segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Arnaldo Antunes




Vem me levar
Para um lugar
Longe daqui
Livre para navegar
No espaço sideral
Porque sei que sou
Semelhante de você
Diferente de você
Passageiro de você
À espera de você

terça-feira, 20 de setembro de 2011

21 de setembro de 2011

Amanhecerá primavera, meu amigo. Os ventos continuam fortes apesar de já ser setembro. Os ventos continuam tentando arrastar tudo de mal para longe. E por mais que ainda reste um mínimo de frio, a gente sabe que dentro dos próximos dias o sol fará a sua parte. Resta a mim e a você permitir que o futuro esquente também nossos corações. Porque é no verão que as pessoas não suportam a solidão e já não há mais tempo para tanto sofrimento, afinal o verão está quase aí e o final de ano também se aproxima. Sorrimos pelo simples motivo de que por mais um ano passamos ilesos, embora não saibamos pelo o que. Quando você percebe já está desejando que o próximo ano seja melhor. Ou um pouco melhor que seja. Eu quero um pouco mais de ânimo porque tem dias. Ah, tem dias que doem tanto. Tanto! E somos obrigados a suportar, a tolerar, a sobreviver. Esperança. Fé. Amor. Não adianta, sempre precisamos desses três sentimentos. Ou apenas achamos que precisamos deles. Quanto amor desperdiçado. Quanto amor, meu amigo. Só que ano que vem é par e eu quero a dois. Dois tons. Dois sons. Um bom domingo e alguém que me traga paz. Porque a guerra eu mesma crio e você sabe que crio bem demais. Nós dois criamos. E sofremos antecipadamente e depois e depois. Depois. Fique por perto, mas deixe que eu mesma me cuide. Permita que eu mesma crie os meus romances. Contos de fada não contam. Deixa que eu mesma construa o meu próprio ser. Não me julgue. Eu não te julgarei. Esqueça esses ciúmes e me ensine como esquecer os meus erros. A primavera está aqui com suas flores. A primavera há de ter cores. Sentimentos bons. Ruins também. Nós dois estamos sempre (sobre) vivendo. Há de ter vida nova surgindo. Não quero ter medo de sentir. Esqueça tudo. Quero apenas aquela viagem que eu sei o destino, mas não tenho certeza sobre o que está escrito. Eu ando precisando que Deus me permita acreditar de novo que posso amar. Quero de novo aquele sentimento que sinto falta. Não deixe que eu me perca. Peço humildemente que não permita que eu me perca de você. Não me substitua. Não te substituirei. Somos estranhos e lindos juntos. Acreditamos que somos boas pessoas e isso basta. Esqueça todas as outras pessoas. Nós não precisamos de ninguém. Nós mesmos nos esmagamos. Há de ter flores. Há de fazer um calor terrível dentro dos próximos meses. A pele há de esquentar. O coração há de esquentar. Um amor. Muita esperança. Uma boa dose de fé. Esses ventos continuarão levando tudo que não nos faz bem, menos nós mesmos. O inverno chegará o mais breve porque é assim que desejamos. Seremos eternos porque merecemos. Não chore, meu amigo. Enxugue minhas lágrimas. Dê-me um abraço e uma frase que me faça ter certeza de que nunca estaremos mais distantes do que já estamos. Porque eu confio no que você diz. Porque eu não confio na minha solidão. E eu nunca sei o que devo ser. Nunca sei o que sou ou o que somos. Sei do que sinto e isso – nem sempre – me basta.

Com - ou sem - amor,

Camila Aguilera.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Vanguart


Eu não vou mais estar do teu lado.
Mesmo assim, sempre eu vou te amar.
E essas coisas do teu namorado,
Em silêncio hoje eu vou falar
É uma necessidade.
E não vem dizer que é errado,
Você sabe o que aconteceu.
Boa parte de mim vai embora,
A sua parte que hoje sou eu.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

A SAUDADE EM DIAS ASSIM

(Camila Aguilera)

Andava por aquele caminho já tinha algumas horas. Caminhava. Parava. Olhava o céu desaguar devagarinho. Leve garoa em um dia frio. Andava. Respirava. Sabia que mais a frente alguém lhe esperava. Seu passado. Seus fantasmas. Fragmentos do que tinha sido. Deixou que o vento dissipasse seu medo. Mais alguns passos. Apenas mais alguns passos.
A porta entreaberta.
O silêncio quebrado apenas pelas batidas do seu coração.
Uma outra pessoa. Várias recordações.
Em que momento da vida tinham se perdido?
Já não se lembrava ou apenas fingia que não.
Duas pessoas. Duas vidas.
Dois olhares. Uma lágrima.
Palavras que aos poucos quebravam o silêncio.
Baixas. Trêmulas.
Dois mundos extremos.
Um abraço que conforta.
- O que te traz mais saudades em dias assim?
- Não sei. Talvez esse cheiro de grama molhada misturado com o perfume de minha avó que jamais sentirei de novo.
- Uma lembrança que vai te acompanhar não importando quantos anos passem.
- Assim como todas as lembranças que trago de nós dois mais jovens.
- Mais vivos também.

(Escrito em Agosto de 2011 na aula de Produção de texto da Profa. Eliane Galvão)

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Simplesmente Caio F.


"Uma coisa triste parecida com uma carta. 
Tinha um pedaço que nunca mais consegui
esquecer, e que falava assim:
sabe que o meu gostar por você chegou a ser amor
pois se eu me comovia vendo você pois se eu
acordava no meio da noite só pra ver você
dormindo meu deus como você me doía
vezenquando eu vou ficar esperando você numa tarde
cinzenta de inverno bem no meio duma praça
então os meus braços não vão ser suficientes para
abraçar você e a minha voz vai querer dizer tanta
mas tanta coisa que eu vou ficar calada um tempo
enorme só olhando você sem dizer nada só
olhando olhando e pensando meu deus ah meu
deus como você me dói vezenquando..."

(Em Harriet - O OVO APUNHALADO)

Sei que é bobagem, mas vezenquando eu espero alguém como você, Caio. E tem surgido um ou outro amigo que fazem com que eu me sente e conte sobre meus dias e meus amores e meus fracassos com eles. Esses amigos tem sido bons e doces. Esses amigos tem surgido em meio a minha vida por terem lido parte da sua obra. É, Caio, tem gente te lendo, tem gente te adorando e amando por tudo que você escreveu. Você tem nos dado coisas lindas sem saber.

Por Camila Aguilera

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

O Teatro Mágico


Você me bagunça e tumultua tudo em mim
Essa moça ousa, musa, abusa de todo meu ser
Você me bagunça e tumultua tudo em mim
Mira e joga baixo, eu acho, nem sei,
Só sei que foi assim.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

02.09.2011

Palmital. Sexta-feira. Faz frio. Setembro começou tem pouco tempo. Pedi pra que fosse abençoado. Estou esperando por isso. Ando estranha, meu amigo. Ando dando voltas e voltas e não acho a saída. E adivinhe? Não sei nem a saída do que estou procurando. Os dias passam sem que eu consiga me organizar. Bebo quase todas as noites. Acho que é uma maneira de fingir que não estou nem aí pra toda essa confusão que sinto aqui dentro. Já quase não escrevo. Uma ou duas linhas. Nada. Ontem. Hoje. Semana passada. Dois dias adiante. Quantas pessoas eu posso ser? Quantos sentimentos a gente pode ter ao longo da vida? Paixões. Amores. Amor. Um único, não é? Não era assim que deveria ser? Amor eterno. Amor. Amor. Amor. Ando exausta. E não entendo. E não sei ao certo o que quero. Não tenho certeza sobre o que sinto. E o que sinto não se denomina. Você consegue me entender? Diga que sim. Por favor, diga que sim. Essa angústia por dentro. O espelho reflete a tristeza que tenho carregado no olhar. Não sou eu mesma. E nem ao menos sei quem fui. "Quem eu serei?" virou pergunta sem resposta. E pra que serve o tempo nessa vida? Não tem curado nada. E quem foi que disse que ele cura alguma coisa, não é? E me permito ficar aqui. Olhando pro nada. Tocando o silêncio. E penso no pensamento que deveria evitar. Perco-me em meio a ausências. Só te peço que chegue até a minha casa por uns dias. Enxugue essas lagrimas que insistem em molhar meu rosto que tento conservar seco e frio. Até minhas lágrimas insistem mais do que eu. Chegue e chame por meu nome. Faça-me lembrar quem sou. Ajude-me a ter esperança em um futuro próximo. Esquece. Não existe remédio. Escreva de volta e me dê uma boa bronca. Ando precisando rir do seu jeito de menino grande me aconselhando a sair dessa tempestade que eu mesma criei. Palmital. Sexta-feira. Setembro começou tem pouco tempo, meu amigo. Há de esquentar, não é mesmo? Há de ser abençoado. Por enquanto, fico apenas com essa sensação de que por toda a vida vai me faltar sempre alguma coisa que tenho dúvidas se um dia saberei o que é.

Com amor,

Camila Aguilera