quinta-feira, 5 de maio de 2011

20.08.2010

Os olhos se adaptam a escuridão. Apenas uma leve luz pra iluminar o momento. O coração que bate discretamente. O coração já tão cansado. No meu quarto com o telefone ao ouvido e do outro lado uma outra voz que até pouco não era conhecida. Um ou outro silêncio. O mínimo barulho da respiração. E eu gosto. Gosto da voz, do jeito, do tom. E imagino como a pessoa do outro lado segura o telefone enquanto a conversa flui. Uma outra vez me sinto bem. Um novo sentimento preenchendo espaços. E eu penso que não poderia ser assim tão fácil. Será fácil também quando decidir esquecer? E de repente ter sorrisos. Sorrisos tolos. Imaginar você. Você que traz perguntas, que faz pensar. Revirar o que há por dentro em busca de respostas. Você que me faz perguntar se também sorri do outro lado enquanto me enche de perguntas e eu as respondo. Respondo conforme posso, conforme consigo.
E eu te tenho agora, do outro lado da linha. Apenas do outro lado da linha. Até que se desligue o telefone. E eu vou me imaginar junto enquanto nos falamos e fazemos um ou dois planos de nos encontrarmos. E então sorrio. Um simples sorriso por já me ver antes de dormir – após ter desligado o telefone, feito minhas orações – pensando na outra voz, no outro jeito, no outro rosto. Pensando em alguém que de repente preencheu um vazio. Pensando que me apaixonei outra vez. Uma outra vez. Tão evidente. E penso em escrever antes que termine. Termine as sensações. O dia. O sentimento. Não, não por agora. Por enquanto é eterno. Mesmo que sendo finito após uma semana ou menos que isso. Por enquanto é tudo. Enquanto a imaginação faz a sua parte. Enquanto eu me encontro pensando no jeito, na voz, no riso. Pessoalmente. Enquanto nos conhecemos um pouco mais. Sempre mais. Enquanto penso em tantas outras coisas. Tantas outras. E talvez nem nos encontremos. Ou talvez.

"Faz um tempo eu quis fazer uma canção pra você durar mais..." (Pato Fu)

Por Camila Aguilera

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