segunda-feira, 15 de outubro de 2012

DEZESSEIS DE OUTUBRO DE 2012


Sente-se. Peça uma cerveja ou um suco, qualquer coisa que te molhe a boca quando senti-la seca por tanto falar. Fale. Não tenha vergonha. Eu juro que tentarei não ter. Fale bastante. Fale da sua vida que deu certo. Conte-me alguma história. Qualquer história. De amor. De algum amor que deu certo. Uma história de duas pessoas que foram felizes. Conte-me uma estória infantil. Cinderela, A bela adormecida. Essas estórias de contos de fadas em que você sabe desde o começo que o final será e-foram-felizes-para-sempre. Acho isso tão clichê, tão lindo, tão algo que eu queria para mim. Você não acha? Beba comigo essa noite. Peça pra tocarem City and Colour. Aperte a minha mão e diga que tudo vai dar certo. Dê-me um desses seus sorrisos lindos. Acenda um cigarro. Escute-me. Melhor, não me escute. Eu costumo falar tanto após algumas bebidas, mas me deixe tentar falar sobre algo bom. Alguma história boa e tranqüila que não seja minha. Eu posso tentar e inventar um romance. Vamos falar sobre essa vontade que temos uma ou outra vez na vida de ficar pra sempre ao lado de alguém. Peça outra cerveja. Conte-me uma história sua. Conte-me sobre o seu amor bem resolvido. Preciso tanto ouvir histórias boas. Ouvir qualquer coisa que me faça acreditar que o amor pode – ainda – dar certo. Sei lá. De repente. Assim do nada. Eu viro uma esquina. Eu viajo. Conheço alguém e me apaixono. E então dá certo. E a vida fica melhor de se viver uma outra vez. Uma última vez que seja. Eu não quero acreditar no que Nelson Rodrigues disse. Tem que haver uma maneira de amar e ser feliz ao mesmo tempo. Tem que ter. Por favor, não venha me dizer que eu estou me iludindo. Qualquer pessoa pode me dizer coisas do tipo, menos você. Fume mais um cigarro comigo. Depois a gente vai pra algum outro lugar. Caminhar por aí como se não houvesse mais nada pra se preocupar além da ressaca que teremos assim que amanhecer. Se eu soubesse te cantaria uma canção bem bonita agora. É, uma canção. Uma dessas suas canções preferidas. Você merece uma canção com a melhor letra e melodia que podem existir. Você merece tudo de mais bonito. Como uma chuva que refresque um dia quente em Cuiabá. Ou o barulho das ondas que te acalmem depois de um dia tumultuado. As ondas te trazem paz e lembranças? Se você quiser, pode ir agora. Só que eu te peço pra que volte. Amanhã ou depois. Volte com uma boa história. De amor. E se tudo der errado mais pra frente – quando o tempo passar e a gente não conseguir segurar entre os dedos – com todas as outras pessoas, eu vou continuar ouvindo Follow the cops back home e lembrando de você. Lembrando de você e dessa noite em que eu preciso tanto de alguém que me conte uma história de amor. Pode ir. Daqui a pouco, eu também me levanto e vou pra casa escrever algo para enganar as pessoas de que tudo está dando certo. Só que antes de dormir é por você que eu vou fechar os olhos e desejar que amanhã seja um dia de céu azul ao lado de alguém que realmente te ame. Que sejam vinte e quatro anos – ou trinta e dois, sessenta e oito... – de bolsos vazios, marcas de cigarro e tintas de caneta, mas que não haja um único dia em sua vida que te falte amor. Deseje-me isso também. Nada mais, nada menos do que isso. Só isso. 

Escrito em outubro de 2010 e modificado até então por Camila Aguilera

1 comentário(s):

Andressa disse...

Lindo texto, Camila. O jeito como você escreve, como você descreve... emociona. Parabéns.