sábado, 16 de junho de 2012

O PRESENTE PODE SER PASSADO


                                                                Foto por Gabriela Ciolini

Todo dia se permita sair por ai. Como se não existisse mais ninguém que lhe desse a sensação de que o coração está sendo esmagado por milhares de mãos. E então, de repente, não existe mais nada. Nem sequer mundo. Embora você levemente se lembre de que pisa em algo concreto. Existe você e seus sentimentos. Já esquecidos. Você. Seus sentimentos. Pensamentos. Caminhe sem pressa. Sente-se em algum lugar. Qualquer lugar com uma boa sombra. Sinta o vento que te bagunça os cabelos. Permita-se sentir o sol te queimar a pele ou a chuva fingir que te lava a alma. Sinta. Lembre-se dos seus sentimentos. Planos. Sonhos. Respire o ar que está leve. Não importa se depois de um tempo sentindo que tudo se tornou calmo e inabalável ao seu redor, você apenas desejar que certo alguém estivesse ali compartilhando da mesma paz que você. Acredite, são comuns pensamentos e vontades assim quando os sentimentos são maiores que nós mesmos. Está permitido sofrer, mas só mais um pouco. Deixe a lágrima rolar. O nó desatar. As borboletas dançarem no estômago. Vai passar. Eu te garanto. Procure reinventar seus dias diante do possível. Saia de viagem ou não. Beba o bastante para ter a pior ressaca de sua vida e não saber se dói mais o coração que ainda não cicatriza com incontáveis doses de vodca ou a dor de cabeça no dia seguinte. Saia com outras pessoas. Procure rir absurdamente ao lado delas. Prefira a companhia de pessoas animadas. Evite aquelas que sempre te perguntarão se você já está em outra. Nada de lamentações. Não significa que você vai esquecer, mas significa que você está se ajudando a superar. Tome o seu sorvete preferido, fume dois maços de cigarro, trague um charuto e ria por ter sido tão idiota, coma barras e mais barras de chocolate. Faça sexo com uma, duas ou até mais pessoas. E não me venha com puritanismo. O mundo é luxuria – pura luxuria -, meu bem. Certo, eu também não saio fazendo sexo com qualquer pessoa que surja na minha frente e muito menos acho isso normal. Então não faça, não faço. Não faremos. Sabe aquele seu leque de palavras baixas que você sempre usa contra você mesmo? Use contra a pessoa. A xingue de todos os nomes feios que lhe vierem na mente. Em mente. Não queira fazer papel de ridículo nessa altura da vida. Olhe para você aqui parado e sem saber o que fazer dos seus próximos dias. Enquanto ela resolveu ir embora. Afastou-se. Ou simplesmente soube de todo esse sentimento que você tem e não quis. Tente entender, não há nada que possa ser feito. No fundo, você sabe que não resta nada além do que você sente, então simplesmente viva todo o mundo – pode se lembrar dele agora – que está a sua volta. Dependendo da sua idade essa desilusão acontecerá outras vezes. Sendo você quem terá o coração partido ou até mesmo o contrário. Em um outro momento poderá ser você a partir o coração de alguém. Só posso te dizer que não é menos doloroso. Ao menos pra mim não foi. Novos relacionamentos acontecerão. Não os compare jamais aos antigos. Em hipótese alguma pense em medir os sentimentos. Nada jamais será igual. Cada pessoa tem seu cheiro, jeito, encanto, qualidade, defeito e afins. Abrem-se portas, olhares cruzam-se, corações param. Aqui, ali, durante todo o tempo, lembranças que o tempo levaria aos sonhos. Medos, sorrisos que continuam não e tão seus. Voe, pois o mundo é pequeno demais para todos. Escute histórias que se tem para contar sobre o amor, sobres os amores e, no fim, ame-se. Aprenda a libertar e a se libertar. Tudo que é nosso, assim permanecerá. Ou não. Talvez em uma noite fria de junho, andando por uma rua movimentada de pessoas que não param pra te notar, você simplesmente perceba que já não pensa ou se lembra de certa pessoa. Ou de certo sentimento. Ou talvez tenha o azar de assim como eu no meio de um movimento de pessoas que não pararam pra me notar hoje se aperceber do vazio que ainda toma conta de você. Jamais preenchido. O importante, meu caro, é que estamos tentando. Uma última nota: amar demais não enlouquece o suficiente e nem sequer mata, ao contrário, no fim das contas, o amor nada mais é do que a cura. Uma observação: esse último amor do qual te falei agora é aquele que denominam de “amor próprio”. Sinta-o. 

[Escrito por Camila Aguilera e Thiago Schmidt em maio de 2010]