medo de ficar aqui sozinha. Sinto falta dos meus avós brigando pelas coisas mais ridículas. Das conversas com os pais de alguns amigos. Sinto falta do que sou aqui nesse quarto com o caderno aberto e ouvindo Caetano. Sinto falta do que sou com esse nó na garganta por causa da incerteza de como será essa viagem. Não sei direito o que esperar. Não sei nem se espero alguma coisa. Acho que já me senti assim com relação a você. Sem saber o que esperar, gostando muito, pensando muito. Tem tão pouco tempo que me encantei e agora estou aqui escrevendo para você que não sei o que sinto, falando sobre tantas coisas e ao mesmo tempo sobre coisa alguma. Viajo amanhã com a esperança de que minhas palavras possam mudar a vida de uma pessoa. Estranho, não é? Não sei como vai ser. Faz dois anos que não o vejo, mas nunca o deixei de sentir. Acho que ele ocupa um lugar realmente grande dentro de mim. Nesse espaço que chamamos de coração. Penso se não deveria ensaiar algumas palavras. Eu fico tão nervosa e por vezes tão agressiva quando não sei o que dizer, quando sinto demais. Talvez devesse contar dos livros que leio. Ou quem sabe dos amigos que tenho. Há dias peço força. Há dias peço que não me falte fé. Fico pedindo pra que esteja iluminada e saiba o que falar. Fico querendo demonstrar o amor de tantos anos calados em um único encontro que nem sei ao certo se realmente vai acontecer. Sinto medo. Esse medo de não encontrar e então perder novamente o sentido. E voltar pedindo pra que eu recupere a esperança uma outra vez. Acho que ando precisando de pensamentos positivos. Tenho certeza de que preciso de algumas orações. Quero saber usar as palavras, mas sei que vou me deixar falar pelos abraços. E talvez silêncios. Algumas lágrimas. Lágrimas que a gente não sabe na hora se são de alegria ou tristeza. E não importa. Lágrimas são demonstrações de vida, de sentimentos. Só escrevo para que saiba, embora não tenha certeza se escrevo para você ou para mim mesma. Amanhã ou dentro de uma semana - dentro dessa vida que ainda tem sentido e sentimento - espero te encontrar.

Por Camila Aguilera

segunda-feira, 11 de julho de 2011

11.07.2011



Eu queria querer-te amar o amor
Construir-nos dulcíssima prisão
Encontrar a mais justa adequação
Tudo métrica e rima e nunca dor
Mas a vida é real e é de viés
E vê só que cilada o amor me armou
Eu te quero (e não queres) como sou
Não te quero (e não queres) como és

(Caetano Veloso)

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Julho de 2011

Eu só te escrevo hoje porque não há nada melhor a ser feito. São onze horas da noite. É sexta-feira. Eu já tomei um banho. Eu já fiz um chá. Um chá de hortelã como você nunca gostou. E agora eu não tenho nada melhor a fazer do que escrever pra você. Que fique bem claro. Que fique óbvio. São onze horas de uma sexta-feira e eu não sinto a sua falta ou tão pouco penso em você. Ao menos não como antes. É diferente e acho que você entende. Devo pensar em você exatamente da maneira como você pensava em mim enquanto eu pensava em você em todas as coisas que fazia. Estou ouvindo Chico Buarque e ele me lembrou você. Você chegando com seu cabelo bagunçado que eu costumava achar lindo e a coletânea para me dar de presente. Era um sábado comum. Era um sábado que não era meu aniversário ou natal ou qualquer outra dessas datas comemorativas e eu ainda lembro de você dizendo que aquele seria o sábado em que nós ficaríamos felizes apenas por ouvir Chico Buarque e estarmos juntos. Eu, você e o seu jeito de me olhar. Eu costumava achar lindo o seu jeito de me olhar. Nunca disse, mas era realmente lindo. Agora apenas acho doloroso. Eu não queria que esse tipo de lembrança me invadisse enquanto escrevo, mas o que posso fazer? Eu apenas gostaria de saber como você está. Porque você certamente está diferente daquele garoto prestes a se tornar um rapaz que um dia eu namorei. Tem dias como agora em que pego nossas fotos – não são muitas e isso é bom – e fico me perguntando se você ainda deixa a sua barba por fazer durante no máximo uma semana. Porque eu me lembro de como não gostava de você com o rosto completamente liso e você ria e perguntava se eu iria continuar apaixonada se você resolvesse ter uma daquelas barbas de cara-que-faz-filosofia. Eu estou escrevendo e espero que você me responda. Eu sinceramente espero por isso. Qualquer coisa. Não vou me importar se você apenas me disser que está bem e perguntar como estou. Eu juro que não vou me importar se você apenas disser como anda o clima por aí. Mas se puder, escreva mais. Se tiver algum tempo. Tempo. Faz tanto tempo não é? Esse é o momento que eu poderia fingir que não sei exatamente quantos anos se passaram, mas sei. Se duvidar te falaria até das horas. Ontem encontrei seus pais e agora penso que deveria ter pedido seu endereço para eles. Sim, de vez em quando eu os encontro na padaria ou no mercado. As coisas não mudaram muito por aqui. A cidade continua quase a mesma. Seus pais continuam formando um casal realmente bonito e um dia desses sua mãe me disse que nós formávamos um belo casal. Somente as pessoas mais velhas ainda falam “belo”, não é? Seria tão melhor se eu resolvesse apenas guardar essa carta como fiz com todas as outras, mas sinto que dessa vez a enviarei. Porque eu realmente quero saber como você tem passado os seus dias. Só me fale sobre o dia que receber essa carta. Ou então sobre suas últimas duas semanas. Se quiser fale mais. Fale sobre todos os dias desde que a gente se viu pela última vez. Conte-me como foi o seu primeiro dia na universidade. Sobre os professores chatos que teve. Se entusiasme dizendo que a melhor festa da sua vida foi a sua formatura que certamente nem te passou pela cabeça me convidar. Diga que sentiu a minha falta durante muito tempo. Durante algumas semanas. Apenas no primeiro dia que seja. Porque eu senti a sua falta. E ainda sinto. Mas não é de você hoje e sim daquele menino que estava prestes a ser um rapaz. Eu queria de volta todos aqueles poucos meses que passamos juntos. Eu te queria aqui ao meu lado. Eu te queria aqui deitado nesse chão frio enquanto escutávamos Oasis. Eu queria de repente você abaixando o som para ler Leminski. Por que você nunca mais voltou? A noite está ficando nublada e fria. Eu sinto que vou ficando do mesmo jeito. Não. Não era isso que eu queria te falar. Não quero parecer frágil. Não quero que você sinta pena. Ou fique de certa maneira sorrindo. Eu só não tenho nada melhor para fazer e estou ouvindo Chico. Eu não tenho nada melhor para fazer e estou te escrevendo enquanto bebo meu chá de hortelã. Nada de mais. Então não perca tempo lendo mais do que uma vez essa carta e nem tão pouco ousando sorrir por minhas palavras. Eu só não tenho nada melhor para fazer e quero muito que você também não tenha.

Por Camila Aguilera

domingo, 3 de julho de 2011

Paulo Leminski



quando chove, eu chovo,

faz sol, eu faço,

de noite, anoiteço,

tem deus, eu rezo,

não tem, esqueço,

chove de novo, de novo, chovo,

assobio no vento, daqui me vejo,

lá vou eu, gesto no movimento

quarta-feira, 22 de junho de 2011

22.06.2011

[quando começar o frio dentro de nós]


Espero não me deixar vencer por dias como estes e abrir todas as portas e janelas e ver o sol que talvez não aqueça, mas ao menos ilumina. E então me lembrar de coisas que me tragam um mínimo de serenidade e vontade de continuar.


[tudo em volta parece tão quieto]


O silêncio que fica nesse quarto escuro após nossos telefonemas. Algumas vezes eu ainda tenho alguns e outros assuntos pra te contar, mas silencio. Em outras quero apenas o barulho da sua respiração pra me acalmar os pensamentos e outra vez me aquieto.


[tudo em volta não parece perto, toda volta parece o mais certo]


E percebo que já não me perturba a sua ausência. Vou a quase todos os lugares possíveis. Dou meus passos em direção ao futuro, mas vez ou outra eu ainda paro pra te acolher nos braços. Conheço novas pessoas e sinto sua falta. E digo que te amo, mas sigo em frente porque já não há mais tempo para permanecer esperando.


[certo é estar perto sem estar]


Assim como estamos. Dessa maneira como nos encontramos nesses dias tão confusos. Enquanto tento te confortar e esqueço dos meus problemas. E te abraço na esperança de que você fique bem e eu veja seus olhos brilharem tanto quanto seu sorriso.


[perto de você, sou tão perto de você]


E de certa forma uma parte do que sou será sempre sua. Enquanto busco novos sentidos e caminhos. Enquanto toco seu rosto uma última vez e te beijo a face. E então te guardo no meu canto maior e me permito amar um pouco mais.


[...]


Por Camila Aguilera


[Trechos de Perto de você - O Teatro Mágico]

sábado, 18 de junho de 2011

Nos poços


Primeiro você cai num poço. Mas não é ruim cair num poço assim de repente? No começo é. Mas você logo começa a curtir as pedras do poço. O limo do poço. A umidade do poço. A água do poço. A terra do poço. O cheiro do poço. O poço do poço. Mas não é ruim a gente ir entrando nos poços dos poços sem fim? A gente não sente medo? A gente sente um pouco de medo mas não dói. A gente não morre? A gente morre um pouco em cada poço. E não dói? Morrer não dói. Morrer é entrar noutra. E depois: no fundo do poço do poço do poço do poço você vai descobrir quê.


Caio Fernando Abreu

domingo, 12 de junho de 2011

Alguns e outros dias

Enquanto vivo. E estudo. E escrevo. E esqueço quem sou. E chego em cima da hora. E fumo. E penso. E masco um chiclete. E tomo um banho. E digito. E escovo os dentes. E atendo a todos os telefonemas. Pura ilusão. E rabisco. E invento um romance. E tento tantas vezes em vão enfrentar meus medos. E envelheço. E presencio o tédio. E me calo. E revejo as datas. E amasso o papel. E permaneço sem me entender. E me deito. E me reviro na cama. E me reviro por dentro. E relembro. E sonho. E penso. Sorrio e choro. E deixo as lágrimas sufocarem. E quebro promessas. E sinto o nó na garganta. E me faço de forte. Puro teatro. E erro. E amadureço. E conserto. E procuro o desapego. E respiro. E inspiro. Sinto o vento. E a chuva. E o calor. E o frio. E me escondo dos trovões. Revejo as folhas caindo. Quatro estações. Esse inverno que não demora a chegar. As mãos geladas sobre o papel em branco. E não escrevo. E procuro o seu olhar. E fantasio o seu sorriso. E acabo por te encontrar em todas as canções. E me perco entre os personagens de um romance sem nexo. E vivo os dias. E os meses. E quero que esteja ao meu lado em todos os momentos. E soletro o amor. Toco o ar como se fosse seu rosto. E te beijo os olhos. Sinto o seu abraço. Quase enlouqueço. E recolho as mãos em oração. E permaneço no passado com medo de errar uma outra vez. E acelero o passo. E pego outras estradas. E volto pra casa. Revejo e me perco entre fotografias onde não está. E finjo que fumo. E já não bebo nada que me tire a lucidez. E perco toda e qualquer paciência comigo mesma. E sobrevivo. E compartilho. E lembro. E me permito ter outras ilusões. E esqueço-me da razão. E não vou além dos clichês. E não espero nada mais do que uma amizade que dure mais do qualquer sentimento que seja apenas meu. E percebo que é impossível descrever algumas dores. Enquanto vivo e sinto e penso em ir pra qualquer outro lugar...


I think I'll go to Boston,
I think that I'm just tired
I think I need a new town, to leave this all behind
I think I need a sunrise, I'm tired of the sunset
I hear it's nice in the summer some snow would be nice.

(Boston – Augustana)


Por Camila Aguilera

sábado, 11 de junho de 2011

#PraSempreFenômeno




Diz adeus então, Ronaldo Luiz Nazário de Lima.
Diz adeus, mas fica pra sempre em nossas memórias. Pra sempre Fenômeno!

domingo, 5 de junho de 2011

A princípio de junho

- E o amor, o amor, cara. O que eu faço com isso?
- Você esquece, sei lá. Não tem tanta importância assim.
(Caio Fernando Abreu)


Hoje eu quero escrever sobre qualquer coisa.
Qualquer coisa que não seja o amor.
Sobre a grama de casa com suas formigas.
Sobre a pedra no meio do caminho.
Sobre discos voadores.
Sem canções grandiosamente românticas.
Sem poemas ou poesias.
Sem príncipes, princesas e foram-felizes-para-sempre.
Eu só quero o que não inspira.
Eu só quero os sapos.
Eu só quero o intragável.
Nada sobre corações partidos.
Nada sobre vazios jamais preenchidos.
Nada sobre cicatrizes que nunca fecham.
Hoje eu só quero fingir que sou capaz de esquecer.
(Camila Aguilera)

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Eric Clapton





Beyond the dark
There's peace
I'm sure
And I know there'll be no more
Tears in Heaven



E então existem os dias em que você apenas precisa de uma canção calma repetindo sem parar e um pouco de coragem pra suportar a você mesmo.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

27.05.2011

O meu chapéu permanece aqui e eu não sei o que faria sem ele.

Costumo passar meus dias acompanhada dele sejam esses chuvosos ou ensolarados. Costumo viver minhas paixões ao seu lado sejam elas passageiras ou tão eternas que durem até a semana que vem.

O meu chapéu tem sentimentos e não digam que estou enlouquecendo.

Já o vi quase chorar quando minha cachorra partiu, mas ele apenas cobriu o meu rosto. Já o vi sorrindo – bom, não era bem um sorriso, mas um riso mesmo – quando crianças o pegaram e o jogaram pra mais perto do céu.

O meu chapéu permanece ali e eu não sei como posso.

Nos últimos dias o deixei de lado. Não quis tocá-lo e muito menos carrega-lo comigo. E mesmo que me olhasse com olhos de piedade me fiz de difícil. E mesmo que esbarrasse nele sem querer, continuei irredutível. Ele simplesmente não andava combinando com roupa nenhuma.

O meu chapéu vai comigo em todos os lugares e.

Mesmo nesses dias em que me recuso a pega-lo o sinto por perto. Acho que ele gosta de sentir as gotas da chuva molhando nós dois. Tenho quase certeza de que ele gosta desse sol meio morno que faz agora e que não queima os neurônios. Tenho convicção de que assim como eu ele prefere os dias frios.

O meu chapéu continuará comigo apesar de.

Porque eu sei que não sobrevivo sem ele. E talvez ele também não sobreviva sem mim. Sei que ele vai comigo para ouvir todos os barulhos por mais ensurdecedores que sejam. Sei que ele me espera pra eu desabafar em silêncios. Tenho certeza de que ele conta comigo pra ver-saber-provar-sentir todas as sensações e sentimentos que pensa não poder sentir.

O meu chapéu é eterno.

...

Esse é o meu chapéu e esse é o chapéu do Thi.

terça-feira, 24 de maio de 2011




And the tears come streaming down your face
When you lose something you can't replace
When you love someone, but it goes to waste
Could it be worse?


Coldplay

terça-feira, 17 de maio de 2011

17.05.2011

De vez em quando eu sinto como se eu nunca tivesse te tido. Nada muito além disso. Apenas isso. Por vezes eu sinto sua falta como agora, mas sobrevivo. Eu gostaria de te dizer que aprendi a sobreviver muito bem. Acho que nunca me faltou nenhum sentimento a não ser o seu. É, acho que nunca nenhum outro faltou. Existiram dias realmente tristes por sua ausência. Existiram dias em que eu simplesmente não sabia definir o quanto odiava sentir a sua falta. Esses momentos dentro destes dias eu passei calada. Nunca disse nada para ninguém. Apenas fiquei com essa imensa dúvida que carrego até hoje aos meus vinte e dois anos de idade, você de fato me amou algum dia? Não estou te pressionando. Entenda que não é isso. Eu só queria saber se era real quando você dizia que me amava em suas cartas que chegavam esporadicamente até mim. Porque hoje em dia elas nem chegam mais. Eu estou te escrevendo essas palavras assim como já escrevi dezenas de cartas, mas nem ao menos sei pra que endereço envia-las. E pra dizer a verdade nem sei se as enviaria. Eu vou apenas escrevendo e sentindo um nó na garganta se formar, por vezes choro, deixo as lagrimas molharem o papel, mas nunca quis, nunca quis que soubesse da minha fraqueza por não ter você. Porque de vez em quando eu só queria voltar a ser criança pra te ter por perto de novo. Queria te ver outra vez chegando com sua mala e aquele monte de gibis e caixas vazias de cigarro que eu gostava de brincar e minha mãe sempre brigava, mas isso é só de vez em quando. Acredite. Nos outros dias eu fico bem e me esqueço. Me esqueço que você não esteve aqui para me dizer para não voltar tarde demais pra casa ou receber meus abraços, conhecer meus amigos ou ficar ao meu lado na cama até que eu dormisse. E eu quero até te agradecer pela força que tenho em superar algumas coisas que dão errado em minha vida. Acho que esta sua ausência foi fundamental pra isso. Não tenho raiva de você. E nem tão pouco de mim por te amar tanto por esse tão pouco que você me deu durante todos esses anos. Acho que você agiu ao contrário e deu certo. Eu sei exatamente o que não quero ser. Hoje eu sei que preciso ser quase que todo o contrário de você. Só quero ficar com a parte de escrever cartas e preencher de palavras algumas poucas pessoas que sejam. Não acho que devo dizer mais nada ou talvez eu até tenha muitas ou poucas coisas pra dizer, apenas não me permito. Eu só escrevo porque de vez em quando eu sinto como se nunca tivesse te tido, mas eu sei que alguma maneira o seu pouco ficou.

Por Camila Aguilera

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Apanhador Só



E se não der?
Eu choro
Ou continuo
No faz-de-conta?

E se couber?
Me guardo
Ou continuo
No faz-de-ponta?

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Uns e outros dias de maio

Algumas lágrimas
Ou um dia completo de risos
Essa indiferença é que não sustento
Uns dias mais quentes
Ou mais frios
Essa coisa morna é que eu não dou conta
Um pouco mais de amor
Ou até mesmo de ódio
Esse meio termo é que não suporto.

Camila Aguilera

sábado, 7 de maio de 2011

Transmissor



Aspire meus erros e os jogue fora

Limpe os vestígios, lustre os absurdos

Com esforço, talvez se tornem glórias


quinta-feira, 5 de maio de 2011

20.08.2010

Os olhos se adaptam a escuridão. Apenas uma leve luz pra iluminar o momento. O coração que bate discretamente. O coração já tão cansado. No meu quarto com o telefone ao ouvido e do outro lado uma outra voz que até pouco não era conhecida. Um ou outro silêncio. O mínimo barulho da respiração. E eu gosto. Gosto da voz, do jeito, do tom. E imagino como a pessoa do outro lado segura o telefone enquanto a conversa flui. Uma outra vez me sinto bem. Um novo sentimento preenchendo espaços. E eu penso que não poderia ser assim tão fácil. Será fácil também quando decidir esquecer? E de repente ter sorrisos. Sorrisos tolos. Imaginar você. Você que traz perguntas, que faz pensar. Revirar o que há por dentro em busca de respostas. Você que me faz perguntar se também sorri do outro lado enquanto me enche de perguntas e eu as respondo. Respondo conforme posso, conforme consigo.
E eu te tenho agora, do outro lado da linha. Apenas do outro lado da linha. Até que se desligue o telefone. E eu vou me imaginar junto enquanto nos falamos e fazemos um ou dois planos de nos encontrarmos. E então sorrio. Um simples sorriso por já me ver antes de dormir – após ter desligado o telefone, feito minhas orações – pensando na outra voz, no outro jeito, no outro rosto. Pensando em alguém que de repente preencheu um vazio. Pensando que me apaixonei outra vez. Uma outra vez. Tão evidente. E penso em escrever antes que termine. Termine as sensações. O dia. O sentimento. Não, não por agora. Por enquanto é eterno. Mesmo que sendo finito após uma semana ou menos que isso. Por enquanto é tudo. Enquanto a imaginação faz a sua parte. Enquanto eu me encontro pensando no jeito, na voz, no riso. Pessoalmente. Enquanto nos conhecemos um pouco mais. Sempre mais. Enquanto penso em tantas outras coisas. Tantas outras. E talvez nem nos encontremos. Ou talvez.

"Faz um tempo eu quis fazer uma canção pra você durar mais..." (Pato Fu)

Por Camila Aguilera

quinta-feira, 28 de abril de 2011

28.04.2011



Uma cerveja.
Ou uma dose mais forte.
Um abraço.
Algumas palavras.
Ouvir City and Colour.
Ou Placebo.
Colocar Boston no Repeat.
Dividir um cigarro.
Ou um silêncio.
Qualquer sentimento em dias assim.


"Just one more round before we're through
More psychedelic yuppie flu
It's such a silly thing to do
Now we're stuck on rewind..."
(Placebo)

quinta-feira, 21 de abril de 2011

22.04.2011



Quando olho pra minha cachorra de dezessete anos, eu nada mais vejo que boa parte da minha vida.
O seu olhar sobre mim parece significar que ela vê o mesmo que eu.
Algo como a gente bem mais jovem correndo de um lado pro outro da casa.
Algo como se agora a gente realmente soubesse que os dias – meses e anos – passam rápido demais.
Algo como se nos olhando, pudéssemos ver o amor incontestável até o seu último momento.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

20.04.2011

(...) - bem, como vai você?
levo assim, calado
de lado do que sonhei um dia
como se a alegria recolhesse a mão
pra não me alcançar
poderia até pensar que foi tudo sonho
ponho meu sapato novo e vou passear
sozinho, como der, eu vou até a beira
besteira qualquer nem choro mais
só levo a saudade, morena
e é tudo que vale a pena.


Sapato Novo - Los Hermanos