quarta-feira, 15 de abril de 2015

SOBRE A VÉSPERA



Para quando você completar seus quarenta ou cinquenta anos, você saiba que passou por dias em que escreveu muito. Sobre amizades, sobre despedidas, sobre o amor que sentiu por cada pessoa que passou na sua vida nos últimos quatro anos. Aos vinte e dois, você comemorou seu aniversário dentro da universidade. Aos vinte e seis, você estará na sua casa em Assis. Saiba que no dia anterior você ouviu Agridoce até chegar à exaustão. Ouviu Gragoatá também. Deixo aqui registrado porque você certamente não conseguirá se lembrar desse nome tantos anos depois. Foram dias em que você buscou de forma insistente um pouco de paz. Já tem mais de um mês que você não fuma. Você se prometeu que dessa vez não terá volta. Relação cortada. Você tem bebido menos, mas espero que ao se encontrar com quarenta ou cinquenta anos, tenha parado. É uma vontade sua. Uma vontade que eu espero que consiga realizar. Você está bem com sua família. Passou aquela sensação de estranhamento quando você voltava pra casa depois que se mudou. Você está bem com seus amigos. Você se despediu de alguns deles nos últimos dias. Foram dias tristes, mas você mudou de quarto, alguns móveis de lugar. Você tem tentado se reencontrar. E não está envolvida sentimentalmente por ninguém nesse momento. Você não desistiu do amor. Apenas deixou pra dividir ele com alguém pra depois. Quem sabe, amanhã? Aquela sensação de soco no estômago ao ver algo relacionado ao seu antigo relacionamento passou. Não citarei o nome da pessoa aqui. Se você lembrar daqui vinte ou trinta anos, é porque realmente foi importante. Se não lembrar, tudo bem. De alguma forma, saiba que foi necessário. Amar, se apaixonar ou se encantar faz parte de sentir que há vida por aí, mas mais importante que há vida dentro de você. Não se preocupe por não ter conseguido escrever tanto na véspera do seu aniversário de vinte e seis. Nesse dia você se sentia como se estivesse numa espécie de outra dimensão. Não sentiu nada que te fizesse doer, nem riu demais. Só que estava em paz. Eu te juro que você esteve paz. E isso foi tão bonito que te bastava. 

Por Camila Aguilera