segunda-feira, 29 de agosto de 2011

No centro do furacão

Me ajuda que hoje eu tenho certeza absoluta que já fui Pessoa ou Virgínia Woolf em outras vidas, e filosófo em tupi-guarani, enganado pelos búzios, pelas cartas, pelos astros, pelas fadas. Me puxa para fora deste túnel, me mostra o caminho para baixo da quaresmeira em flor que eu quero encostar em seu tronco o lótus de mil pétalas do topo da minha cabeça tonta para sair de mim e respirar aliviado de por um instante não ser mais eu, que hoje não me suporto nem me perdôo de ser como sou e não ter solução.

Caio Fernando Abreu

domingo, 28 de agosto de 2011

Beirut

Send me now, the winter's over
Life turns sour and we are older
The love we've had will turn all over
The gold went south and we are older

sábado, 20 de agosto de 2011

20.08.2011

E se qualquer dia desses eu trocasse de lugar com a imagem que vejo refletida no espelho? E se de repente aquele meu eu vivesse? Saísse e me trancasse em seu lugar. Andasse. Corresse. Sentisse o vento e algumas gotas de chuva. Esse meu outro eu que é todo diferente. Esse meu eu que ao contrário de mim não sente medo. Esse meu eu que seria todo o inverso desse que vejo agora com um brilho diferente no olhar. O meu eu racional contra esse meu eu tão sentimental. Esse meu que não perderia tempo demais escrevendo. E então beberia mais, fumaria mais. Sem se preocupar com as cinzas pelo quarto. Pisaria sobre elas. Seria então mais rock n’ roll e menos bossa nova. Não deixaria rastro algum pelo caminho. Nenhuma palavra morreria na garganta e se transformaria em arrependimento mais tarde. E estaria sempre feliz por esse tempo que passa sempre rápido demais. Estaria ao lado daqueles que são espertos e nunca mais acreditaria que o mundo ainda tem jeito. E então deixaria o amor para mais tarde. Quem sabe pra nunca mais? E não perderia um dia inteiro ouvindo canções antigas com lágrimas nos olhos. Rasgaria fotografias. Apagaria memórias. Desataria os laços. Não sentiria saudade. Tão mais prático. Tão mais normal para os dias de hoje. Fora de si. Esse meu outro eu que eu simplesmente calo e prendo na imagem do espelho. Esse meu outro eu que eu não ouso deixar viver.

Camila Aguilera

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Amy Winehouse


Over futile odds
And laughed at by the gods
And now the final frame
Love is a losing game

sábado, 6 de agosto de 2011

Balada de agosto


Lá fora a chuva desaba e aqui no meu rosto
Cinzas de agosto e na mesa o vinho derramado
Tanto orgulho que não meço
O remorso das palavras que não digo
Mesmo na luz não há quem possa se esconder no escuro
Duro caminho o vento a voz da tempestade
No filme ou na novela
É o disfarce que revela o bandido
Meu coração vive cheio de amor e deserto
Perto de ti dança a minha alma desarmada
Nada peço ao sol que brilha
Se o mar é uma armadilha nos teus olhos

(Zeca Baleiro e Fagner)

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Somos todos iguais, braços dados ou não

Orgulho Gay. Orgulho Hétero. Daqui a pouco Orgulho Branco. Orgulho Preto. Orgulho Nazista. Por que não?
Não estou entendendo, Brasil. Qual o motivo pra tanto orgulho? Sou gay. Sou heterossexual. Branco. Preto. Homem. Mulher. Católico, evangélico ou espírita.
Os seres humanos se esquecendo que são apenas seres humanos. Se esquecendo de que independente da religião ou da não religião, da raça, da condição sexual são e serão sempre nada mais do que seres humanos. Pessoas que nascem, crescem, erram, amadurecem. Amadurecem? Pessoas que escolhem um tipo de roupa diferente do seu, que gostam de um estilo de música diferente do seu, que preferem homens, que preferem mulheres, que rezam, que oram.
Qual a dificuldade em aprender a respeitar as diferenças?
Qual o problema em ser diferente?
O que muda na sua vida se seu vizinho resolveu se casar com o fulano do outro quarteirão?
Eu espero de verdade que essas pessoas que dizem que a comunidade LGBT é pecadora nunca tenham feito sexo fora – ou antes – do casamento, não tenham corrompido crianças, não sejam gananciosos, não tenham simplesmente sentado em cima do próprio pecado e ficando falando sobre a vida de pessoas que nunca lhe fizeram mal algum.
Enquanto vocês ficam lutando por dias pra comemorar orgulhos imbecis, políticos continuam roubando e deixando boa parte da população – homossexual ou não – na miséria.
Tenha orgulho por ser uma pessoa de bem independente dessa porcaria toda que andam nos rotulando de uns tempos pra cá. Tenha orgulho por votar em algum político decente – se é que ainda existe algum – e se lembrar depois dois ou três anos. Tenha orgulho em fazer algo bom para o próximo.
Esqueça as diferenças ou no caso aprenda a conviver com elas, converse, conheça, estenda a mão.
Tenha orgulho em aprender a respeitar e ser alguém de bem independente de qualquer rótulo.


Por Camila Aguilera

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Cérebro Eletrônico



Dispa-se delicadamente
Diz para mim o que pega
Não se apegue ao passado
Se eu decidir ficar

Sonhe com algo bacana
Faça de conta que vai tudo bem
Leia minha mão
O futuro há de nos pertencer