quinta-feira, 20 de março de 2014

DIA 20

Se um dia me perguntassem do que sinto falta, diria que sinto saudade da escrita. Essa escrita que desenvolvia assim, mais ou menos, do nada. Se me perguntassem. Só que vocês não perguntam nada. Não me incitam. Sinto falta da escrita como sinto falta da adolescência. Infância. Sabor de sorvete de morango. Primeiro porre. Gosto de cigarro na boca. Paixões que passaram. Sinto falta da escrita como sinto de muitos momentos que vivi. Mas não quero voltar. Por que? Não me questionem assim. Quase vinte e cinco anos. Não saberia responder. Nem ontem. Nem hoje. Amanhã? Também não. Sei que sinto falta e que não voltaria. Não querer voltar é diferente. É um sentimento estranho. Há três ou quatro anos atrás, eu desejaria ter de novo certa idade. Só que o tempo é um insulto. Você sente como se nunca vivesse o suficiente. Mas vive. E de repente, quando percebe, não quer voltar. Quer continuar. Prosseguir. Ir em frente. Não se sabe se por não querer voltar ou por simplesmente concluir que isso não seria mesmo possível. Possível é ainda esse passeio pela escrita, essa escolha de palavras. Um pensamento que se torna um texto. Uma frase que se desdobra até você se perder. Existiu um começo aqui. Existirá – certamente – um final. Quando? Eu me questiono já que não o fazem, mas isso é fácil, difícil é obter resposta. Mesmo que seja sobre você. Sobre a própria vida, a gente sabe de tudo, até mesmo do que não viveu, mas jamais saberá sobre o fim. Aquele fim – que por enquanto – não cabe aqui. 

Por Camila Aguilera