terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Para Tiago do Amaral


“SE DESPEDE DE MIM COMO UM RAIO E EU QUERENDO O AZUL...”
(Sol no Escuro – Fábio Góes)

Quão bonito pode ser um mundo que não conhecemos, meu amigo? Um mundo que existe do outro lado da tela, do outro lado de um rio ou de um país. O que de lindo pode ter numa amizade entre duas – ou mais pessoas – que nunca se viram dentro do olhar um do outro? O que de perfeito pode ter entre duas – ou mais pessoas – que nunca sentiram o cheiro um do outro enquanto se abraçam? Hoje não é um dos melhores dias para te escrever, meu amigo. Só que eu tive essa necessidade e agora eu te peço desculpas por nunca ter escrito antes. Fico aqui com o pensamento voltado para você, para a mínima possibilidade de que sempre soube do nosso amor por você. Você precisava saber mesmo que as palavras estivessem ausentes. Mesmo que não houvesse nada além de uma risada. Ainda sinto como se fosse só uma brincadeira de mau gosto saber pelo seu pai que você foi embora bancando o herói, logo você que salvou tantas vezes os nossos dias se fazendo presente em nossas vidas. Logo você, meu amigo. E ficar agora com essa sensação de impotência diante da vida. Pensar que nunca faremos um encontro completo porque você não estará lá. Pensar que você estará lá de alguma maneira. A gente nunca se viu, meu amigo. Apenas fotografias e conversas digitadas na pressa do dia-a-dia e das risadas compartilhadas. A gente nunca se viu, mas que importância tem isso diante de sentimentos que a gente sabe que podem ser construídos em todos os cantos? Basta querer. E a gente quis. A gente tinha disposição para sentir. E não importa quão grande a morte queira sempre se mostrar diante de nós. Essa maldita morte que insiste em nos jogar na cara que é sempre dela a última palavra. Não é, meu amigo. Você ficou em nós apesar da distância. Você permanecerá em nós porque o mais importante é meu – e de todos os seus amigos -. O mais grandioso foi o seu riso e ele ficou entre nós e não se apagará jamais.

Com amor – sempre com muito amor -,

Camila Aguilera e “Família Delchat” 

3 comentário(s):

Bruno. disse...

É Cah, como você disse, isso só nos faz nos sertir ainda mais impotentes diante da morte. Você traduziu muito bem o sentimento de todos do chat. Fez jus ao nosso amor pela literatura. Saudade dele "gritando": AHHHH VIADO! Que o Ti descanse em paz.

Dell disse...

Poxa! Por favor...Alguém pode me contar o que aconteceu com o Ti? Sou amiga dele do Ceará e não estou entendendo ....

Camila Aguilera disse...

Oi, Dell. Então, infelizmente o nosso amigo partiu tem alguns dias. Só ficamos sabendo ontem porque o pai dele enviou um e-mail para a lista de amigos dele e nos contou.