sexta-feira, 27 de abril de 2012

SE FAZ ETERNO


Andamos pelas cidades do país, sabemos ir até a casa de um amigo, sabemos onde fica o mercado, o médico, o restaurante, o café; mas na maioria das vezes não sabemos o nome das ruas onde ficam todos esses lugares e quando o sabemos é por mera consciência do próprio nome e da repetição do mesmo todas as vezes que precisamos ir a esses mesmos lugares.  Salvo raras exceções, no universo das avenidas, ruas, becos, escadas e escadinhas, praças e jardins, quer saibamos ou não o seu nome, não conseguimos saber quem é o Homem ou o Acontecimento inscrito nas placas que lhes dão o nome. Parece que falamos de alguém que sabemos o nome e até já vimos, mas não sabemos quem é. Sempre tive o cuidado de ler esses nomes. Ler!  E, sem querer parecer aborrecido por ter perdido o que já tinha feito pra ti ou pretensioso demais, proponho aqui dizer algumas palavras sobre um nome que cruzou a minha vida e que me faz feliz todos os dias. Assim seja. Existem tantas suposições acerca da vida da gente, o que fizemos ou que fazemos o que vamos ainda fazer, tanta coisa alheia que a gente quer pertencer e a única certeza que temos é o medo que nos pertence (falamos dele ontem, falamos dele quase todos os dias, aliás). Medo esse que nos pertence, nós que somos os verdadeiros protagonistas da vida real, não existimos nas novelas porque isso de fama é efêmero e o sonho não passa de um entretenimento. Vivemos distraídos com isto, aquilo, aquele e, sobretudo, o outro. A primeira vez que falei com você foi através do Caio, lembro sempre de você me dizer o quanto gostava das coisas que eu escrevia, no quão sempre é imenso o tempo a todas as nossas conversas, você sem muito entusiasmo, eu cheio de atenção. Dividimos sempre, partilhamos dúvidas, opiniões e, sobretudo corações. E já passamos por tantas coisas, e você ainda aqui, que feliz. Eu te enviava os meus textos e você queria que eu lesse os teus. E eu sempre ou quase sempre intervindo e questionando o porquê de tanto amor, como se fossem importantes as coisas que eu achava. Mas você sempre achou que sim, você sempre fez com que eu me sentisse importante. Às vezes ficamos dias sem nos falar e depois atropelamo-nos com tanto assunto pra colocar em dia e assunto é coisa que nunca falta, não há de faltar, porque existem sempre ideias e projetos e sorrisos e calendários, esses que não vão tardar para tudo que almejamos fazer. E temos tantas coisas planejadas não é verdade? Tantas coisas, coisas pessoais e profissionais. Eu sempre estarei aqui. Sempre vou querer saber o que tu andas a fazer nessa vida. Porque amigos servem exatamente pra isso, pra nunca esquecer. ‘Somos o que somos e não aquilo que querem que sejamos’ clichê né? Mas uma verdade maior que a gente!  Que tu saibas renascer sempre, lutar contra as coisas ruins que apareçam nesse longo percurso e que saiba aproveitar os bons momentos ao máximo. A vida é somente dois lados de uma moeda, certamente existirão as escolhas certas e erradas, mas aí, cabe a ti aprender com os seus erros, quanto a mim, vou estar aqui independente da tua escolha, você sabe disso. Sempre ‘perto de você’. O parabéns é teu, mas o muito obrigado é inteiro meu! Amo você.

(Escrito por Thiago em 16 de abril de 2012)

domingo, 15 de abril de 2012

DEZESSEIS DE ABRIL DE DOIS MIL E DOZE



Todos os dias quando acordo não tenho mais o tempo que passou, mas tenho muito tempo, temos todo tempo do mundo...

Olho a rua pela janela do quarto. Eu costumava andar por essas mesmas ruas e sorrir. Faz algum tempo. Eu andei por esses asfaltos. Pisei em alguns pisos frios. Eu tentei viver. O máximo que me foi possível. Eu senti o amor. E algumas paixões. O gosto das lágrimas eu me lembro bem. O gosto da minha infância foi morango. O sentimento foi felicidade. Acho que a infância é o mais perto que podemos chegar dessa palavra. Não se preocupem. É só um pouco de nostalgia. A vida da gente de vez em quando precisa de uma injeção de café que ninguém dá. A não ser nós mesmos. Então eu estou injetando. Escrevendo. Lutando. Hoje é um dia feliz. Eu estou bem. Contente. Minha mãe abre a porta e se ousasse ler o que escrevo, certamente tiraria o lápis de minha mão e diria que é uma mentira. É uma mentira. Eu mesma que inventei. Desenho em minha mente os próximos dias. Há de ter um pouco de frio e céu azul. Estou apenas acreditando. O que há de mal nisso? Estou apenas refletindo sobre a minha vida enquanto recupero leituras, canções e fotografias. Enquanto me olho no espelho e Leminski vem me dizer que Isso de querer ser exatamente aquilo que a gente é ainda vai nos levar além. Lembro-me de você. Um desses amores – ou gostares – que vieram para acalmar o coração embora não tenha – outra vez – dado certo. Eu estou bem. Hoje. Dezesseis de abril de dois mil e doze. Estou escrevendo vinte e três dias antes do mesmo. Não me encontro bem, mas aos poucos sinto uma onda de esperança de que mais um tanto de tempo e tudo estará brilhando novamente. Porque eu estou batalhando por isso. Quase vinte e três anos. Lenine me embala com seus versos. Enquanto o tempo acelera e pede pressa / Eu me recuso, faço hora, vou na valsa / A vida é tão rara. A vida realmente não para, mas eu estou forte, embora algumas pessoas me vejam como alguém frágil que vai se quebrar tão logo uma nova paixão chegue. Eu realmente vou me quebrar. Em mil pedaços. Só não se esqueçam de que eu me recupero. Eu me refaço. Estou me tornando melhor. Estou vivendo. E preciso de amor. De paixões que me destruam. Alguns encantamentos. Amigos como os que tenho agora. Releio Para uma avenca partindo. Os Sobreviventes. Sobrevivo. Caio está sempre apontando minhas feridas para logo depois passar a mão sobre minha cabeça e dizer que tudo ficará bem. Respire, respire. Conte até dez, até vinte talvez. Daqui a pouco ele vai começar a se transformar em outra coisa, o momento presente. Está tudo bem. Embora eu sinta medo do tempo. Duelo contra ele todos os dias. Perco sempre. Reajo e continuo. Estou feliz. Não agora. No meu aniversário. No dia dezesseis. Quero abraços. Afagos. Mensagens. Se façam presentes de todas as formas possíveis. Até mesmo vocês que estão longe, mas permanecem aqui dentro. O lugar é seguro. O meu coração é do tamanho do mundo que quero carregar no peito. Os olhares. Os sorrisos. Os passos. Os discos. Os textos. Espere. Carrego também o seu olhar. O seu sorriso. Ainda hoje. Eu amo você. A linha separou essa frase agora. Tudo bem. Existe tempo ainda. Desejem-me um dia bonito. Fé. Esperança. Amor. Um sonho com todos vocês dentro dele.  Deseje-me. Eu estou feliz. Acreditem. Apesar das lágrimas nos olhos que tenho agora. O tempo está passando e eu tenho certeza de que estou fazendo muito mais do que simplesmente envelhecer. Eu estou apenas pedindo pra que vocês estejam comigo no dia dezesseis.E em todos os outros dias da minha vida. No olhar. No sorriso. Nos passos. Nos discos. Nos textos. Estou pedindo pra que Deus abençoe os próximos dias. Meses. Anos. Abençoe a mim. A vocês. Que eu não perca jamais a minha fé. Estou querendo só um pouco mais de paciência, amor e paz em cada passo que eu der. E só.

Desaparecer no vento / E acordar num outro instante / Nó na imensidão do tempo / Dor do sentimento faz / Mas se faltar a paz / Se faltar a paz / Se faltar a paz, Minas Gerais...


...

Mãe. Avô. Avó. Tios. Tias. Pai. Miriam. Osni. Isa. Henrique. Marta. Edson. Juninho. Bruna. Acauã. Letícia. Marianny. Neto. Leonardo. João. Lukas. Paula. Lari. Carlo. Diogo. Luana. Lívia. Thiago Deus. Thyago. Bruno. Fran. Samarone. Samyra. Andréia Ferreira. Brenda Wanzeler. Jéssika Almeida. Larissa Melo. Julliana Ventura. Ananda Andrade. André Fabrício. Mahx. Thi. Bih. Marcos Dutra. Sarah. Bruna Peitl. Bruno Ferreira. Marcela. Dan Demetrio. Fabrício Leal. Luiz. Paulinha. Claudinho. Daiane Rakelly. David. Fran. Natz. Dani. Camilla. Carine. Isabeli. Mayara. Professores.

Nesse momento misturo passado, presente e até mesmo futuro, pois tenho acreditado muito nele enquanto penso em vocês. 
Obrigada por durante esses anos que vivi até hoje terem me feito saber o que é amizade, paixão, encantamento, saudade, gostar, felicidade, querer, amor...

Sou toda de sentimentos bons por vocês.

Com amor – sempre com amor -,

Camila Aguilera

quarta-feira, 4 de abril de 2012

ANTES QUE TERMINE...



- Antes que termine o dia. Ou o sentimento. Eu gostaria de te dizer algumas coisas. Antes que termine o mês. Não o sentimento. Talvez amanhã ou só ano que vem. Tenho tempo de sobra. Ou nem tanto. Não importa. Queria te dizer dos sonhos. Só que tenho apenas realidade agora. Espera. Senta e toma um café. Deixa a cerveja pra depois. Essa conversa pode demorar alguns minutos. Algumas horas. Tempo. Destina-me um pouco do seu. Enquanto eu escolho um disco com uma ou outra canção que me lembre da gente. In the light of the sun, is there anyone? Não me olhe assim. Não tive culpa. Não tivemos. O tempo brincou com a gente. Meu coração brincou comigo. Enquanto eu soube desde o inicio que existia em você uma possibilidade de amor, soube também que não existiria espaço em você para uma outra pessoa. Ao menos não o espaço que por algumas vezes desejei. Você com suas rimas. Eu com minhas palavras desconexas. Só o amor faria sentido. Não é o caso agora. Aos poucos. Não era necessário que tivesse pressa em te abandonar. Eu precisava de um pouco de paz. E isso você me trazia. Só que de vez em quando eu precisava sorrir. E então. Tudo bem. A vida é assim mesmo. Não tente entender. Eu bem que tentei quando você chegou. Certo é que eu não tentarei quando partir. Eu vou sentir um alivio. Vou te acenar em acordo. Não pense que não foi bom. Até foi. Tive tempo de pensar. De querer. Sentir. Ao menos temos de concordar que era preciso um tempo. Um outro tempo. Tudo bem. Enquanto tento te falar sobre todas as coisas que ainda estão em mim, eu penso que talvez essa não seja a melhor maneira. Na verdade, eu só estou te prendendo aqui porque quero ficar te olhando por mais alguns minutos. Enquanto a chuva lá fora molha o asfalto. Renova as esperanças. Não as minhas. Você pode ir agora. Eu não vou atrás. Não tão cedo. Eu sei que você vai voltar. E você sabe que eu vou atrás caso o pior aconteça. Acende um cigarro. O que nós poderíamos ter construído seria lindo. E nem por isso o que temos deixa de ser tão bonito quanto. Espera. Não beba tão rápido assim. Este café vai acabar com nosso estômago. Está tudo bem. Já estou terminando. Mais um pouco e eu poderei inventar um novo romance. Não sorria dessa maneira. Esse não é o momento de me apaixonar um pouco mais. Eu deveria beber qualquer coisa agora, mas as cervejas e algumas doses me fariam falar demais. E não é necessário. Durante esse tempo todo, eu sei que independente de ter escrito, falado ou silenciado, você soube que havia amor em mim por seus olhos, sorrisos e passos - que não vieram ao encontro dos meus -. A questão aqui, meu bem, é que se você sente, você paga o preço e eu estou pagando o meu. 

Por Camila Aguilera