domingo, 15 de abril de 2012

DEZESSEIS DE ABRIL DE DOIS MIL E DOZE



Todos os dias quando acordo não tenho mais o tempo que passou, mas tenho muito tempo, temos todo tempo do mundo...

Olho a rua pela janela do quarto. Eu costumava andar por essas mesmas ruas e sorrir. Faz algum tempo. Eu andei por esses asfaltos. Pisei em alguns pisos frios. Eu tentei viver. O máximo que me foi possível. Eu senti o amor. E algumas paixões. O gosto das lágrimas eu me lembro bem. O gosto da minha infância foi morango. O sentimento foi felicidade. Acho que a infância é o mais perto que podemos chegar dessa palavra. Não se preocupem. É só um pouco de nostalgia. A vida da gente de vez em quando precisa de uma injeção de café que ninguém dá. A não ser nós mesmos. Então eu estou injetando. Escrevendo. Lutando. Hoje é um dia feliz. Eu estou bem. Contente. Minha mãe abre a porta e se ousasse ler o que escrevo, certamente tiraria o lápis de minha mão e diria que é uma mentira. É uma mentira. Eu mesma que inventei. Desenho em minha mente os próximos dias. Há de ter um pouco de frio e céu azul. Estou apenas acreditando. O que há de mal nisso? Estou apenas refletindo sobre a minha vida enquanto recupero leituras, canções e fotografias. Enquanto me olho no espelho e Leminski vem me dizer que Isso de querer ser exatamente aquilo que a gente é ainda vai nos levar além. Lembro-me de você. Um desses amores – ou gostares – que vieram para acalmar o coração embora não tenha – outra vez – dado certo. Eu estou bem. Hoje. Dezesseis de abril de dois mil e doze. Estou escrevendo vinte e três dias antes do mesmo. Não me encontro bem, mas aos poucos sinto uma onda de esperança de que mais um tanto de tempo e tudo estará brilhando novamente. Porque eu estou batalhando por isso. Quase vinte e três anos. Lenine me embala com seus versos. Enquanto o tempo acelera e pede pressa / Eu me recuso, faço hora, vou na valsa / A vida é tão rara. A vida realmente não para, mas eu estou forte, embora algumas pessoas me vejam como alguém frágil que vai se quebrar tão logo uma nova paixão chegue. Eu realmente vou me quebrar. Em mil pedaços. Só não se esqueçam de que eu me recupero. Eu me refaço. Estou me tornando melhor. Estou vivendo. E preciso de amor. De paixões que me destruam. Alguns encantamentos. Amigos como os que tenho agora. Releio Para uma avenca partindo. Os Sobreviventes. Sobrevivo. Caio está sempre apontando minhas feridas para logo depois passar a mão sobre minha cabeça e dizer que tudo ficará bem. Respire, respire. Conte até dez, até vinte talvez. Daqui a pouco ele vai começar a se transformar em outra coisa, o momento presente. Está tudo bem. Embora eu sinta medo do tempo. Duelo contra ele todos os dias. Perco sempre. Reajo e continuo. Estou feliz. Não agora. No meu aniversário. No dia dezesseis. Quero abraços. Afagos. Mensagens. Se façam presentes de todas as formas possíveis. Até mesmo vocês que estão longe, mas permanecem aqui dentro. O lugar é seguro. O meu coração é do tamanho do mundo que quero carregar no peito. Os olhares. Os sorrisos. Os passos. Os discos. Os textos. Espere. Carrego também o seu olhar. O seu sorriso. Ainda hoje. Eu amo você. A linha separou essa frase agora. Tudo bem. Existe tempo ainda. Desejem-me um dia bonito. Fé. Esperança. Amor. Um sonho com todos vocês dentro dele.  Deseje-me. Eu estou feliz. Acreditem. Apesar das lágrimas nos olhos que tenho agora. O tempo está passando e eu tenho certeza de que estou fazendo muito mais do que simplesmente envelhecer. Eu estou apenas pedindo pra que vocês estejam comigo no dia dezesseis.E em todos os outros dias da minha vida. No olhar. No sorriso. Nos passos. Nos discos. Nos textos. Estou pedindo pra que Deus abençoe os próximos dias. Meses. Anos. Abençoe a mim. A vocês. Que eu não perca jamais a minha fé. Estou querendo só um pouco mais de paciência, amor e paz em cada passo que eu der. E só.

Desaparecer no vento / E acordar num outro instante / Nó na imensidão do tempo / Dor do sentimento faz / Mas se faltar a paz / Se faltar a paz / Se faltar a paz, Minas Gerais...


...

Mãe. Avô. Avó. Tios. Tias. Pai. Miriam. Osni. Isa. Henrique. Marta. Edson. Juninho. Bruna. Acauã. Letícia. Marianny. Neto. Leonardo. João. Lukas. Paula. Lari. Carlo. Diogo. Luana. Lívia. Thiago Deus. Thyago. Bruno. Fran. Samarone. Samyra. Andréia Ferreira. Brenda Wanzeler. Jéssika Almeida. Larissa Melo. Julliana Ventura. Ananda Andrade. André Fabrício. Mahx. Thi. Bih. Marcos Dutra. Sarah. Bruna Peitl. Bruno Ferreira. Marcela. Dan Demetrio. Fabrício Leal. Luiz. Paulinha. Claudinho. Daiane Rakelly. David. Fran. Natz. Dani. Camilla. Carine. Isabeli. Mayara. Professores.

Nesse momento misturo passado, presente e até mesmo futuro, pois tenho acreditado muito nele enquanto penso em vocês. 
Obrigada por durante esses anos que vivi até hoje terem me feito saber o que é amizade, paixão, encantamento, saudade, gostar, felicidade, querer, amor...

Sou toda de sentimentos bons por vocês.

Com amor – sempre com amor -,

Camila Aguilera

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