terça-feira, 29 de dezembro de 2015

DIA 28

Para ouvir ao som de Wish you were here – Pink Floyd
Para que você chegue ao final de dois mil e trinta e cinco ou até mesmo muitos anos após isso e você tenha algo para se reencontrar com o fim desse ano. Se você estiver se sentindo em paz. Se você estiver se sentindo cansada. Se você achar que precisa de algo do seu passado. Reviva o que escreveu. Acredito que seus textos serão seus elos mais fortes com tudo que viveu. E não pense que terá algo muito extenso por aqui. Você vai se esforçar. Você tem se esforçado há quatro dias para deixar algo escrito sobre o ano de dois mil e quinze. Vinte e oito de dezembro. Segunda-feira. Onze e nove da noite. Seu avô assiste TV do seu lado. Alguma daquelas porcarias que vocês sempre entravam numa discussão boba sobre o que era pior, os programas que você assistia ou os programas que ele assistia. Talvez mais tarde você se dê conta de que era tudo no mesmo nível. E dê risada. Como sempre ri quando está ao lado dele. Talvez quando você ler esse texto, você se lembro com saudade dele. Do som do acordeão que ele tocava todas as manhãs. Tem alguns dias que você voltou pra casa. Você tem encontrado certa dificuldade em se encontrar nos últimos meses. Seja aqui. Seja em qualquer outro lugar. Teve um dia que você escreveu algo como “envelhecer não dói”... Dois mil e quinze veio pra te mostrar o quão mentirosa é essa frase. Envelhecer dói. Dói muito. Todas as partidas que o envelhecimento, essa porcaria de vida adulta traz, dói pra caralho. Quando você chegar ao final de dois mil e trinta e cinco ou atém mesmo muitos anos após isso, eu espero que você se lembre desse ano não com as lembranças dos que partiram, mas sim de como, de alguma forma, eles permaneceram na sua vida. Apesar do tempo. Apesar da distancia. Sobreviver a esse ano onde a maioria dos seus amigos foram embora foi doloroso. Só que você percebeu que a vida continua. Às vezes um pouco sem graça. Às vezes sem vontade de falar sobre outra coisa além da saudade que sente. Só que você continua. Existe um curso pra ser terminado. Existe um ciclo pra ser fechado. Existe um trabalho pra dar conta. Você tem ido muito bem no seu trabalho. Vale a pena ressaltar isso. Em caso das coisas estarem difíceis por esses anos, tente se lembrar das voltas que você deu por cima. Seja forte. Permaneça forte. Quando você chegar ao final de dois mil e sei lá o que, eu espero que você se lembre não do que te partiu ao meio, mas do que te ajudou a continuar. E se você pensar sobre o amor. Se você se questionar se não houve nenhum grande amor – ou paixão que fosse -. Saiba que dois mil e quinze foi o ano que você mais amou. Basta abrir uma cerveja. Basta olhar pra essa fotografia. 


sábado, 5 de setembro de 2015

DIA 05

Seja forte. Apenas isso. Fume um cigarro. Beba mais uma cerveja. Seja forte. Você queria ter escrito tanta coisa nesse dia. Nessa sábado. Nesse quase domingo. Somewhere only we know. Grite. Escreva qualquer coisa. Vai dar uma volta. Você quer sair por aí. Não vai adiantar nada. Você não vai encontrar quem quer. Não adianta virar a esquina. Não adianta. Não adianta andar dez. Vinte. Cem quadras. Você não vai encontrar quem quer. E olha que não é um. Não são dois ou três. São quatro. Um mais longe que o outro. Grande porcaria isso que se chama distância. Grande porcaria isso que você tem sido. Alive. Mais cigarro. Mais cerveja. Antes acompanhada. Agora sozinha nessa sala meio fria. Venta. Venta. Faz frio. Você não sai do lugar. Não vai adiantar. Seja forte. Pense. Pense. Lembre. Recorde. Se doa. Vai doer sim. No surprises. Logo vai ter mais. Ninguém sabe o buraco que abre. Ninguém sabe que o buraco parece não fechar. Só você. A vida segue sim. Você sabe. Ninguém salva. Vai tentar entender. Muita bebida. Muito cigarro. Muita terapia. Pouca escrita. Não salva. Fosse muito. Não salva. O velho e o moço. Você nem gosta do estrago. Você não gosta do que parte. Te parte ao meio. Só que não sabem. Seja forte. Seja forte. Seja. 


terça-feira, 11 de agosto de 2015

DIA 11

Você começou a escrever esse texto para registrar que esses dias você tem descoberto novas formas de amar. Dias novos. Pessoas antigas. Você tem encerrado tantos ciclos nesse ano que chega a sorrir em meio a dias doloridos. Hoje, no dia 11 de agosto de 2015 foi a primeira vez que você ligou pro Preto depois que ele se mudou pra João Pessoa. A melhor parte foi quando ele atendeu e vocês gargalharam juntos. A pior parte era os quase três mil quilômetros que te separavam de dar um abraço nele. Era o que você queria. Com o tempo você aprendeu o que sua tia disse muitas vezes durante anos: a gente não tem tudo o que gente quer. Você passou por momentos que você quase nem se lembrou que ele tinha ido embora. Na quarta-feira foi mais difícil. Hoje também está sendo. Só que você tem passado por isso. Há novas formas de amar. Ou de continuar amando. Apesar do tempo, da distância. Há amor pulsando dentro de você quando seu melhor amigo atende a ligação do outro lado do pais com uma boa gargalhada. Há um lugar conhecendo o que você conhece tão bem tem quatro anos. Você aprendeu a libertar apesar da tristeza que vem de vez em quando. Vai passar. O tempo. Os quilômetros. Seja por terra ou por céu. Seja quando for. Onde for. Você poderá abrir os olhos e dar de cara com o sorriso do seu amigo. Você pode pegar uma fotografia e olhar por horas seguidas. Você pode fechar os olhos. O riso permanecerá vivo. Tem coisas que não caem no esquecimento. Tem novas formas de amar e permanecer viva apesar de. 

sexta-feira, 8 de maio de 2015

VERMELHO

Menina que ri
quando falo que gosto
quando te faço procurar por nossos signos 
quando conto minhas besteiras
eu também ando rindo
ou sorrindo, que seja 
quando digo essas coisas 
quando penso em outras 
todas envolvendo você 
Menina, não vá rir agora 
enquanto canto aquela canção de Milton
com o seu nome atrelado 
"e se eu pudesse entrar na sua vida...
diz se é perigoso a gente ser feliz."
Menina, veja bem quando te digo 
por algum acaso ou não 
pelo seu riso ou jeito
meu coração é em parte, teu 
segure ou solte-o
mas me dê um sorriso antes
pelo meu jeito bobo de te dizer 
que meu interesse por todas essas coisas
mapa astral ou canção do Milton
a cor do seu cabelo ou suas histórias
todas essas coisas, no fim,
só significam uma.

quarta-feira, 15 de abril de 2015

SOBRE A VÉSPERA



Para quando você completar seus quarenta ou cinquenta anos, você saiba que passou por dias em que escreveu muito. Sobre amizades, sobre despedidas, sobre o amor que sentiu por cada pessoa que passou na sua vida nos últimos quatro anos. Aos vinte e dois, você comemorou seu aniversário dentro da universidade. Aos vinte e seis, você estará na sua casa em Assis. Saiba que no dia anterior você ouviu Agridoce até chegar à exaustão. Ouviu Gragoatá também. Deixo aqui registrado porque você certamente não conseguirá se lembrar desse nome tantos anos depois. Foram dias em que você buscou de forma insistente um pouco de paz. Já tem mais de um mês que você não fuma. Você se prometeu que dessa vez não terá volta. Relação cortada. Você tem bebido menos, mas espero que ao se encontrar com quarenta ou cinquenta anos, tenha parado. É uma vontade sua. Uma vontade que eu espero que consiga realizar. Você está bem com sua família. Passou aquela sensação de estranhamento quando você voltava pra casa depois que se mudou. Você está bem com seus amigos. Você se despediu de alguns deles nos últimos dias. Foram dias tristes, mas você mudou de quarto, alguns móveis de lugar. Você tem tentado se reencontrar. E não está envolvida sentimentalmente por ninguém nesse momento. Você não desistiu do amor. Apenas deixou pra dividir ele com alguém pra depois. Quem sabe, amanhã? Aquela sensação de soco no estômago ao ver algo relacionado ao seu antigo relacionamento passou. Não citarei o nome da pessoa aqui. Se você lembrar daqui vinte ou trinta anos, é porque realmente foi importante. Se não lembrar, tudo bem. De alguma forma, saiba que foi necessário. Amar, se apaixonar ou se encantar faz parte de sentir que há vida por aí, mas mais importante que há vida dentro de você. Não se preocupe por não ter conseguido escrever tanto na véspera do seu aniversário de vinte e seis. Nesse dia você se sentia como se estivesse numa espécie de outra dimensão. Não sentiu nada que te fizesse doer, nem riu demais. Só que estava em paz. Eu te juro que você esteve paz. E isso foi tão bonito que te bastava. 

Por Camila Aguilera 

terça-feira, 24 de março de 2015

SOBRE O QUE PERMANECE



Eu gosto de pensar que somos eternos. Para sempre. Infinitos. Em nossos abraços. Em nossos risos. Em nossos olhares. Mesmo que a maioria das pessoas diga ser impossível. Mesmo que a ciência tenha provas de ser inviável. Eu prefiro pensar assim. Sentir... Começou há mais de mil dias atrás. Não saberia contar ao certo e isso não importaria nem para mim que escrevo, nem para vocês que leem esse texto agora. Eu tinha vinte e um anos. Quase vinte e dois. Parece que foi ontem. Parece. Ainda ontem – ontem mesmo – eu e um amigo comentávamos a fala de uma professora que em algum daqueles dias do primeiro semestre disse que seria como “um piscar de olhos”. Foi. Hoje, enquanto escrevo esse texto, o tom é de despedida. Há em todo e qualquer canto da UNESP que eu passe alguma coisa pra ser lembrada e me fazer sentir saudade. E embora eu fique aqui um tempo que ainda não posso determinar, sou obrigada a me despedir da maioria dos amigos e conhecidos que fiz durante esses quatro anos. Alguns voltam para a sua cidade. Outros permanecem por aqui. Ou não muito longe. A questão é que não nos veremos mais durante cinco ou ao menos um dia na semana. Eu nunca fui fã de despedidas. Acho que ninguém é. Começou lá na infância quando meu pai vinha nos finais de semana e logo tinha que ir embora. Eu era uma criança e não entendia direito, mas ele sempre voltava, então tudo bem. Até que teve um dia que ele se despediu de mim na infância e só me reencontrou na adolescência. Desde então eu sinto uma espécie de medo de que as pessoas demorem muito para voltar. Só que entendo que elas têm que ir. Amanhã ou depois, as pessoas sempre vão. E daqui alguns dias, nós vamos embora. Cada amigo que vai, leva um pouco de mim e de outros amigos. Até que daqui algumas semanas, meses ou no máximo (três, quatro anos) ninguém se lembre mais – ou se lembre muito pouco – da Turma 53 de Letras. Só que nós estivemos aqui. Estivemos aqui com nossos sonhos. Dando os primeiros passos para a vida adulta. Estivemos aqui com nossos risos e lágrimas. E tivemos nossos professores. E encontramos nossos amigos. Teve a Eliane com aquele ar de mãe. Teve o Cadu com aquele ar de pai. Teve o Paulo com aquele ar de poeta. Poeta mesmo, sabe? Uma poesia viva nas aulas, nos corredores. Teve Bene. Teve Benes para todos. Aquele professor que a gente sente que tem que estudar de verdade. Teve Jorge que é um dos melhores professores pra você conversar depois da aula. Teve Marco Antonio e Marcio se deixando levar pelo bom humor da Paulinha. Teve Luciane pra me fazer acreditar um pouco mais em mim. Quatro anos. Umas dezenas de professores. E os amigos. Não sei quanto cresci nesse sentido durante esse tempo. Cresci com eles, amadureci com eles. Tivemos nossos dias bons e dias ruins. Com certeza os bons foram em maior quantidade. Teve churrasco. Teve dias e mais dias no bar. Teve festas. Ressacas. Histórias pra contar. Histórias pra rir da cara dos amigos. Principalmente do Luiz. Teve um dia ainda no começo do primeiro ano que de repente me dei conversando com um menino de sorriso fácil. Bruno. O meu melhor sorriso, o meu melhor abraço, o meu melhor companheiro. A minha melhor parte da UNESP. Teve um dia no bar onde foi organizada uma comissão de formatura e com isso teve aquela sensação de quando eu ainda era criança ou adolescente e fazia parte do Grêmio Estudantil ou de algo parecido dentro do colégio. Teve uma vontade – que mesmo após tantos problemas – não morreu. Uma vontade de fazer com que a formatura seja realizada e que o curso de Letras nunca mais seja o mesmo. Um passo de cada vez resultou num número considerável de gente que vem quase sempre me perguntar quando será a próxima festa. E aí sorrio. Apenas sorrio. Daqui algumas semanas quando eu voltar pra essa faculdade e não tiver mais Tata, May, Dan, Paulinha, Luiz, Marcos, Rakelly, Peitl, Victor, Lucas, Natalia, Faccioli, Sarah e alguns outros, eu volto pela gratidão. A UNESP me deu novos amigos, novos pensamentos, um emprego que me mostrou um dom que não sabia existir, uma comissão de formatura que me fez enxergar algo que gosto e sou capaz de realizar. Volto pela gratidão dos amores que senti por aqui. Mesmo que tenham passado, não foram e nem serão esquecidos Volto pela gratidão e pra fazer valer a pena toda força que dois amigos (Bruna e Acauã) me deram há tantos e tantos dias atrás. Volto pela gratidão que tenho a Deus. O que fica como certeza após quatro anos e alguns meses é que nada nessa vida é por acaso. Eu tinha que estar aqui em 2011 e não em 2007 ou todos os anos que se seguiram até chegar o momento certo. Eu tinha que conhecer cada uma dessas pessoas que conheci. Eu tinha que amar cada uma delas pra que pudesse amar esse lugar. Esse lugar que só pode ser amado de verdade se ao colocar os pés aqui, você se entrega a ele e as histórias que ele pode te proporcionar contar mais tarde. E então resta um pedido, um pedido de alguém que escreve porque sabe que as palavras não saem tão fácil se faladas. Um pedido aos amigos: que nós sejamos eternos. Que nós possamos nos reencontrar para sempre. Infinitos em nossos abraços. Em nossos risos. Em nossos olhares. Mesmo que a maioria das pessoas diga ser impossível. Mesmo que a ciência tenha provas de ser inviável. Eu gosto de pensar que podemos sim ser eternos. 

Por Camila Aguilera 

terça-feira, 17 de março de 2015

Dia 18

Se eu começar a escutar essas músicas tristes 
Se eu começar a escrever essas coisas tristes 
Essas músicas, esses textos tristes, tristes demais 
A gente aproveita a data, a ocasião 
Porque logo eu completo vinte e seis
E então a gente chama de inferno astral
Por mais triste que seja 
E em nada tenha a ver com o próximo dia dezesseis.

domingo, 22 de fevereiro de 2015

ATUALMENTE

A gente não deu certo
Tentei, tentou
E a gente podia ter dado
Certo, meio certo, continuado
A gente gostava de canções iguais
A gente tinha o mesmo sabor preferido da pizza
A cerveja, os chocolates 
Fora isso, a gente tinha o mesmo sentimento
E olha só... 
A gente não deu certo
A vida tem dessas coisas
Um mês, um semestre, onze meses depois
E a gente não voltou 
A gente foi indo
Aqui e lá
Foi indo, indo, indo
A gente já não é mais a gente
Ficou algo, claro que ficou
Só que a gente já não é mais a gente
A gente mudou
Por dentro, por fora... 
Por dentro, por dentro. 

Por Camila Aguilera