sexta-feira, 16 de setembro de 2011

A SAUDADE EM DIAS ASSIM

(Camila Aguilera)

Andava por aquele caminho já tinha algumas horas. Caminhava. Parava. Olhava o céu desaguar devagarinho. Leve garoa em um dia frio. Andava. Respirava. Sabia que mais a frente alguém lhe esperava. Seu passado. Seus fantasmas. Fragmentos do que tinha sido. Deixou que o vento dissipasse seu medo. Mais alguns passos. Apenas mais alguns passos.
A porta entreaberta.
O silêncio quebrado apenas pelas batidas do seu coração.
Uma outra pessoa. Várias recordações.
Em que momento da vida tinham se perdido?
Já não se lembrava ou apenas fingia que não.
Duas pessoas. Duas vidas.
Dois olhares. Uma lágrima.
Palavras que aos poucos quebravam o silêncio.
Baixas. Trêmulas.
Dois mundos extremos.
Um abraço que conforta.
- O que te traz mais saudades em dias assim?
- Não sei. Talvez esse cheiro de grama molhada misturado com o perfume de minha avó que jamais sentirei de novo.
- Uma lembrança que vai te acompanhar não importando quantos anos passem.
- Assim como todas as lembranças que trago de nós dois mais jovens.
- Mais vivos também.

(Escrito em Agosto de 2011 na aula de Produção de texto da Profa. Eliane Galvão)

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