quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

DO QUE EU ENTENDO POR AMOR


                                                                               Imagem por Paula Soraggi

Existe uma pessoa em minha vida que por mais que eu queira escrever sobre jamais será o bastante. Essa pessoa é quem me conquistou em um dia aparentemente normal. E eu digo aparentemente porque depois desse dia eu demorei muito tempo pra sentir algo que fosse ao menos parecido. Quando eu vivi o maior dos sentimentos que tive até hoje era essa pessoa que estava lá. Com o sorriso e o olhar mais bonito que já presenciei. Houve um tempo nessa vida em que eu amei tanto. Existiram meses e mais meses em que busquei essa pessoa em todas as possibilidades de paixões que tive. Nunca alcancei. Exatamente porque amor não deve ser comparado com meras paixões. Hoje – e faz tanto tempo – eu sinto como se não tivesse vivido tantos dias assim. Hoje – e faz tanto tempo – eu sinto como se tivesse vivido uma vida toda nesses dias. E de vez em quando é como se o tempo ainda não tivesse passado o suficiente. Porque essa pessoa ainda é meu presente. Porque existem todas essas cartas que me rodeiam agora e que eu nunca te enviei. Existem todas essas cartas escritas por alguém que eu não reconheço mais. Ou até reconheço, mas só quando estamos ao telefone e eu escuto a tua voz. Existem todas as canções em que você está. Os livros e frases que parecem ter sido sempre escritos para me lembrar de você. E todas as fotografias de dias em um outro lugar onde não registrei o seu sorriso. O sol já está se pondo agora. E enquanto eu te escrevo faz um frio que é incapaz de tomar meu coração nos momentos que penso em você. O vento sopra lá fora, mas nunca é o suficiente para levar embora todos os sentimentos que ainda tenho. E tenho pensado muito em você nesse começo de novembro. Nesse amor que jamais poderá ser comparado. Por tudo que você significou. Por tudo que deu errado para chegar hoje e eu pensar que não poderia ter dado mais certo. Anos depois e ainda estamos aqui. Depois de eu ter te deixado livre mesmo tendo certeza de que você não voltaria. O tempo continua passando enquanto eu só penso em continuar porque não posso voltar. Existiu dentro de um momento você e uma fração de segundos que não sei definir se me perdi ou me encontrei. Existiu dentro dessa minha vida uma pessoa que se parece muito com você e que eu amei além do que podia. Existe você dentro dessa vida que eu espero e conto os dias para poder sentir uma outra vez o abraço que durante meses foi tudo que eu quis. Por tudo que eu tenho vivido. Por todo tempo que nos permitiu amadurecer. Por todo o tempo que sempre me faz sentir sua falta. E tudo o que poderíamos ter vivido e não vivemos. Por essa pessoa que me conquistou para o resto da minha vida. Nada mais doerá a partir de agora. Só me restará essa falta que eu vou sentir em boa parte da minha vida por nunca mais ter você – que continua sendo a mesma pessoa – aqui preenchendo grandes espaços dentro de mim, assim como eu tive um dia e nem faz tanto tempo assim. 

Escrito em 03 de Novembro de 2011 por Camila Aguilera


sábado, 11 de fevereiro de 2012

O AMOR EM TEMPOS DE CARNAVAL




É apenas mais um sábado de fevereiro. E enquanto todos esperam – ou fingem que esperam – alguma coisa de um sábado à noite, eu simplesmente percebo que hoje não passa de um dia normal.  Ou não tão normal assim. Separei alguns livros para ler. Estou ouvindo Moves Like Jagger e ao invés de pensar em sair pra dançar logo mais a noite chegue, só consigo rabiscar uma ou outra frase sem sentido. Há pouco apaguei uma mensagem no meu celular. Um “eu te amo” que com certeza foi digitado na correria de um dia que está apenas começando. É fevereiro. Mais alguns dias e estaremos no carnaval. Apaguei a mensagem porque agora não é hora de pensar no amor. Não porque é carnaval. Eu apenas não estou afim. Resolvi de maneira racional que agora só me apaixono daqui alguns anos. Uma simples decisão. Que obviamente não vou cumprir. Por que? Porque eu nunca escolhi em que momento da vida eu iria me apaixonar. E não venham me dizer que vocês escolheram. Até porque o amor ou a paixão – ou qualquer estado de encantamento que resulte nesses dois sentimentos - pode acontecer em qualquer momento. Pode até mesmo acontecer agora enquanto eu escrevo esse texto e de repente alguém se faz presente no meu pensamento e eu percebo que já era. Pronto. Passou a racionalidade. Porque o amor existe para ser vivido. E o amor está em todos os lugares. Está nas mensagens apagadas. Está nas cartas que você nunca recebe. Está até mesmo naquela balada lotada de pessoas que dançam de maneira estranha até o amanhecer. O amor está em todas as pessoas e facilmente pode ser encontrado. As pessoas é que andam complicando demais. Parece que se tornou uma espécie de moda querer se apaixonar, mas não querer que seja exatamente agora. E então as pessoas reclamam. Reclamam quando se apaixonam, reclamam quando não. Enquanto isso o amor, a paixão e o encantamento estão em todos os becos sem saída e as pessoas continuam passando batidas por eles. Quando o encontram numa barba por fazer o querem com o rosto liso. Com olhos azuis, preferem os castanhos. Alguns quilos acima do peso e se voltam para a academia. Quando perto, se sentem sufocadas. Quando longe, desistem. E depois dizem que o amor é complicado demais. Nós é que somos. Estipulamos datas para tudo hoje em dia. Até mesmo para se apaixonar. Quem dirá para o amor. Ainda há quem acredite em “para sempre”, mas quem é que vai querer começar uma história assim aos vinte anos de idade com o carnaval chegando? Existe amor em todos os cantos, mas insistem em procurar. Esqueçam. O amor há de surgir na sua frente com olhos verdes, cabelo desarrumado e calça jeans. Você espera mesmo por uma roupa mais social? O seu amor pode muito bem surgir vestido de bermuda e abada. Fazer o que? Carnaval não é vacina para não se apaixonar.

Por Camila Aguilera

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

É UMA DAS TRADUÇÕES DO QUE É O AMOR




Eu espero que esse céu que nós – de certa forma – buscamos durante toda a vida seja realmente o céu que nós buscamos durante toda a vida. Juntos. Faz calor lá fora, mas aqui dentro. Contrastes que a gente aprendeu a lidar. E nossa casa está vazia agora. Não de móveis e sons dos meus passos. Vazia de você. Transbordando de você. Não foi agora a pouco que eu percebi o quanto te amava. Eu não precisei perder para saber o tanto de amor que sentia. E sinto. Por seus olhos, mãos, sorrisos. Risos. Eu soube que te amava durante mais de cinqüenta anos. Durante todos os dias que eu mal posso contar agora. Eu vou saber desse amor até que não seja mais possível. Eu vejo esses jovens que por vezes desacreditam dos sentimentos. Nesse amor eterno descrito e inventado nesses romances de novelas, filmes ou livros. Só que eles se esquecem que deve existir uma base nessa invenção toda. Estórias nascem de histórias. E a nossa daria um bom filme, mas a gente fez questão de que fosse real. A gente ousou em uma outra época, a gente acreditou em nossos sentimentos. Houve dentro de nós dois um amor que durou para sempre e não só até quando você pôde segurar em minhas mãos que agora são tão frágeis. Houve dentro de nós um amor que nos fez enxugar as lágrimas um do outro para que depois soubéssemos o valor de uma alegria. O “até que a morte nos separe” existe e não existe, porque amor não se separa, ele se compartilha. E esse amor permanecerá e renascerá durante todos os dias. O amor continuará dentro de mim e em cada rua e em cada passo meu e  em cada sorriso de nossos filhos e em cada momento que eu me lembrar de você, de mim. De nós. 

Por Camila Aguilera