sábado, 31 de dezembro de 2011

30 DE DEZEMBRO DE 2011


Não existe uma maneira correta de começar a escrever hoje, meu amigo. Restam apenas algumas horas para que esse ano termine e eu precisava escrever para qualquer pessoa, mas você sempre me parece o mais certo. Eu estou escrevendo apenas para me lembrar daqui alguns anos que tive um ano realmente bom. Choveu durante boa parte da noite, mas o calor continua quase que absurdo. E pensar que vivi grandes dias de inverno nesse ano. Você sabe melhor do que eu sobre isso. Estou ouvindo Canções de Apartamento do Cícero. Um dos melhores discos que descobri nesse ano. Não se preocupe. Não pretendo me estender muito. Não entrarei em detalhes sobre trezentos e sessenta e quatro dias. Talvez eu escreva sobre alguns momentos. Talvez eu não me apegue em nenhum. Nada do que eu escrever transformará o nosso ano em melhor ou pior. Ou talvez até transforme. É como se eu escrevesse pra me certificar de que está tudo certo e que tudo correu realmente bem. A verdade é que eu nunca sei. Uma outra verdade: escrevo mais para mim do que para você. Uma última verdade: não existem verdades insolúveis. A diferença nesse final de ano está nessa sensação de que estou conseguindo colocar em prática alguns planos e sonhos. E então do nada eu não me sinto bem. Um sentimento estranho por dentro. Algo como se eu estivesse fazendo tudo errado e ainda não tenha me dado conta. Entende? E é incrível porque durante grande parte do ano eu senti como se estivesse finalmente conseguindo. Conseguindo ser mais leve. E não é fácil levar a vida assim. Porque por vezes nós sabemos o quanto a vida é dura e você tem que tentar se transformar em concreto enquanto não passa de um ser humano feito de carne e osso. E sentimento. A questão é que me sinto realmente pegando o jeito. Não sei se por causa da idade. Ou. Não dê risada. Acho que nos últimos tempos amadureci um bom tanto, afinal já está na hora de amadurecer, certo? Vinte e dois anos. E o que sou? Sou estudante de Letras. Sou alguém que escreve estórias e histórias. Cartas que ninguém lê. Artigos. Textos que publico aqui e espero que alguém entenda. Sou nada e tudo ao mesmo tempo. Sou apenas alguém que adora mergulhar em livros e esquecer de vez em quando quem – não – é. Esse ano eu fui. Definitivamente eu fui. Fui eu mesma e várias personagens que inventei. Vivi. Andei muito. Tive saudade. Revivi sentimentos. Vasculhei ruas. Senti o nó na garganta. Chorei de felicidade. Deparei-me com novos olhares lindos. Lindos! Fiquei o mais perto possível dos antigos amigos. Percebi que eu tinha muito o que fazer nessa vida ainda. Embora a infância e a adolescência tenham passado como a ardência de um tapa bem dado no rosto. O tempo passa. O tempo passou. Eu vi muitas pessoas passando rápido demais por essa vida. Eu vi alguns amigos se formando. Eu sorri e comemorei com eles. E enquanto eu pensava em Letras, História, Jornalismo, Direito e tantos outros cursos, afinal esses primeiros são vistos como enfiar a vida num buraco, você esteve comigo. Pois é, meu amigo, eu escolhi Letras e não pretendo fazer outra faculdade quando terminar essa. O motivo está evidente no que sinto por dentro quando piso naquela faculdade e você não vai entender. Ou talvez até entenda, mas dificilmente a gente entende o que se passa dentro do outro. O essencial é realmente invisível aos olhos. O essencial é tudo aquilo que você sente enquanto vira a noite estudando para montar um trabalho ou um projeto para o seu professor e depois respira aliviado – ou não -. É o que você sente quando se senta pra conversar com seus tios sobre uma viagem para o próximo ano. É a conversa na cozinha com sua avó. É o som do acordeão do seu avô em uma manhã de domingo. É o sorriso da sua prima de pouco mais de um ano. É a cerveja gelada compartilhada em um dia quente – ou até mesmo frio – com seus amigos. São todas as paixões que você tem ao longo da vida. É aquela pessoa que faz você se apaixonar por ela todos os dias. É o amor pela sua mãe. É um dia ensolarado num parque. É você do outro lado da tela. Estou falando do que é essencial para mim. O que é essencial para você? Esse ano eu pude sentir ainda mais a vida pulsando por dentro. A vida correndo lá fora. E eu fui junto enquanto a chuva caia e eu me apaixonava uma outra vez. Eu vi as cores da cidade e ouvi os sons da estrada. Talvez um dia eu escreva um livro sobre esses e outros dias. Sobre essa e outras paixões. Eu não sei. Na verdade, eu não sei de muitas coisas. Tenho lido livros teóricos para aprender sobre algumas. Sei que não tenho muita pressa. Eu realmente tenho levado a vida devagar e até que não tem faltado amor. Ao menos não da minha parte. Amor por minha família, pelos velhos amigos, pelos novos amigos, por esse cachorro que tenho deitado sobre os meus pés agora. Amor por cada dia que posso e tenho vivido. Eu comecei a escrever porque precisava expor em palavras alguns momentos, só que existem momentos que você simplesmente não consegue descrever. O importante é que existiram muitos dias dentro desse ano que passamos juntos. Existiram dias em que a distância esteve entre nós, mas não entre nossos sentimentos. Sobre todos esses dias eu quis contar agora, mas não deu. No fim só posso dizer que estou feliz por ter analisado as possibilidades de viver um pouco mais. Olhe ao redor, meu amigo. Respire. Dance. Permita-se. Venha até mim com abraços e sorrisos. Se apaixone mais uma vez. Deixe de ir contra a maré. Eu entendi e aceitei que não adianta lutar contra. Você pode lutar com todas as suas forças se quiser. Passar o resto da vida se negando a aceitar isso, mas existem pessoas que passam por nossas vidas que a gente sempre vai sentir ciúmes, saudades e um tanto de amor. Prometa que nunca mais irá embora. Ou melhor, prometa que sempre voltará. E esqueça tudo que eu disse até aqui. Ou simplesmente guarde com você. Apenas perceba essa vida que corre, mas que te chama pra correr junto. E seja feliz nos próximos dois mil e doze anos sempre que possível, afinal felicidade é só questão de ser...

sábado, 17 de dezembro de 2011

CARLINHOS BROWN


Jorro cachoeira e sangro
Vem, livrai-me desse tombo
Tudo que é meu é seu
Tudo que é de Deus é bom

(Mãos Dengas - Carlinhos Brown)