quinta-feira, 1 de setembro de 2011

02.09.2011

Palmital. Sexta-feira. Faz frio. Setembro começou tem pouco tempo. Pedi pra que fosse abençoado. Estou esperando por isso. Ando estranha, meu amigo. Ando dando voltas e voltas e não acho a saída. E adivinhe? Não sei nem a saída do que estou procurando. Os dias passam sem que eu consiga me organizar. Bebo quase todas as noites. Acho que é uma maneira de fingir que não estou nem aí pra toda essa confusão que sinto aqui dentro. Já quase não escrevo. Uma ou duas linhas. Nada. Ontem. Hoje. Semana passada. Dois dias adiante. Quantas pessoas eu posso ser? Quantos sentimentos a gente pode ter ao longo da vida? Paixões. Amores. Amor. Um único, não é? Não era assim que deveria ser? Amor eterno. Amor. Amor. Amor. Ando exausta. E não entendo. E não sei ao certo o que quero. Não tenho certeza sobre o que sinto. E o que sinto não se denomina. Você consegue me entender? Diga que sim. Por favor, diga que sim. Essa angústia por dentro. O espelho reflete a tristeza que tenho carregado no olhar. Não sou eu mesma. E nem ao menos sei quem fui. "Quem eu serei?" virou pergunta sem resposta. E pra que serve o tempo nessa vida? Não tem curado nada. E quem foi que disse que ele cura alguma coisa, não é? E me permito ficar aqui. Olhando pro nada. Tocando o silêncio. E penso no pensamento que deveria evitar. Perco-me em meio a ausências. Só te peço que chegue até a minha casa por uns dias. Enxugue essas lagrimas que insistem em molhar meu rosto que tento conservar seco e frio. Até minhas lágrimas insistem mais do que eu. Chegue e chame por meu nome. Faça-me lembrar quem sou. Ajude-me a ter esperança em um futuro próximo. Esquece. Não existe remédio. Escreva de volta e me dê uma boa bronca. Ando precisando rir do seu jeito de menino grande me aconselhando a sair dessa tempestade que eu mesma criei. Palmital. Sexta-feira. Setembro começou tem pouco tempo, meu amigo. Há de esquentar, não é mesmo? Há de ser abençoado. Por enquanto, fico apenas com essa sensação de que por toda a vida vai me faltar sempre alguma coisa que tenho dúvidas se um dia saberei o que é.

Com amor,

Camila Aguilera