domingo, 14 de julho de 2013

Dia 15

Quinze de julho de dois mil e treze. Me canso de ler Gabito Nunes e todo aquele blábláblá do seu romance “Juliete nunca mais”. Ligo Secondhand Serenade. Tento me apegar na releitura de “A insustentável leveza do ser”. Repasso algumas páginas de “O encontro marcado”. E nada. Nenhum cigarro. Ou vodca. Nenhuma cerveja. Apenas essa voz de um cantor que nem conheço a cara, que não me lembro de onde tirei. Sei. Claro que sei. Mas finjo que esqueço. Faz parte de todo um trabalho que tive para esquecer. Não essa música ou esses romances. Você sabe do que estou falando. Ou o que estou tentando dizer. Mas não digo. E nem ao menos sei se ao ler o que escrevo conseguirá relacionar as palavras a você. Ou ao que eu sentia. Nos perdemos. Ou me perdi? Você não se verá por aqui. Tenha calma. Tenho calma. Tento escrever. Tento encontrar um sentido, mas me esqueço do que tanto procuro. Acende um cigarro. Tire as roupas, tome um banho. Espere um mês. Daqui a pouco, eu termino. Dê-me alguns dias, algumas semanas. Nada tem soado fácil. Tem algum tempo. Alguns meses. Talvez já esteja assim há mais de um ano. E só agora percebo. Não. Não que não tenha percebido. A gente percebe que algo mudou. Só que pode ser ao redor. Difícil é aceitar que mudou dentro da gente. Tenho os caminhos. Tenho os dias que passam de maneira mais leve. Quase não choro mais. De vez em quando, acontece. Em algum filme. Ou num trecho de um conto. Ou nesse momento com essa música de fundo, com essas palavras que não querem sair. Que não demonstram o que eu queria demonstrar. Deus, me ajude! Sinto que estou sendo levada para algum momento da minha vida onde eu ainda sabia o que era sentir algo por você. E já não sinto. Estou me perdendo. Mas já não era sem tempo. Ficou. Eu sei que uma parte de mim ficou pra trás. Com aquele sentimento que eu nunca soube definir direito o que era. Mas era teu. Sente-se. Tente dividir a sua cama com alguém. Fique em silêncio por um ou dois minutos. Tente encontrar um assunto. Silencie uma outra vez. Talvez você me encontre. Talvez eu te encontre. No meio de um filme que me fez te conhecer. No meio de um livro que comecei a ler só pra me sentir mais dentro do seu mundo. No meio de uma rua na sua cidade. Ou na minha. Talvez a gente ainda se encontre. Daqui alguns meses. Ou anos. Tente me encontrar. Tente se encontrar. Aqui. No meio de todas essas palavras. Mesmo que você ache que nada tenha a ver com você. Mesmo que você não leia. Tente. Estou tentando. É uma última tentativa. É a última vez que escrevo. Não te prometo, mas é. Eu sinto que é. Sinta isso junto comigo. Sinta qualquer coisa que seja pela última vez comigo. Talvez a gente se encontre mais tarde, mas poderá não passar de duas pessoas tentando se lembrar de onde é que se conhecem. Não vou lembrar. Você não vai lembrar. Esquece. Perdi o jeito. Nunca mais escrevi. Nunca mais senti. Você não vai se encontrar aqui. Pode ir. Você nunca mais se lembrou. E eu me despeço do que nunca foi meu, mas teu. E já não dói.  Ao mesmo tempo em que tento inutilmente te explicar que. 


Por Camila Aguilera

0 comentário(s):