sábado, 20 de dezembro de 2014

CARTA PARA ALÉM DE DOIS MIL E CATORZE

Assis, 20 de dezembro de 2014

Escrevo em um sábado, véspera do início do verão. Você tem vinte e cinco anos. Venta lá fora e aqui dentro os enfeites – que sobraram – da Copa do Mundo balançam. Você escuta o movimento da rua. Escuta “De onde vem a calma” – acredito que essa será realmente a sua música preferida independente da idade que tenha -. A casa está quase vazia. E você se lembra de quantas vezes ela esteve cheia ao longo desse ano. Com seus amigos, com as cervejas, planos e risos que dividiram. Você fez suas malas para passar duas semanas na casa de seus avós. Vai ser o tempo mais longo que passa em Palmital desde que se mudou. Você espera por dias bons. A cama está arrumada. A maioria das roupas no armário. Os troféus na estante. Você voltará logo para o que em dois mil e catorze se tornou a sua casa. Você voltará logo pra dar vida aos projetos que tem em mente para o ano novo. Você sabe que volta pra uma das decisões mais importantes que tomou até hoje. Além da terapia. Você foi forte em decidir mexer nas feridas e eu quero que se lembre disso. Eu te escrevo com vinte e cinco anos para que quando você tenha quarenta ou setenta anos, não se esqueça de que nesse ano você foi forte e continuou firme apesar de tudo o que não saiu como previa. Eu te digo que ao iniciar dois mil e quinze, você não vai querer se lembrar de dois mil e catorze, mas alguns anos mais tarde esse será o ano que você começou a dar passos para o que eu espero que tenha se tornado. Mais tarde, quando você refletir sobre seus vinte e cinco anos, tenha certeza de que esse ano teve amor, teve lágrimas, teve saudade. Cabe a você lembrar os motivos desses dias – ou no caso, sentimentos -. Eu não escreverei sobre eles aqui. O que eu espero – do fundo do seu coração – é que você não desista. Assim como em nenhum momento desse ano você não desistiu. Não desistiu do seu emprego, da sua faculdade, de acreditar na melhora do seu pai. E mais importante que tudo, você não desistiu de acreditar – e buscar – insistentemente em uma melhora sua. Tenha orgulho disso. Não esqueça de continuar acreditando e escrevendo sobre o amor – independente da idade que tenha, independente dos amores que tenha vivido pra ver dar errado ou certo -. Busque sim um pouco mais de racionalidade para seguir em frente apesar de. Só não se esqueça do que realmente te move. Dos sentimentos que carrega por cada uma das pessoas que passaram pela sua vida. Dois mil e catorze está quase no fim, mas você sabe muito bem pelo que viveu até hoje, que muitas vezes o fim é a possibilidade de um novo começo. Ou de um recomeço, que seja. Ao terminar de ler isso com seus quarenta ou setenta anos, levante-se e faça uma oração, agradeça pelo fim de dois mil e catorze, agradeça pelo (re) começo que ele te proporcionou e pelo amor que sentiu por seus familiares, por seus amigos, por uma pessoa – que eu acredito que nunca se esquecerá realmente -. De resto, escreva sobre dois mil e trinta e nove ou qualquer outro ano. De resto, saia lá fora e aproveite o dia. Afinal, o ano está só terminando uma outra vez.


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