quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

AO COMEÇO DE DEZEMBRO


Tem tantos sentimentos, deve ter algum que sirva.
[Arnaldo Antunes]

Dias e mais dias para acabar com algo que você não sabe sequer quando começou e nem ao menos consegue prever quando terminará.  Faz um calor insuportável dentro do quarto. O ventilador só serve para atrapalhar as canções que você troca insistentemente há algumas horas sem encontrar nada que realmente te toque. Não se preocupe tanto com datas, tudo isso fará parte do passado. Quando é que se tornou cômodo para você viver dessa maneira? Pare de teimar e achar que está agindo de maneira correta dessa vez. Vamos falar sobre você e nada mais. Tudo bem? Escrevo para você porque não há nenhum assunto melhor do que você para ser tratado hoje. Escrevo nesse momento porque não acredito que você viverá outros como o mesmo. Enquanto olha pela janela para descobrir pistas de quem te escreve, repara mesmo no céu ou apenas perde-se em alguma ou outra lembrança sem dar importância ao agora? Tanto tempo apenas vivendo de ilusões que você criou. Vivendo de sentimentos que pouco a pouco te escaparam pelos dedos. Sem possibilidade de volta. No fim, o que te restou? Além desse gosto amargo de quem bebeu além do que deveria.  Há quanto tempo apenas ri? Da vida. Das pessoas. Dos próprios sentimentos que passaram. O que tempo fez com o que você sentia? Se já não escreve. Se já não procura por livros que te emocionem. Apenas mantém há semanas esse sorriso de quem conseguiu - enfim - pensar mais do que sentir. Racional. Pare de olhar para esse maldito relógio! Você não está perdendo tempo comigo. Está perdendo tempo é com essa fase que em nada combina com você. Essa água que bebe está gelada? Você é mais. Sério. Daqui alguns anos enquanto ler tudo isso, pode desacreditar de qualquer coisa, mas acredite em mim. Tente sentir sua pele. Quente pelo calor. Vá mais fundo. Perto do peito. Enfie os dedos no coração. O que te aconteceu durante esses meses? De repente, amava. De repente, se apaixonava. De repente, . E então a frieza escorre pelo suor do seu próprio rosto. Difícil de acreditar. Já não fala sobre o amor. Já não tem vontade de se doar. Contenta-se consigo. Veja em que ponto chegou. Logo você, já não ousa sentir. Eu sei que é mais fácil ser feliz, mas por vezes a felicidade também entendia. Vai por mim. E então te pergunto: quem seria você nesse momento em que te escrevo? Se já não te reconhece em suas próprias palavras. Se já não te reconhece sem as paixões que antes te corriam pelas veias. Como sangue. Como o ar. Quem seria agora essa pessoa que te olha através do reflexo do espelho? Tornou-se o que tanto ansiava ou o que tanto temia? Não se desespere. Você tem tempo para voltar ao normal. Não sei se importa que eu te deseje qualquer coisa que seja, mas volte a sentir. Seu jeito de ser é trágico, mas é lindo. Seu amigo te disse algo parecido com isso há algumas semanas ou meses atrás. É verdade. Pare com isso de achar que perde tempo lendo esse ou qualquer outro texto. Pare de pensar e sinta. Sério! Daqui a algum tempo, a gente só vai se lembrar do que foi mais forte dentro da gente. E que no caso, continuará sendo. Esqueça essa coisa de ser feliz o tempo todo. Ninguém pode viver assim. Sente-se aí e escreva logo algum texto de amor, desses que você inventa tão bem e que faz com que as pessoas ainda acreditem que sentimentos bonitos existem. Releia todos os seus textos se for preciso, mas pare de achar que nada do que viveu até então valeu de verdade. Você sabe melhor do que ninguém que tudo que envolve sentimento vale muito mais do que qualquer coisa nessa vida. No fim, você deve chegar a algumas conclusões idiotas como o fato de que a vida vale por um sorvete de morango numa tarde quente de domingo enquanto você relembra sua infância ou os amores que teve. Vamos lá, se olhe no espelho mais uma vez. Vomite você mesma só mais uma vez e sinta. Apenas sinta. 

Por Camila Aguilera 

1 comentário(s):

Gabriela C. disse...

tão gostoso ler o que você escreve, Cah! <3