quarta-feira, 22 de junho de 2011

22.06.2011

[quando começar o frio dentro de nós]


Espero não me deixar vencer por dias como estes e abrir todas as portas e janelas e ver o sol que talvez não aqueça, mas ao menos ilumina. E então me lembrar de coisas que me tragam um mínimo de serenidade e vontade de continuar.


[tudo em volta parece tão quieto]


O silêncio que fica nesse quarto escuro após nossos telefonemas. Algumas vezes eu ainda tenho alguns e outros assuntos pra te contar, mas silencio. Em outras quero apenas o barulho da sua respiração pra me acalmar os pensamentos e outra vez me aquieto.


[tudo em volta não parece perto, toda volta parece o mais certo]


E percebo que já não me perturba a sua ausência. Vou a quase todos os lugares possíveis. Dou meus passos em direção ao futuro, mas vez ou outra eu ainda paro pra te acolher nos braços. Conheço novas pessoas e sinto sua falta. E digo que te amo, mas sigo em frente porque já não há mais tempo para permanecer esperando.


[certo é estar perto sem estar]


Assim como estamos. Dessa maneira como nos encontramos nesses dias tão confusos. Enquanto tento te confortar e esqueço dos meus problemas. E te abraço na esperança de que você fique bem e eu veja seus olhos brilharem tanto quanto seu sorriso.


[perto de você, sou tão perto de você]


E de certa forma uma parte do que sou será sempre sua. Enquanto busco novos sentidos e caminhos. Enquanto toco seu rosto uma última vez e te beijo a face. E então te guardo no meu canto maior e me permito amar um pouco mais.


[...]


Por Camila Aguilera


[Trechos de Perto de você - O Teatro Mágico]

sábado, 18 de junho de 2011

Nos poços


Primeiro você cai num poço. Mas não é ruim cair num poço assim de repente? No começo é. Mas você logo começa a curtir as pedras do poço. O limo do poço. A umidade do poço. A água do poço. A terra do poço. O cheiro do poço. O poço do poço. Mas não é ruim a gente ir entrando nos poços dos poços sem fim? A gente não sente medo? A gente sente um pouco de medo mas não dói. A gente não morre? A gente morre um pouco em cada poço. E não dói? Morrer não dói. Morrer é entrar noutra. E depois: no fundo do poço do poço do poço do poço você vai descobrir quê.


Caio Fernando Abreu

domingo, 12 de junho de 2011

Alguns e outros dias

Enquanto vivo. E estudo. E escrevo. E esqueço quem sou. E chego em cima da hora. E fumo. E penso. E masco um chiclete. E tomo um banho. E digito. E escovo os dentes. E atendo a todos os telefonemas. Pura ilusão. E rabisco. E invento um romance. E tento tantas vezes em vão enfrentar meus medos. E envelheço. E presencio o tédio. E me calo. E revejo as datas. E amasso o papel. E permaneço sem me entender. E me deito. E me reviro na cama. E me reviro por dentro. E relembro. E sonho. E penso. Sorrio e choro. E deixo as lágrimas sufocarem. E quebro promessas. E sinto o nó na garganta. E me faço de forte. Puro teatro. E erro. E amadureço. E conserto. E procuro o desapego. E respiro. E inspiro. Sinto o vento. E a chuva. E o calor. E o frio. E me escondo dos trovões. Revejo as folhas caindo. Quatro estações. Esse inverno que não demora a chegar. As mãos geladas sobre o papel em branco. E não escrevo. E procuro o seu olhar. E fantasio o seu sorriso. E acabo por te encontrar em todas as canções. E me perco entre os personagens de um romance sem nexo. E vivo os dias. E os meses. E quero que esteja ao meu lado em todos os momentos. E soletro o amor. Toco o ar como se fosse seu rosto. E te beijo os olhos. Sinto o seu abraço. Quase enlouqueço. E recolho as mãos em oração. E permaneço no passado com medo de errar uma outra vez. E acelero o passo. E pego outras estradas. E volto pra casa. Revejo e me perco entre fotografias onde não está. E finjo que fumo. E já não bebo nada que me tire a lucidez. E perco toda e qualquer paciência comigo mesma. E sobrevivo. E compartilho. E lembro. E me permito ter outras ilusões. E esqueço-me da razão. E não vou além dos clichês. E não espero nada mais do que uma amizade que dure mais do qualquer sentimento que seja apenas meu. E percebo que é impossível descrever algumas dores. Enquanto vivo e sinto e penso em ir pra qualquer outro lugar...


I think I'll go to Boston,
I think that I'm just tired
I think I need a new town, to leave this all behind
I think I need a sunrise, I'm tired of the sunset
I hear it's nice in the summer some snow would be nice.

(Boston – Augustana)


Por Camila Aguilera

sábado, 11 de junho de 2011

#PraSempreFenômeno




Diz adeus então, Ronaldo Luiz Nazário de Lima.
Diz adeus, mas fica pra sempre em nossas memórias. Pra sempre Fenômeno!

domingo, 5 de junho de 2011

A princípio de junho

- E o amor, o amor, cara. O que eu faço com isso?
- Você esquece, sei lá. Não tem tanta importância assim.
(Caio Fernando Abreu)


Hoje eu quero escrever sobre qualquer coisa.
Qualquer coisa que não seja o amor.
Sobre a grama de casa com suas formigas.
Sobre a pedra no meio do caminho.
Sobre discos voadores.
Sem canções grandiosamente românticas.
Sem poemas ou poesias.
Sem príncipes, princesas e foram-felizes-para-sempre.
Eu só quero o que não inspira.
Eu só quero os sapos.
Eu só quero o intragável.
Nada sobre corações partidos.
Nada sobre vazios jamais preenchidos.
Nada sobre cicatrizes que nunca fecham.
Hoje eu só quero fingir que sou capaz de esquecer.
(Camila Aguilera)

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Eric Clapton





Beyond the dark
There's peace
I'm sure
And I know there'll be no more
Tears in Heaven



E então existem os dias em que você apenas precisa de uma canção calma repetindo sem parar e um pouco de coragem pra suportar a você mesmo.