terça-feira, 17 de setembro de 2013

DIA 18

Dezoito de setembro de dois mil e treze. Já que amanhece outra vez. E eu podia te falar sobre os próximos dias que serão de primavera. Sobre antigas paixões. Falar sobre os últimos discos que ouvi. Os livros que li. Sobre imagens. E esse céu azul que vai colorir lá fora. Poderia escrever sobre antigas paixões. Eu poderia inventar qualquer coisa para que algo soasse novo por aqui. Eu queria falar sobre os dias. Sobre a noite em algum lugar que não conheço. Ou conheço. E pertenço. Apenas não sei. Queria falar da infância. Ou da inocência que não sei quando perdi. Do meu sabor de sorvete favorito. Eu deveria gastar maços de cigarro e doses de qualquer bebida barata até que alguma inspiração me tomasse. Eu deveria escrever sobre todos os sentimentos em textos como se isso fosse o meu ato de vomitar aquilo que não vem sendo bem digerido. Eu deveria? Eu quero o amor. E não o quero! Dispenso pontos fracos enquanto aprendo o que é ser forte, enquanto dou risada do que já passou e finjo ser verdade tudo que escrevo. Enquanto não viro uma esquina e me apaixono de novo. Enquanto não viajo e não me atento a centenas de pessoas passando por mim numa cidade como São Paulo. Enquanto não mudo de lugar, de tom. Enquanto não acontece nenhum impulso que me faça escrever algumas dezenas de linhas. Enquanto não acontece o que não sei, só posso escrever isso para mim e consequentemente para vocês: nada mais tumultuante que esse vazio por dentro. 

Por Camila Aguilera 

0 comentário(s):