terça-feira, 27 de março de 2012

BLIMHLJ




Eu gosto de pensar que somos eternos. Para sempre. Infinitos. Em nossos abraços. Em nossos risos. Olhares. Por vezes eu só queria que algumas coisas permanecessem. Porque eu não quero pensar na possibilidade de escrever sobre vocês daqui alguns anos e sequer saber por onde todos andam. E então ouvir no rádio algo como I’ll be there for you e sentir que a vida é feita de uma nostalgia que só cresce enquanto a gente não pode voltar atrás. Eu quero ter certeza de que seremos eternos. Para sempre. Infinitos. Apesar de nossas diferenças. Erros. Eu queria que fosse sempre como quando penso em vocês e sinto meus olhos brilharem, enquanto um sorriso se forma no meu rosto. Eu pareço morrer um pouco a cada vez que concluo que a eternidade não nos abraçará. Porque eu queria que fossemos jovens como um dia já fomos. Porque eu ainda gosto de fazer planos para uma viagem antes que nos tornemos ainda mais velhos e cheios de coisas para fazer. Sem tempo de rever os amigos. Sem tempo de amar um pouco mais. Será possível que realmente não ficaremos para sempre? Porque eu não sei como. Eu simplesmente não sei como vou reagir ao me lembrar do sorriso com gosto de areia da pré-escola, dos jogos de queimada no fundo do colégio, das disputas no vídeo-game, das brigas que não duravam uma semana – mas doíam tanto -, da sorveteria nas tardes de domingo, das ruas dessa cidade, das tantas cervejas. E risos. Uma vida – quase que - inteira. Como é que eu vou me olhar no espelho, ver meu rosto envelhecendo e não me lembrar de vocês? Porque nós temos algo que vai além de certa obra do destino ou de sorte, vai além dos nossos erros e acertos. O que nós temos é o que ainda me faz acreditar em bons sentimentos. Infinitos. Para sempre. Eu gosto de acreditar que ainda podemos ser eternos.
No one could ever know me
No one could ever seem me
Seems you're the only one who knows
What it's like to be me
Someone to face the day with
Make it through all the mess with
Someone I always laugh with
Even at my worst, I'm best with you, yeah

It's like you're always stuck in second gear
When it hasn't been your day, your week, your month, or even
your year.

I'll be there for you (when the rain starts to pour)
I'll be there for you (like I've been there before)
I'll be there for you ('cause you're there for me too)


Escrito em 15 de fevereiro de 2011 por Camila Aguilera
Canção: I'll be there for you - The Rembrandts

sexta-feira, 16 de março de 2012

Dia 17

Março. O calor se mostra presente pelas gotas de suor que você carrega no corpo. Novembro. Novembro. Ando tão sem inspiração. Já busquei filmes europeus. Maria Bethânia. Arnaldo. Keane. Nada. Nada. Essa vida da gente é mesmo esquisita. Passa. Passa. Nunca espera. Eu ainda estou tentando desamassar a minha roupa. Passou. Passou. Não me prendo. Arrisco um timbre. Amasso o jornal. Desligo a tv. As pessoas andam cada vez mais desacreditadas do amor enquanto eu quase me envergonho de tanto que sinto. É tanto. Tanto. Mais um pouco e esse sol me derrete. Mais um tanto e eu nem sei. Noites de verão e são os bares que ganham com nossos sorrisos, conversas incapazes de se fazerem entender e de vez em quando uma poesia barata no guardanapo. Mais algumas doses. Lágrimas. Amores eternos que não duram uma vida. Passou. Passou. Sonhos são feitos para serem sonhados a dois. Ou até mesmo a três. Mais fácil para suportar e seguir em frente quando algo dá errado. Sonhos. Sonhos. Realidade. Pesadelo. Tudo depende da importância que você destina a eles. E sobre tudo que eu gostaria de escrever. Acabou. Acabou. 

Março, um maço gasto e eu não me acho...


Por Camila Aguilera

Trecho: Primeiro de Agosto - Banda Transmissor

CHEGAR AQUI NO MESMO LUGAR



Foto por Jéssika Almeida 

Espera pra ver se você não acha 
eu e você num caminho só... 


E então reconhecer você que me sorri em meio a um presente tão confuso. Reconhecer você que eu acolho nos braços e afago. Nuca. Mãos. Costas. De repente te beijar a boca sem gostos maiores. Sem vodca, chiclete de morango ou cigarros. O sabor da tua boca e nada mais. Encontrar em você o que sempre busquei em mim. Gostar em você o que não aceitei nos outros. Sorrir pelas bobagens que diz. Falar de coisas sinceras. Não me preocupar em dizer que amo você. Ter certeza que você sabe do tamanho do meu amor. Repetir incansáveis vezes o quanto te quero ao meu lado. Levar seu café da manhã na cama e permanecer nela durante horas. Fazer planos. Querer viver só contigo. Sentir depois de tantos anos o coração acelerar como nas primeiras vezes. E escrever sobre sentimentos enquanto te ouço falar sobre corações. Entrelaçar meus dedos nos seus em sinal de afeto. Respirar o amor. Ter você como inspiração pra tudo que eu fizer. Voltar pra casa e ter você me esperando com flores. Não esperar que você se lembre que eu prefiro chocolates. Sentir-me protegida no seu abraço. Ter certeza de que volto depois de ter quebrado alguns copos e batido a porta. Saber que terei de ir atrás de você depois das nossas discussões. Ter esperança de que você entenda meus longos diálogos. Saber que você precisa dos seus momentos de silêncio. E então me acostumar com seu jeito inconstante. Vencer o tédio com você. Ser vencida pelo tédio com você. Assistir uma comédia romântica. Esconder minha cabeça em seu ombro por um filme de terror. Sentir seu cheiro e concluir que não existe nada melhor. Não querer saber se existe nada melhor. Sentir sua falta por ficar semanas ou apenas uma hora distante. E então saber que sou melhor quando estou com você. E te escrever cartas de amor. E ler trechos de um romance qualquer enquanto sinto o seu olhar bobo sobre mim. E rir da vida após várias doses em uma noite qualquer. Ficar feliz por saber que me ama apesar de todos os meus defeitos. Ser apaixonada por você e seus gestos e jeitos e sorrisos. Ouvir teu rock and roll e te contar animada sobre a mais nova canção antiga que descobri. Sonhar com o final feliz dos livros infantis. Ter a calma de quem reconquista um amor todos os dias. E então simplesmente amar você e não ir muito além dos clichês.

Por Camila Aguilera

terça-feira, 6 de março de 2012

AS MOÇAS

Por Diogo Reis

E, independente do que dissessem, era uma moça muito triste.

Triste não necessariamente por levantar cedo todos os dias, ou fazer café, trabalhar e viver uma vida fechada, com tão poucas pessoas e situações. Sua tristeza vinha de outras fontes, fontes misteriosas, e ela não abria muito disso para ninguém.
Triste, aliás, não diz muito. Posso tratar, aliás, vida daquela moça simplesmente como algo que não deu certo e fim, como um romance que termina sem antes começar – e essas outras coisas que não funcionam mesmo, de qualquer modo. Eis que, porém, não há dor da minha parte, ou pena. Não me comovo com estado tal de espírito ao qual chegou essa moça.
Isso porque, em primeiro lugar, ela é uma moça tediosa, uma moça da cidade grande, e não merece detalhes. Em segundo lugar, não tenho tempo para me preocupar com seus problemas inventados. Tenho em mim uma moça doce de uma cidade pequena que também tem problemas mas é feliz. Vive aqui dentro e lá fora uma moça que, independente do que disserem, será sempre um bom exemplo para provar que, se a moça da cidade não está errada, ao menos está sem verdadeiros motivos.
Essa moça que carrego comigo também me fala outra coisa sobre a moça da cidade: ela me diz que há fraqueza. Porque essa moça da pequena cidade me mostrou que as coisas são complicadas e duras e complexas e que não há nada que se possa fazer senão encarar. Aliás, a menina de longe me ensinou muito. Terei eu como, um dia, encontrar a moça da cidade grande e dizer-lhe: “Conheço uma garota de longe que me provou que a dor que agora você sente não existe. Conheço uma menina de uma cidade pequena que, acima de tudo, me contou que você não deveria ser tão triste”?
Talvez em um ônibus, talvez em um cruzamento pouco famoso de duas ruas quase desconhecidas. Mas não quero encontrar, na verdade, essa moça triste que sei que aqui existe em algum lugar.
A moça que planejo ver mora longe e aqui dentro, e é feliz.


Nota: Tem como não amar alguém como Diogo Reis?

Nota 2: Esse texto como meu melhor presente de aniversário por meus vinte e um anos.

UMA OU OUTRA VERDADE

"- Dizem que todos tem um ponto fraco, não é? Acho que o seu é o amor."
(Luana Carolina me enxergando melhor do que eu mesma) 


Ouvindo: Save you - Matthew Perryman Jones

quinta-feira, 1 de março de 2012

É A PROMESSA DE VIDA NO MEU CORAÇÃO


                                                                   Foto com Gabriela Ciolini

"Penso: quando você não tem amor, você ainda tem as estradas."
- Caio F. in Cartas

Desculpem-me a falta de jeito hoje, mas eu percebi que vocês andam esperando muito da vida. Um amor, uma casa, um bom filho, uma felicidade em todos os segundos. Olhem para mim. Até ontem eu vivia acreditando no amor e escrevia textos e mais textos sobre esse sentimento. Hoje eu continuo aqui escrevendo para vocês e anotando numa folha em branco alguns projetos que quero realizar. O que eu fiz com o amor que sentia? Simplesmente não sei. Talvez só tenha deixado de acreditar em uma ilusão que já durava tempo demais. Não posso dizer que o ano começa somente após o carnaval, mas a minha vida recomeçou hoje após eu acordar e perceber que meu coração pode se refazer uma outra vez. Enquanto isso, eu permito que o tempo tome conta de todo o resto - que não tem nada de pouco -. E agora só me resta – e reparem que também é bastante – seguir em frente e conhecer todas as outras possibilidades onde aquele amor não está.

Por Camila Aguilera