quarta-feira, 12 de dezembro de 2012


Eu vou escrever um poema antes que o mundo acabe.
Sem rimas, sem estilo. Do meu jeito.
Eu vou ligar para meus amigos. Dizer que os amo e que estou grata.
Aos que se perderam, um “oi, tudo bem?” e desejar que lembrem-se de algum bom momento.
Enviar uma carta para o meu pai e dizer que tudo certo.
Digitar duas mensagens e falar que foi bom conhecer meus irmãos.
Pensar que o mais perto do amor é encontrar alguém em Minas Gerais.
Ouvir pela última vez “De onde vem a calma” e reler “Os sobreviventes”.
Pedir para que meu avô toque acordeão enquanto eu vejo minha avó cozinhar.
Pegar as fotografias e rever com a minha mãe, enquanto penso que não amei ninguém como ela.
Abraçar meus tios e minha prima de dois anos.
Dizer que a vida - em muitos dias - valeu pelo sorriso dela, mesmo que ela ainda não entenda.
E não entenderá por algum tempo ainda.
Levar uma lambida do meu cachorro enquanto acaricio a cabeça da Menina.
E depois...
Eu vou sentar lá fora, sozinha. Só desejo ser capaz de relembrar tudo.
Que o tempo corra lento e suave.
Imagina se o fim do mundo realmente acontece?
Espero ter feito tudo e poder relaxar.
Tomar uma cerveja e esperar por algum som diferente.
Uma luz que seja maior que o sol.
Um espetáculo que seja mais bonito que o céu estrelado.
Será dia? Será noite?
Não acabará. Não terá fim. Não terminará.
Eu estarei aqui amanhã.
E será diferente. Mesmo que o mundo não tenha mudado.
Sem poemas. Porque nunca fui boa nisso.
Eu estarei aqui amanhã. Mais leve, mais feliz. Talvez. Pelos sentimentos que foram expostos antes que o mundo terminasse. O meu mundo que é minha vida. Pelo menos.

Para Bruno Castro

Por Camila Aguilera

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