sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Caio Fernando Abreu ou simplesmente Caio F.

Por Camila Aguilera





Hoje eu queria te encontrar. De repente te encontrar andando pela Liberdade ou até mesmo sentado numa mesa de bar qualquer, bebendo um chopp ou um uísque – tanto faz -. Queria te encontrar fumando um cigarro e escrevendo qualquer coisa em um guardanapo. Lindo seria te encontrar e você me sorrir com girassóis ou morangos nas mãos. Mas hoje gostaria realmente de te encontrar e contar minhas histórias. Ouvir as suas. Sorrir junto.


'Somos todos imortais. Teoricamente imortais, claro. Hipocritamente imortais. Por que nunca consideramos a morte como uma possibilidade cotidiana, feito perder a hora no trabalho ou cortar-se fazendo a barba, por exemplo. Na nossa cabeça, a morte não acontece como pode acontecer de eu discar um número telefônico e, ao invés de alguém atender, dar sinal de ocupado. A morte, fantasticamente, deveria ser precedida de certo “clima”, certa “preparação”. Certa “grandeza”.' Caio Fernando em Memória de Lilian

Caio Fernando Abreu ou simplesmente Caio F.

Por Camila Aguilera




Hoje eu queria te encontrar, mas não somente hoje. Queria de repente te encontrar andando pela Liberdade ou até mesmo sentado numa mesa de bar qualquer, bebendo um chopp ou um uísque – tanto faz - e fumando um cigarro. Lindo seria te encontrar e você me sorrir com girassóis ou morangos nas mãos. Mas hoje gostaria realmente de me sentar e te contar minhas histórias. Ouvir as suas.

'Somos todos imortais. Teoricamente imortais, claro. Hipocritamente imortais. Por que nunca consideramos a morte como uma possibilidade cotidiana, feito perder a hora no trabalho ou cortar-se fazendo a barba, por exemplo. Na nossa cabeça, a morte não acontece como pode acontecer de eu discar um número telefônico e, ao invés de alguém atender, dar sinal de ocupado. A morte, fantasticamente, deveria ser precedida de certo “clima”, certa “preparação”. Certa “grandeza”.' (Caio Fernando Abreu)

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Novembro de dois mil e dez

A chuva cai lá fora, mas são raras as vezes em que você sai e a sente cair. Você olha no espelho e ainda enxerga os velhos olhos infantis, mas sabe que é cada vez mais necessário amadurecer. Você olha ao redor e pede em silêncio pra não perder por completo a inocência e todas as coisas bobas que se sente somente quando se é criança. O trovão vem e você percebe que seu medo ainda é o mesmo. Diferentes são os planos. Alguns planos. Existem aqueles sonhos que você nem se lembra mais. Você ainda vive em busca daquilo que chamam de amor. Você o encontra e o perde em questão de segundos. Você vive o amor sozinho. Você sabe que seria muito mais fácil se a vida fosse esse enredo que se vê em novelas e filmes, mas a vida é real. Essa tal de vida real. São vinte e um anos. Ou seriam agora quarenta? Os amigos são os mesmos. Os amigos estão longe. A parede do quarto mudou tem pouco tempo. Poucas são as musicas que você ouve após tantos anos. Letras românticas continuam te encantando e te fazendo lembrar e te fazendo chorar de vez em quando. O suor quase escorre pelo calor, mas os dentes poderiam se chocar pelo frio. Você continua acreditando que o amor é importante em todos os lugares e momentos ou ao menos é assim que deveria ser. Mas é apenas uma chuva lá fora. Uma chuva que você não sente.


Por Camila Aguilera

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

DEZESSEIS DE OUTUBRO DE DOIS MIL E DEZ

Sente-se. Peça uma cerveja ou um suco, qualquer coisa que te molhe a boca quando senti-la seca por tanto falar. Fale. Não tenha vergonha. Eu juro que tentarei não ter. Fale bastante. Fale da sua vida que deu certo. Conte-me alguma história. Qualquer história. De amor. De algum amor que deu certo. Uma história de duas pessoas que foram felizes. Conte-me uma estória infantil. Cinderela, A bela adormecida. Essas estórias de contos de fadas em que você sabe desde o começo que o final será e-foram-felizes-para-sempre. Acho isso tão clichê, tão lindo, tão algo que eu queria para mim. Você não acha? Beba comigo essa noite. Peça pra tocarem City and Colour. Me abrace. Me dê um desses seus sorrisos lindos. Acenda um cigarro. Me escute. Melhor, não me escute. Eu costumo falar tanto após algumas bebidas, mas me deixe tentar falar sobre algo bom. Alguma história boa e tranqüila que não seja minha. Eu posso tentar e inventar um romance. Vamos falar sobre essa vontade que temos uma ou outra vez na vida de ficar pra sempre ao lado de uma pessoa. Peça outra cerveja. Me conte uma história sua. Me conte de seu amor bem resolvido. Preciso tanto ouvir histórias boas. Ouvir qualquer coisa que me faça acreditar que o amor pode – ainda – dar certo. Sei lá. De repente. Assim do nada. Eu viro uma esquina. Eu viajo. Conheço alguém e me apaixono. E então dá certo. O amor. E a vida fica melhor de viver uma outra vez. Uma última vez que seja. Uma última vez daqui a pouco, porque agora eu só quero fumar mais um cigarro com você e depois sair por aí, deitar na grama, olhar as estrelas. E segurar sua mão. Essas coisas simples que me farão feliz tendo você ao meu lado por essa noite. Essa noite enquanto eu te desejo feliz aniversário mesmo sendo péssima nisso. E se eu soubesse te cantaria uma canção bonita agora. É, uma canção. Uma dessas suas canções preferidas. Você merece uma música com letra e melodia linda. Você merece tudo de lindo. Como uma chuva que refresque um dia quente em Cuiabá. Um pôr do sol. Ou o barulho das ondas. As ondas também te trazem paz e lembranças? Eu quero uma vida toda. Eu te desejo uma vida toda. E nós temos essa vida agora, exatamente nesse momento. Afinal, o que permanece na memória são apenas os momentos, não são? E se der tudo errado mais pra frente – quando o tempo passar e a gente não conseguir segurar entre os dedos – com todas as outras pessoas, eu vou continuar ouvindo Follow the cops back home e lembrando de você. Você que eu gostaria que me contasse uma história de amor hoje. Você. Você que eu apenas queria sentar e tomar uma cerveja e fumar um cigarro e ganhar um sorriso. Você. Por você que eu fecho os olhos agora e imagino abraçar enquanto desejo coisas boas pra sua vida. E desejo uma história de amor que seja eterna. E bons momentos de felicidade. E força. E um bom tanto de fé. E esperança. E amor. E sorrisos. E que nossa amizade possa nos levar além. E amor. Porque só o amor realmente importa e nos faz fortes.

Por Camila Aguilera

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

QUANDO SE FAZ NECESSÁRIO ESCREVER



Escrito em 19 de janeiro de 2011.

Escrevo porque quero te encontrar. Ontem, hoje e ou qualquer outro dia que seja. Afinal os dias se tornaram diferentes desde o momento em que simplesmente percebi que quero te encontrar. Acredite. Eu quero muito te encontrar hoje em qualquer lugar que seja. Eu. Você. O susto pelo inesperado. E então um sorriso meu. Um sorriso seu. E tão logo um pedido meu pra que você fique pra conversar. Um pedido meu e então você fica. Por consideração. Por curiosidade em saber o que eu tenho a dizer. Por pura vontade de conversar comigo. Sobre qualquer coisa. Como se a companhia fosse suficiente. E pouco importasse as palavras. As palavras que ficariam perdidas em meio aos meus longos silêncios. Eu só queria te encontrar. Eu só quero te encontrar ao acaso. Em qualquer uma dessas boas barracas com sucos de laranja. Ou. Uma loja de chocolates talvez? Ou até mesmo um bar. Nós e o bar e todas as outras pessoas como se não existissem porque é o nosso encontro, é o nosso momento. A mesa de um bar qualquer e nós. O leve cheiro de cigarro no ar e nós. E então eu tomaria qualquer coisa que me inspirasse a falar – ou seria você a própria inspiração pra tudo que eu quero falar fazer e ser? -. Eu quero te encontrar pra dizer. Pra demonstrar. Pra descomplicar nossas vidas. Eu quero te encontrar e não falar sobre paixões. Eu quero te encontrar e falar sobre o gostar, pois me parece tão mais calmo e ideal agora. Eu quero você mais perto. Eu quero ouvir as minhas – e as suas – músicas e então torna-las nossas. Eu quero um jogo de Poker. Eu quero inventar um romance. Eu quero torná-lo real. Eu quero uma foto nossa pra enquadrar depois. Quero aquela dose de vodca de baunilha com coca-cola. Quero você aqui. Eu quero estar aí. Agora. Nesse momento. O mais logo possível. Quero ouvir seus planos. Quero alterar os meus. Eu quero te encontrar porque preciso simplesmente olhar em seus olhos e ver o que significa.

Por Camila Aguilera