domingo, 19 de agosto de 2012

POR ENQUANTO


Há algo que me persegue.
Seria possível a morte de todas as coisas?
E então eu.
Resto.
Não existe resposta para quem sou.
Muito menos para o que sinto.
Há algo que me dói em meio ao riso.
E não quero sentir.
Nada.
Mas quando é que isso se torna possível?
Não entendo.
Faço o que?
Escrevo.
Incapacitada de heterônimos.
Ou novas personagens.
Penso.
Só que não passa.
Mas o que haveria de passar?
Fosse fadiga.
Fosse tristeza.
Fosse o que.
Eu não sei.
Passar o que?
O tempo.
O nada.
Minto.
O tempo passa.
O nada, eu nem ao menos sei o que é.
Entendam-me.
Ou não.
Eu vejo as pessoas indo.
Não sei pra onde.
Só que elas vão pra algum lugar.
Eu apenas observo.
As pessoas andam.
Ou até mesmo correm.
E eu me sinto rastejar.
É uma maneira de não perder tudo de vista.
Rastejo.
Por dentro.
Por fora.
Existe um buraco.
Um buraco cheio.
Tentem visualizar.
Eu estou quase terminando.
É um buraco.
Cheio.
Cheio de que?
Cheio de mim.
Esse buraco sou eu.
Eu sou o que preenche.
Transbordo histórias.
E estórias.
Sentimentos.
E não sei o que sinto.
E qual o problema?
Eu não sei.
E por vezes pode ser bom não saber.
Independente do que.
Talvez eu só precise de um pouco mais de calma.
E algumas orações.
Perdoem-me caso o pior aconteça.
Devo desculpar-me?
Eu estou quase.
Ainda respiro.
E escrevo.
Penso.
Só não esqueço.

Camila Aguilera

2 comentário(s):

Fran Carneiro disse...

Nunca sei o que comentar em poemas, irmã. Mas achei esse bem amor <3

Camila Aguilera disse...

Obrigada, irmã. Um elogio seu é sempre dos melhores que posso receber.