segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

MÚSICA E CHAPÉU

Palmital, 14 de dezembro de 2014

Thi, esses dias eu ouvi “Somewhere only we know”. Passava alguma propaganda. Ou algum trailer de filme. Não sei ao certo. A música estava na voz de uma mulher. Descobri depois que se tratava de uma versão cantada pela Lily Allen. Thi, lembrei de você. De vez em sempre eu lembro de você. Seja ouvindo alguma música ou andando por algum lugar novo – onde talvez eu possa esbarrar em você -. Thi, esse ano aconteceu tanta coisa e eu quis em muitos dias ligar o computador e te encontrar do outro lado da tela com alguma palavra doce que faria com que eu me sentisse abraçada. Só que os tempos mudaram. O msn nem existe mais. O Orkut também não. Eu não sei qual meio de comunicação você anda preferindo. E a gente nunca mais se falou. Nem pra falar de saudade. Nem pra dizer que sente falta. Só que sério, eu sinto sua falta, Thi. E eu vou te chamar de Thi porque sempre foi assim entre a gente. Sempre houve uma intimidade de velhos amigos. Sempre houve uma troca muito grande entre a gente. Sabe, eu acho que você foi realmente um dos melhores amigos que tive na vida. Mesmo sem nunca ter te visto. Isso pode te soar estranho, mas é sério. Esses dias eu li o texto “O chapéu e um céu de sentimentos” e há tanto da gente ali. Você se lembra desse texto? Tem quase três anos. O tempo realmente passa rápido. Parece que foi apenas há algumas semanas que você me ensinou a gostar de Zeca Baleiro e Maria Bethânia. Só que faz tempo, Thi. O tempo realmente passa rápido demais por nós. Eu nem sei quanto tempo faz que não te conto sobre meus dias. Sobre meu novo emprego. Meus medos. Ou sobre quem eu amo. Talvez você saiba de algumas coisas acompanhando meus textos. Você sabe o quanto eu sou transparente neles. No fim do ano passado, eu conheci alguém que me encantou tanto, Thi. Tanto! Acho que você gostaria e apoiaria. Talvez, você me ajudasse a ter feito as coisas darem mais certo entre a gente.   Só que não dependia só de mim. É o que a psicóloga diz. Comecei a terapia, Thi. Em meio a uma crise, comecei a procurar algo que se aproximasse o máximo possível de algum tipo de “cura”. Já tem alguns meses. E obviamente descobri o essencial: não existe cura. Existe tempo e é preciso ter paciência. Tem me feito bem. Tem me feito escrever menos. Tem me feito refletir pra caramba. Não é um negócio fácil, é doloroso em boa parte das vezes, mas sei lá, me sinto bem. Aos poucos e numa parte maior do tempo tenho estado mais em paz. Cabelo meio louro, olhos meios claros. Você riria e diria que eu mordi a língua. Só que ficaria feliz ao ver que sorriso eu abria cada vez que eu a encontrava. Eu tenho certeza que você sorriria junto, Thi. Acho que você sorriria também se eu te contasse que me encontrei em outra profissão – que em nada tem a ver com o curso que faço -. Como anda essa cidade com um dos invernos mais frios do Brasil? Seu time tirou a vaga do meu na Libertadores, mas tudo bem, o Tite está voltando. Vi que vai sair um disco com canções inéditas da Cássia. Quero ouvir. Vou me lembrar de você. Pode apostar. Como anda a sua vida? Espero que esteja bem. Espero que leia tudo isso. Espero que não se canse. Ou ache estranho. Não vou me estender muito, só queria que soubesse que dia desses, eu ouvi “Somewhere only we know”, não lembro se fazia sol ou chovia, sei que senti vontade de te escrever. Espero que esteja realmente bem. E se não estiver, que fique. Dias bonitos pela frente, Thi. Se possível, sorria sempre. Se possível, me escreva de volta e me conte dos seus dias, das suas andanças ou só o que achou sobre a versão com a Lily Allen. Eu vou gostar. Eu vou realmente gostar se um dia você voltar.

Com amor,

Camila Aguilera 

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