terça-feira, 17 de maio de 2011

17.05.2011

De vez em quando eu sinto como se eu nunca tivesse te tido. Nada muito além disso. Apenas isso. Por vezes eu sinto sua falta como agora, mas sobrevivo. Eu gostaria de te dizer que aprendi a sobreviver muito bem. Acho que nunca me faltou nenhum sentimento a não ser o seu. É, acho que nunca nenhum outro faltou. Existiram dias realmente tristes por sua ausência. Existiram dias em que eu simplesmente não sabia definir o quanto odiava sentir a sua falta. Esses momentos dentro destes dias eu passei calada. Nunca disse nada para ninguém. Apenas fiquei com essa imensa dúvida que carrego até hoje aos meus vinte e dois anos de idade, você de fato me amou algum dia? Não estou te pressionando. Entenda que não é isso. Eu só queria saber se era real quando você dizia que me amava em suas cartas que chegavam esporadicamente até mim. Porque hoje em dia elas nem chegam mais. Eu estou te escrevendo essas palavras assim como já escrevi dezenas de cartas, mas nem ao menos sei pra que endereço envia-las. E pra dizer a verdade nem sei se as enviaria. Eu vou apenas escrevendo e sentindo um nó na garganta se formar, por vezes choro, deixo as lagrimas molharem o papel, mas nunca quis, nunca quis que soubesse da minha fraqueza por não ter você. Porque de vez em quando eu só queria voltar a ser criança pra te ter por perto de novo. Queria te ver outra vez chegando com sua mala e aquele monte de gibis e caixas vazias de cigarro que eu gostava de brincar e minha mãe sempre brigava, mas isso é só de vez em quando. Acredite. Nos outros dias eu fico bem e me esqueço. Me esqueço que você não esteve aqui para me dizer para não voltar tarde demais pra casa ou receber meus abraços, conhecer meus amigos ou ficar ao meu lado na cama até que eu dormisse. E eu quero até te agradecer pela força que tenho em superar algumas coisas que dão errado em minha vida. Acho que esta sua ausência foi fundamental pra isso. Não tenho raiva de você. E nem tão pouco de mim por te amar tanto por esse tão pouco que você me deu durante todos esses anos. Acho que você agiu ao contrário e deu certo. Eu sei exatamente o que não quero ser. Hoje eu sei que preciso ser quase que todo o contrário de você. Só quero ficar com a parte de escrever cartas e preencher de palavras algumas poucas pessoas que sejam. Não acho que devo dizer mais nada ou talvez eu até tenha muitas ou poucas coisas pra dizer, apenas não me permito. Eu só escrevo porque de vez em quando eu sinto como se nunca tivesse te tido, mas eu sei que alguma maneira o seu pouco ficou.

Por Camila Aguilera

2 comentário(s):

Thiago disse...

Ficou lindo! Não concordo com isso de ficou pouco ou muito. As pessoas simplesmente ficam ao seu modo porque sei lá, sentimento não se mede né?
Mas apesar de, essa é uma lembrança gostosa. E que fique guardada.

Thiago disse...

:*